Mostrar mensagens com a etiqueta Amália Rodrigues. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amália Rodrigues. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Amália - Povo que lavas no rio

 
 Povo que lavas no rio
 E talhas com o teu machado 
As tábuas de meu caixão

 Povo que lavas no rio
 Que talhas com o teu machado
 As tábuas do meu caixão

 Pode haver quem te defenda 
Quem compre o teu chão sagrado
 Mas a tua vida não 

Fui ter à mesa redonda
 Beber em malga que esconda
 O beijo de mão em mão

 Fui ter à mesa redonda 
Beber em malga que esconda
 O beijo de mão em mão

 Era o vinho que me deste
 Água pura, fruto agreste
 Mas a tua vida não

 Aromas, do urze e de lama 
Dormi com eles na cama 
Tive a mesma condição 

Aromas, do urze e de lama 
Dormi com eles na cama 
Tive a mesma condição 

Povo, povo, eu te pertenço
 Deste-me alturas de incenso 
Mas a tua vida não

 Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
 As tábuas do meu caixão

 Povo que lavas no rio
 Que talhas com o teu machado 
As tábuas do meu caixão

 Pode haver quem te defenda 
Quem compre o teu chão sagrado
 Mas a tua vida não

Letra: Pedro Homem de Melo

Música: João Campos

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Amália Rodrigues - Grandola Vila Morena ( Central da cerveja Lisboa 6 de Outubro de 1974. Discussão com Pedro Jordão)

Outro registo de muito valor 



No dia 6 de Outubro de 1974 todo o país se prontificou a oferecer um dia de trabalho voluntário para a Revolução. Toda a gente aderiu e os artistas, necessariamente, também. Amália Rodrigues foi cantar à Central de Cervejas de Lisboa. Depois de interpretar, entre outras coisas, uma versão do "Grândola, Vila Morena" absolutamente estonteante (aquilo parecia quase a "Casta Diva" da Norma, tal as grandes linhas em legato, o clima sonhador, o carácter lírico**) recebeu - obviamente - uma tremenda ovação. Há então uma vozinha que se eleva no meio da multidão... a achar mal a ovação. Era a vozinha de um tal Pedro Jordão*, ilustre desconhecido. Mas a Amália quis saber por que é que ele discordava do aplauso e foi falar com ele. Bem, embrenharam-se os dois numa discussão monumental. É material verdadeiramente histórico, que ilustra uma fase política do país, uma fase na vida da Amália, e, infelizmente, tira do pó total do esquecimento um zé-ninguém da música portuguesa.
http://valkirio.blogspot.com/2011/10/sociedade-central-de-cervejas.html


 *Pedro Jordão não é um desconhecido
**   Há interpretações bem melhores a começar pela  original, a  do Zeca Afonso.

Amália Rodrigues - Povo que lavas no rio

Letra: Pedro Homem de Mello 
Música: Joaquim Campos





Povo que lavas no rio

E talhas com o teu machado

As tábuas do meu caixão.

Pode haver quem te defenda

Quem compre o teu chão sagrado

Mas a tua vida não.




Fui ter à mesa redonda

Bebi em malga que me esconde

O beijo de mão em mão.

Era o vinho que me deste

A água pura, puro agreste

Mas a tua vida não.




Aromas de luz e de lama

Dormi com eles na cama

Tive a mesma condição.

Povo, povo, eu te pertenço

Deste-me alturas de incenso,

Mas a tua vida não.




Povo que lavas no rio

E talhas com o teu machado

As tábuas do meu caixão.

Pode haver quem te defenda

Quem compre o teu chão sagrado

Mas a tua vida não.


Pedro Homem de Mello

Programa Riso e Ritmo -1966- Amália Rodrigues

 Este vídeo  é uma preciosidade,
Achei pertinente  publicá-lo aqui, no dia  em que se festejam  os 45 anos do 25 de Abril .    


" É um tribunal de opinião pública" ( 1966)



 Amália diz que cantou Guerra Junqueiro.
 

Nada do que  se afirma neste artigo retira à fadista a intenção,  coragem e o mérito de ter trazido poesia erudita para o fado no contexto social e político da época. ) http://visao.sapo.pt/jornaldeletras/musica/amalia-nunca-cantou-guerra-junqueiro=f541749

sábado, 29 de dezembro de 2018

CRISTINA BRANCO - GAIVOTA (ALAIN OULMAN / ALEXANDRE O'NEILL)

Se a poesia sentir, se o sentimento cantar, se a perfeição existir... 


  ( Fado  cantado originalmente por Amália Rodrigues)


Gaivota


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


Alexandre O'Neill


domingo, 1 de julho de 2018

Amália Rodrigues - Estranha forma de vida (1965)

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues nasceu em Lisboa em 1920
"Nasceu com as cerejas, só sabe que deve ter sido em Julho e como gostava de as comer e de se festejar, decidiu para si que nasceu no primeiro dia do mês. Mas nos seus papéis de identidade alguém escreveu "23 de Julho" e assim Amália celebra o seu aniversário duas vezes no mesmo ano."
(...)
*Excertos da entrevista de Maria João Avillez a Amália Rodrigues
Leia mais em mhttp://conversamuitaconversa.blogspot.com/2009/02/amalia-quis-deus-que-fosse-o-meu-nome.html




Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro



Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus


Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vives de forma perdida
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida


Coração independente
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coração independente


Eu não te acompanho mais
Para, deixa de bater
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais






quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Amália Rodrigues no Café Luso - Fado Mayer

“Amália no Café Luso” é a mais antiga gravação ao vivo conhecido de Amália: um espectáculo completo gravado em dezembro de 1955 quando era “residente” do Café Luso, na época um dos mais prestigiados locais de fado de Lisboa. Na altura, os puristas do fado ficaram chocados com a “audácia” de gravar um disco de fado ao vivo. No entanto, este disco é, por muitos, considerado um dos melhores álbuns de sempre da música popular portuguesa, exactamente porque nele se conjugam a Amália-fadista, o lugar de culto do fado e, ainda, numa cuidada apresentação gráfica, imagens significativas de uma certa Lisboa: da ditadura salazarista; de um tipo de boémia em que se contactavam, sem se misturar fora da alcova, povo e aristocracia, senhores e prostitutas, nobres de nascimento e cantoras de cabaré. “Amália no Café Luso” é quase um álbum conceptual antes de tempo. Amália Rodrigues nesta gravação é acompanhada por Domingos Camarinha e Santos Moreira"



Uma gravação que faz parte da história do Fado.  
Cresci a ouvir este álbum, que já cá esteve uma vez com outro tema .  
 É fascinante ouvir a apresentação de Filipe Pinto, a quase recusa de Amália em gravar "não, isto ( o microfone) faz-me impressão", o barulho na sala e o silencio  logo que se ouvem as primeiras notas do Fado Mayer (com  música de Armandinho)
 

* esta publicação está relacionada com a de 9 /11/2017*




domingo, 9 de junho de 2013

Júlio Resende - "Fado" (Gaivota) HD



"Este video é uma homenagem a uma Música que eu amo, por ser a Nossa, carregada de sal e saudade, e porque só quer e só tem uma única condição para existir: vir do coração."

Júlio ResendeO pianista Júlio Resende, foi inicialmente orientado pelo pedagogo do Jazz nacional, Zé Eduardo, prosseguindo os seus estudos com Rodrigo Gonçalves, Mário Laginha e Pedro Moreira, outro grande pedagogo português. Resende tem também um background na Música Clássica mas cedo descobriu que não ficava satisfeito em ser apenas um intérprete de peças musicais em que não pudesse improvisar. Participou em vários Workshops onde pode trabalhar com os melhores mestres do Hot Clube, New School for Jazz and Contemporary Music, a Berklee College of Music, e a Bill Evans Academy entre o tempo que passou na Université de St. Denis em Paris.

Em 2006, licencia-se em Filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e em 2007 lecciona o curso de Piano-Jazz na Escola JBJazz e m Lisboa.

Actualmente é professor de piano-Jazz na Universidade de Aveiro  no âmbito de Mestrado em Música Jazz