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quinta-feira, 25 de abril de 2019

CAMANÉ e XUTOS & PONTAPÉS

"O Homem do Leme tanto evoca ecos poderosos da nossa literatura clássica − o Adamastor d'Os Lusíadas; o Mostrengo de Pessoa"
 ( Manuel Halpern)




Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...


E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

Manuel Halpern

domingo, 20 de janeiro de 2019

Os Contemporâneos - "O Chato" e Camané

O "Chato" é Nuno Lopes




Nuno Lopes conta como nasceu este personagem

Camané - Lume

 Música: Armando Machado (Fado Santa Luzia)
Guitarra: José Manuel Neto 





Foi assim, era costume
Tu vinhas pedir-me lume
Ao balcão daquele bar

Eu disse que não, primeiro
Depois, comprei um isqueiro
E até voltei a fumar


As noites que nós passámos
Quantos cigarros fumámos
Tanto lume que eu te dei

Um dia acordei com frio
Estava o cinzeiro vazio
E nunca mais te encontrei


Mas ontem, naquele bar
De repente, vi-te entrar
Foste direita ao balcão

Como era o teu costume
Vieste pedir-me lume
Mas eu disse-te que não


Se quando te foste embora
Deitei o isqueiro fora
Que lume te posso eu dar

Pede a outro que te ajude
P'ra bem da minha saúde
Eu já deixei de fumar


Sem dormir de madrugada
Ouvi teus passos na escada
Vi da janela o teu carro

Debaixo do travesseiro
Encontraste o meu isqueiro
E acendeste-me o cigarro


Manuela de Freitas