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domingo, 3 de maio de 2026

Memória - Carminho em casa D’ Amália


(queria muito tê-la aqui, não tenho podido mas hoje consegui vir cá) 

 C’Alma
 

Música de Armando Machado - Fado Maria Rita 




Memória 

Ainda te lembras de mim?

Ainda sabes de onde eu vim?

Quem sou esta que aqui estou?

Diz-me no meu olhar triste

Que alguma memória existe

E ainda sabes quem sou

Será que ainda tropeço

Se me alegro se agradeço

Ou se ainda sei cantar

Recorda-me por favor

Alguma coisa o que for que eu não consigo

Lembrar

Vem comigo pla cidade

Diz-me com sinceridade

Se tu te lembras de mim

Onde cresci e amei

Com quem vivi e me dei

Ou se a algo eu pus fim

Será que tu me conheces

Que o tempo passa e não esqueces

Quem eu fui e sou enfim

Oh meu doce coração

Diz-me se sabes ou não

Ainda te lembras de mim?


Carminho

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Fados para piano (Excerpts) : No. 3, Hylário*


*Augusto Hilário da Costa Alves ( 7 de Janeiro de 1864 - 3de abril de 1896) foi um intérprete português da canção de Coimbra.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Amália - Povo que lavas no rio

 
 Povo que lavas no rio
 E talhas com o teu machado 
As tábuas de meu caixão

 Povo que lavas no rio
 Que talhas com o teu machado
 As tábuas do meu caixão

 Pode haver quem te defenda 
Quem compre o teu chão sagrado
 Mas a tua vida não 

Fui ter à mesa redonda
 Beber em malga que esconda
 O beijo de mão em mão

 Fui ter à mesa redonda 
Beber em malga que esconda
 O beijo de mão em mão

 Era o vinho que me deste
 Água pura, fruto agreste
 Mas a tua vida não

 Aromas, do urze e de lama 
Dormi com eles na cama 
Tive a mesma condição 

Aromas, do urze e de lama 
Dormi com eles na cama 
Tive a mesma condição 

Povo, povo, eu te pertenço
 Deste-me alturas de incenso 
Mas a tua vida não

 Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
 As tábuas do meu caixão

 Povo que lavas no rio
 Que talhas com o teu machado 
As tábuas do meu caixão

 Pode haver quem te defenda 
Quem compre o teu chão sagrado
 Mas a tua vida não

Letra: Pedro Homem de Melo

Música: João Campos

sábado, 9 de novembro de 2019

Rodrigo Rebelo de Andrade, "Fado Franklim (sextilhas)" - "Eu queria cantar-te um fado"

    Canta com  tanto sentimento.....  
 

Eu queria cantar-te um fado
Que toda a gente ao ouvi-lo
Visse que o fado era teu.

Fado estranho e magoado,
Mas que pudesses senti-lo
Tão na alma como eu.

E seria tão diferente
Que ao ouvi-lo toda a gente
Dissesse quem o cantava.

Quem o escreveu não importa
Que eu andei de porta em porta
Para ver se te encontrava.

Eu hei-de por nalguns versos
O fado que é dos teus olhos
O fado da tua voz.

Nossos fados são diversos
Tu tens um fado eu tenho outro
Triste fado temos nós.

António de Sousa Freitas

domingo, 6 de outubro de 2019

António Zambujo - "Beijos de fogo"

 Muito bonito.

(Hoje, muitos portugueses  beijaram a boca das urnas sem  paixão. 
Não há fumo nem há chama, já vem sendo habitual. 
A boca das urnas é cada vez mais suja e mais feia mas, ainda assim, lá mais um beijinho.....

A normalidade do politicamente correcto é, mais do que inútil, prejudicial.
O direito a votar está a tornar-se um cliché. E assim a democracia portuguesa.
Não, nem tudo isto é fado.
LCB )


 






Silêncio nem uma pena
Quero a minha alma serena
Sem soluços na cidade
Sequei meus olhos chorados
Pus no peito cadeados
P'ra não entrar a saudade

Numa atitude mais louca
Pousei sobre minha boca
Rosas fogo de quem ama
P'ra se me vencer a fome
De querer gritar teu nome
Meus lábios fiquem em chama

Mas a noite é um segredo
Confesso que tenho medo
E ao mesmo tempo desejos
De ouvir silêncios rasgados
De quebrar os cadeados
De te queimar com meus beijos

Mario Rainho / Georgino De Sousa (Fado Georgino)





Silence is not a shame

I want my soul serene

No hiccups in town

I dried my eyes crying

Pus chest padlocks

I can not miss it.



In a crazier attitude

I landed on my mouth

Roses fire of who loves

If I get beat up with hunger

To want to shout your name

My lips are on fire.



But night is a secret.

I confess that I'm afraid

And at the same time wishes

To hear ripped silences

Of breaking the padlocks

Burn with my kisses






sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Declaração de intençoes : amor em Dó maior .- Aldina Duarte

 Pode nem se gostar de fado, mas é inegável a Alma da interpretação,  o sentimento e o sentido do filme .




Passa o tempo e não apaga
A memória que a semente
Guarda da mão que a plantou
Quem diz que o amor se acaba
Ou quer esconder o que sente
Ou nunca na vida amou

Eu tive um amor tão grande
Que quando o perdi, não nego
Já não quis amar ninguém
E, por mais que a razão mande
Meu coração ficou cego
Aos encantos de quem vem


Quem nunca esconde o que sente
Vai contar hoje essa história
De um amor que não vingou
Passa o tempo, e a semente
Guarda consigo a memória
Da mão que um dia a plantou
Quem nunca esconde o que sente
Não pode esquecer a história


Maria do Rosário Pedreira



*Filmado em várias aldeias portuguesas

quinta-feira, 25 de abril de 2019

António Zambujo - Nem às Paredes Confesso

Podes até encantar....

Amália Rodrigues - Povo que lavas no rio

Letra: Pedro Homem de Mello 
Música: Joaquim Campos





Povo que lavas no rio

E talhas com o teu machado

As tábuas do meu caixão.

Pode haver quem te defenda

Quem compre o teu chão sagrado

Mas a tua vida não.




Fui ter à mesa redonda

Bebi em malga que me esconde

O beijo de mão em mão.

Era o vinho que me deste

A água pura, puro agreste

Mas a tua vida não.




Aromas de luz e de lama

Dormi com eles na cama

Tive a mesma condição.

Povo, povo, eu te pertenço

Deste-me alturas de incenso,

Mas a tua vida não.




Povo que lavas no rio

E talhas com o teu machado

As tábuas do meu caixão.

Pode haver quem te defenda

Quem compre o teu chão sagrado

Mas a tua vida não.


Pedro Homem de Mello

domingo, 20 de janeiro de 2019

Camané - Lume

 Música: Armando Machado (Fado Santa Luzia)
Guitarra: José Manuel Neto 





Foi assim, era costume
Tu vinhas pedir-me lume
Ao balcão daquele bar

Eu disse que não, primeiro
Depois, comprei um isqueiro
E até voltei a fumar


As noites que nós passámos
Quantos cigarros fumámos
Tanto lume que eu te dei

Um dia acordei com frio
Estava o cinzeiro vazio
E nunca mais te encontrei


Mas ontem, naquele bar
De repente, vi-te entrar
Foste direita ao balcão

Como era o teu costume
Vieste pedir-me lume
Mas eu disse-te que não


Se quando te foste embora
Deitei o isqueiro fora
Que lume te posso eu dar

Pede a outro que te ajude
P'ra bem da minha saúde
Eu já deixei de fumar


Sem dormir de madrugada
Ouvi teus passos na escada
Vi da janela o teu carro

Debaixo do travesseiro
Encontraste o meu isqueiro
E acendeste-me o cigarro


Manuela de Freitas


sábado, 29 de dezembro de 2018

CRISTINA BRANCO - GAIVOTA (ALAIN OULMAN / ALEXANDRE O'NEILL)

Se a poesia sentir, se o sentimento cantar, se a perfeição existir... 


  ( Fado  cantado originalmente por Amália Rodrigues)


Gaivota


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


Alexandre O'Neill


terça-feira, 21 de agosto de 2018

José Pracana - Um fadista já cansado

“Trovas Antigas, Saudade Louca”

 Aprendeu muito com Alfredo Marceneiro e tornou-se num dos seus melhores amigos.  Era um imitador notável , grande guitarrista e,  para mim, um dos  nossos melhores fadistas de sempre.  No entanto raramente se ouve falar do Zé Pracana... Porque será?
       Felizmente , graças a registos como este ( pena é que não apreçam muitos mais), é possível assistir  às suas fadistices e  sentir o todo o sentimento das interpretações de Pracana. 

sábado, 21 de julho de 2018

Fado Pechincha - Carminho, Luís Guerreiro , Diogo Clemente , Marino de Freitas

Uma Vida  Noutra Vida....



Carminho - voz
Luis Guerreiro - portuguese guitar (guitarra portuguesa)
Diogo Clemente - classic guitar (guitarra clássica)
Marino de Freitas - bass (viola baixo)

domingo, 1 de julho de 2018

Amália Rodrigues - Estranha forma de vida (1965)

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues nasceu em Lisboa em 1920
"Nasceu com as cerejas, só sabe que deve ter sido em Julho e como gostava de as comer e de se festejar, decidiu para si que nasceu no primeiro dia do mês. Mas nos seus papéis de identidade alguém escreveu "23 de Julho" e assim Amália celebra o seu aniversário duas vezes no mesmo ano."
(...)
*Excertos da entrevista de Maria João Avillez a Amália Rodrigues
Leia mais em mhttp://conversamuitaconversa.blogspot.com/2009/02/amalia-quis-deus-que-fosse-o-meu-nome.html




Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro



Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus


Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vives de forma perdida
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida


Coração independente
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coração independente


Eu não te acompanho mais
Para, deixa de bater
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais






domingo, 17 de junho de 2018

Herminia Silva - Vou dar de beber à alegria (1980)

 O fado é música para a alma.
 Tudo isto é triste, tudo isto é fado....  Nem sempre é assim.
 Este fado é uma charge,  parodia o " Dar de Beber à Dor",  cantado por Amália Rodrigues.
Se há fadista inimitável é Hermínia Silva ( 1907/1993) que, tal como Alfredo Marceneiro, é um ícone do Fado Castiço. Tinha um modo de cantar o fado inconfundível que, aliado a  uma enorme capacidade teatral e um sentido de humor extraordinário,  tornava únicas as sua interpretações.
Este vídeo é precioso .



quarta-feira, 16 de maio de 2018

Aldina Duarte

Comove...

Ai meu amor se bastasse
Saberes que eu te amo tanto
E cada vez que eu cantasse
Ai meu amor se bastasse
Saberes que é por ti que eu canto

Ai meu amor se bastasse
O que a cantar eu consigo
E mesmo que eu não cantasse
Ai meu amor se bastasse
O que a falar eu não digo

Ai meu amor se bastasse
Eu saber que te não basta
E na vida que eu gastasse
A cantar eu reparasse
Que a nossa vida está gasta

Se o que eu tenho p'ra te dar
Quando eu canto te chegasse
Se isso pudesse bastar
Se me bastasse cantar
Ai meu amor se bastasse

Manuela de Freitas


Faz pensar.   

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Balada de Coimbra por Carlos Paredes

(...)


A balada de Coimbra de José Elyseu foi tocada e cantada pela primeira vez em 1906. Depois disso, o célebre guitarrista de Coimbra Artur Paredes pegou nela. Carlos Paredes, seu filho,   ampliou de tal forma a versatilidade da guitarra portuguesa que a tornou um instrumento conhecido em todo o mundo.
 Há tempos que a Académica de Coimbra usa esta esta canção como bandeira sonora. Sempre que joga em "casa", a entrada dos jogadores em campo é feita ao som da Balada de Coimbra.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Alfredo Marceneiro fala sobre o Fado

" - O que queres que eu diga?
   -Aquilo que o tio Alfredo sabe…
   -  Dediquei-me  a cantar o Fado. Tive, foi,o  condão que  Deus   me  deu de estilar...  tenho mais nada."

" a Amália, que tem a garganta mais linda..."
( tão  bonito e cheio de graça, embora não  o seja a situação  política a que se refere)



  Alfredo Marceneiro  conversa  com  Teresa Silva  Carvalho, José Pracana, João Ferreira Rosa e João Braga, seus "discípulos" e admiradores.
 Memorável lição sobre o Fado, dada por um notável estilista ( era assim que se auto-intitulava).


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Amália Rodrigues no Café Luso - Fado Mayer

“Amália no Café Luso” é a mais antiga gravação ao vivo conhecido de Amália: um espectáculo completo gravado em dezembro de 1955 quando era “residente” do Café Luso, na época um dos mais prestigiados locais de fado de Lisboa. Na altura, os puristas do fado ficaram chocados com a “audácia” de gravar um disco de fado ao vivo. No entanto, este disco é, por muitos, considerado um dos melhores álbuns de sempre da música popular portuguesa, exactamente porque nele se conjugam a Amália-fadista, o lugar de culto do fado e, ainda, numa cuidada apresentação gráfica, imagens significativas de uma certa Lisboa: da ditadura salazarista; de um tipo de boémia em que se contactavam, sem se misturar fora da alcova, povo e aristocracia, senhores e prostitutas, nobres de nascimento e cantoras de cabaré. “Amália no Café Luso” é quase um álbum conceptual antes de tempo. Amália Rodrigues nesta gravação é acompanhada por Domingos Camarinha e Santos Moreira"



Uma gravação que faz parte da história do Fado.  
Cresci a ouvir este álbum, que já cá esteve uma vez com outro tema .  
 É fascinante ouvir a apresentação de Filipe Pinto, a quase recusa de Amália em gravar "não, isto ( o microfone) faz-me impressão", o barulho na sala e o silencio  logo que se ouvem as primeiras notas do Fado Mayer (com  música de Armandinho)
 

* esta publicação está relacionada com a de 9 /11/2017*