Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens

sábado, 4 de março de 2023

Bruno Nogueira - Literatura por medida ( Revista Sábado, 2 de Março de 2013)


 



Bruno Nogueira

Humorista



02 de março


Literatura por medida

O autor está morto, pegaram no livro dele e alteraram frases e palavras de maneira a que o leitor não se sinta ofendido. Vivemos uma época em que para não ofender os leitores vivos, manipula-se a escrita dos autores mortos.

ESTÁ A ACONTECER um pouco por todo o lado, mas sobretudo em livros. E até que enfim que está a acontecer, porque assim o mundo fica logo mais justo. Eu pelo menos sinto isso, quando saio à rua. A editora britânica do escritor Roald Dahl (autor de Matilda, Charlie e a Fábrica de Chocolate, etc.) terá contratado uma equipa para analisar as obras do autor, e sugerir alterações. Tudo para que os livros de Dahl “continuem a ser apreciados por todos nos dias de hoje”. Logo aqui, um erro. Devia ser: “Para que continuem a ser apreciados por todos os panhonhas nos dias de hoje.” Assim sendo, pegaram nesses livros e alteraram algumas passagens. Porquê? Porque há pessoas a quem fazem dói-dói determinadas palavras. E qual é a solução? Temos aqui vários caminhos, e vejam se conseguem adivinhar o mais sensato: Hipótese A, o leitor escolhe não ler porque não aprecia a linguagem contida no livro. Hipótese B, o leitor lê e entende que uma obra de ficção representa isso mesmo (uma obra de ficção), e contextualiza na época em que foi escrito; ou hipótese C, o leitor amua porque há no livro palavras que ele sente que não deve ler, e a editora altera para que ele nunca mais tenha de passar por tamanha afronta. Se está alcoolizado e respondeu a hipótese C, acertou.

Foram alteradas centenas de palavras. Por exemplo, saiu a palavra “gordo” para entrar “enorme”. A palavra “feio” também foi abolida. Numa outra obra, uma personagem que é descrita como “terrivelmente gorda e terrivelmente flácida” passa agora a ser “bruta” e que “merece ser esmagada pela fruta”. Os Oompa Loompas do Charlie e a Fábrica de Chocolate deixam de ser “pequenos homens” para serem “pequenas pessoas”. E noutra obra os “homens-nuvem” passam a ser “pessoas-nuvem”. Isto faz com que Roald Dahl passe a ser woke, mesmo sendo um esqueleto. Trocar palavras de obras quando não gostamos delas ajuda muito. Já fiz o mesmo com “IVA”, agora só tenho de ir a tribunal explicar que aquelas iniciais me deixam


Também é curioso que isto seja uma questão que incomoda sobretudo os autores, porque os principais lesados nestas mantas de retalhos são os leitores, que ficam privados de uma linguagem que corresponde ao escritor que estão a ler, para passarem a ser brindados com colagens de várias palavras que o escritor nunca escreveu em vida (nem na morte, já agora), mas que foram escritas por uma equipa que sente que era assim que o autor deveria escrever nos tempos actuais. Acontece que o autor não escreveu nos tempos actuais, o que faz com que não consiga ter uma linguagem do futuro, uma vez que escreveu no passado. Pormenores. Não sei se consigo passar a gravidade da questão sem me repetir: o autor está morto, pegaram no livro dele e alteraram frases e palavras de maneira a que o leitor não se sinta ofendido. Também se soube que os livros de 007 de Ian Fleming vão sofrer alterações para que não tenham expressões consideradas racistas ou ofensivas. Vivemos uma época em que para não ofender os leitores vivos, manipula-se a escrita dos autores mortos. É possível que funcione, na medida em que as pessoas vivas fazem-se ouvir com mais intensidade do que as pessoas mortas. Se eliminarmos palavras como “gordo” e “feio” dos livros, deixa de haver gordos e feios na vida real, o que é um descanso para a vista. Também deixa de haver racistas. Os problemas do mundo ficam todos resolvidos com o Microsoft Word.


E Deus nos livre que um leitor leia uma coisa que o incomoda. Na verdade, Deus nos livre que uma pessoa seja confrontada com um filme, uma série, uma pintura, um livro, ou qualquer coisa que não encaixe perfeitamente nos parâmetros de gosto daquela pessoa. Correu sempre tão bem quando alteraram frases de livros, e proibiram a venda de outros, que não estou a ver que desta vez vá correr pior. São sempre sinais de uma sociedade em evolução: achar que as novas gerações não podem ter acesso à forma como as outras gerações escreviam. Nesse caso, para que serve o passado, seja ele bom ou terrível? Como é que se pode evoluir, sem se saber de onde se veio? Enfim, perguntas que deixo aqui hoje, mas que daqui a 20 anos alguém vai alterar para “A pessoa Bruno gostava muito de nuvens e de papoilas”.


Antigamente a isso chamava-se mimo, hoje em dia é progresso. Quando alguém começava a fazer birra porque um amigo lhe tinha dito uma palavra feia, o que se dizia era: “Respondes à altura e defendes-te, ou então viras costas e vais-te embora.” O que se ensina hoje é: “Se alguém disser uma palavra feia que tu não queres ouvir, vais até à directora da escola e depois tratamos de mandar o menino para uma terra muito longe daqui, e nunca mais vais ter de ouvir falar dele.”


Entretanto, após protestos de várias pessoas (entre elas o escritor Salman Rushdie), a editora veio dizer que vai manter a versão original para quem quiser, mas que vai também editar esta versão revista, para o público mais sensível. Não será mais fácil o público mais sensível procurar obras mais sensíveis? Eu sei, faço muitas perguntas.


Estamos a blindar o mundo para que as pessoas só vejam e ouçam o que não lhes provoca o mínimo beliscão. A arrogância de achar que vão passar pela vida só a ouvir o que querem tem tudo para correr bem, porque está provado cientificamente que o que ofende uma pessoa, é exactamente o mesmo que ofende a que está ao lado, por isso o assunto vai-se resolver com facilidade e rápido consenso.


Palavra de gordo. 


Texto escrito segundo o anterior acordo ortográfico


domingo, 26 de junho de 2022

La vie est belle

(…)
 
 
Foi há dois anos,  mas não conhecia.
 * publicacao original de Camille Lellouche no Instagram a 7/5/ 2020 -  https://www.instagram.com/p/B_4Rwj9orgh/?igshid=YmMyMTA2M2Y= *

terça-feira, 31 de maio de 2022

Figueiredo Dias A "aula do pijama" do Sr. Penalista( Graça Barbosa Ribeiro , 2007 in jornal Público)


 Fiz Direito  em Coimbra. 

Não fui boa aluna. Faltei muito às aulas, mas nunca perdi as do Professor Figueiredo Dias. Era um gozo, um privilégio assistir àquelas sessões.

 Nessa altura, já a Faculdade de Direito de Coimbra estava a ficar torta e fracota.


Vale a pena ler este artigo do PÚBLICO:

https://www.publico.pt/2007/11/23/jornal/figueiredo-dias-a-aula-do-pijama-do-sr-penalista-238738



 ( para continuar sobre FDC)

LCB




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Connect the Back Workshop Jay Grimes PREVIEW

  No limite, se cada ser humano é diferente do outro,  também  a forma como olha para a mesma coisa ou assunto o poderá ser sem que daí venha algum mal ao mundo, pelo contrário. Muitas vezes esquecemo-nos dessa capacidade e, facilitando, prendemo-nos a correntes de pensamento e atitude, fazendo finca-pé de uma perspectiva. Não nos lembramos de que a opinião de quem pensa de outra forma e talvez seja mais livre, pode ser pedagógica, lúdica e desafiante: desperta- nos.

A imagem do escultor, das voltas  e reviravoltas que ele dá em torno de uma ideia até chegar a uma conclusão, é muito bonita e eficaz (vinda de quem vem, outra coisa não seria de esperar): serve para quem ensina, mas também para quem (se )aprende, para o corpo, a mente, para ambos. 
Para a vida, que a vida é movimento e o movimento é vida.

A ideia de que o exercício físico deve tornar-se criativo e recreativo,    deve ser pensado e fazer pensar para ser compreendido e reestruturante* do corpo e da mente, faz com que os adeptos do exercício físico inteligente sejam cada vez mais.
LCB

*( reestruturante  é um erro….?)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

4 YEARS OLD TOOTHPASTE EXPERT HAS FUN WITH LETTERMAN

 Brilhariante !

  É claro que os convidados são escolhidos e ajudam, mas saber falar com crianças é um dom que exige observação e trabalho

David  Letterman é  um mestre da comunicação .

De certa maneira o humor é isso mesmo :  ver as coisas com os olhos de uma criança . E as expressões deste miúdo são engracadissimas.

Na televisão portuguesa ….Hérman José tem uma jeito especial para crianças. Além  disso tem um personagem infantil que é dos meus preferidos:  o Nelito. 

Actualmente só o Vasco Palmeirim se eleva assim. Os seus diálogos com os miúdos são hilariantes.


Mas em Portugal o país do formalismo é  normal assistir- se  a entrevistas em que as perguntas já contêm a respostas, cujo resultado, quando se trata de crianças pode ser  ainda mais patético e deprimente.

Olá, chamas- te Ezequiel e tens cinco anos?

- Siiiim…

-Gostas muito dos teus pais?

Siiiim….

Eles já sabem que tens namorada?

-Siiiim…

 Sabes que nosso Presidente da República se chama se Marcelo Rebelo de Sousa ? 

-Siiiiim…

Tira muitas fotografias com as pessoas e é muito simpático?

-Siiiiim

- Tens seguido a campanha eleitoral , mas não votas nas próximas eleições por teres menos de 18 anos?

- Siiim….

Qual é a tua opinião sobre o Sócrates e o Espírito Santo? Não te parece que já deviam ter sido julgados ?

- Veja :  Sócrates era um filósofo  grego cuja frase, “ só sei que nada sei”,  é célebre e foi condenado, tendo escolhido morrer envenenado com cicuta.

O Espírito Santo é  uma Pessoa da  misteriosa Santíssima Trindade simbolizada por uma pomba a voar que é de quem a apanhar.



Por outro lado , as crianças estão cada vez mais adultas, o que é uma pena.

 Por exemplo aquele rapazinho, o Francisco Rodrigues dos Santos, conhecido por Chicão, anda  brincar aos presidentes do CDS, faz imensas birras, trata mal os mais crescidos….Perdeu a piada toda.

E o amigo dele  o “jovem prodígio” Sebastião Bugalho que faz comentários políticos em programas  de adultos, sempre de fato domingueiro, a careta séria e  compenetrada de quem convive com os que costuram o futuro da nação..?

Divagações.

 Penso que não desisto :  esta entrevista de tão cómica e bonita, é uma lufada de ar fresco. E respirar bem, relaxa.


domingo, 24 de outubro de 2021

WOMAN, a journey to empowerment, the Anastasia Mikova & Yann Arthus-Bertrand’s film for BNP Paribas

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça , é ela que passa ….e diz:

 


   Um depoimento que me encheu as medidas. É muito reconfortante saber que noutro lugar do mundo, uma mulher faz as seguintes afirmações:


“Around the clock , wherever you are , whatever you do, you’re obsessed by what happens to your children and trying to make sure that you keep the connection, the presence in their life.

Sometimes they don’t want you to be so present in their lives. So you have to fight to ocuppy that space and to be with them. 

You can never be done with a mother’s work. It is one of the jobs you have for the rest of your life. You have to be an ATM , a social worker, you have to be a lawyer, a punching bag, sometimes. Everything, every role , come withe that thing of being a mother.

At the same time you have to be the strong leader that your job demands of you.

Again , multitasking!”

sábado, 8 de maio de 2021

Pablo Picasso interview fragment


Photo by David Douglas Duncan 


- Why are you dancing?
- There's no ' why ", I dance.
- Are you a plastic artist who dances?
- Yes... or a dancer who paints, whatever you prefer.
- Since when do you dance?
- Forever.
- What do you think when you dance?
- I don't think, sorry.
- What do you feel?
- Love.
- Love?
- Yes, yes.
- But why?
- There's no ' why ' ' for love.
- Feel anything else?
- Life.
- What do you mean?
- Some, just some, do on this earth what they were created for. These live. Others survive. Who dances lives.
Is dancing an essential thing?
Is breathing essential? Did I answer your primary question?
- But there's a ' price ' ' for that choice.
- For dancing? Yes, there is.
- Is it expensive?
- Never mind.
- Did you pay this price?
- I still pay.
- You should dance for someone...
- Also, I mean, not just for someone, or for a reason. You dance because you were born to dance, just as you paint because the paintings already exist within you, you only release them; so it is with dancing, she moves inside you; if you don't release her she is capable of... I don't even know! An ant does its job without questioning, birds fly without questioning, fish swim... men, some kill, others prefer to do what they were created for: love.
- I dance, paint, love
- Do you always dance?
- Only when I love it.
- When do you love it?
- When I dance.


Photo by David Douglas Duncan 


quinta-feira, 11 de junho de 2020

Fernando Pessoa - Livro do Desassosego ( excerto)


Disse Bernard Shaw que a única coisa que a História nos ensina é que a História nada nos ensina. Não é bem assim: aqui, como muitas outras vezes, Shaw sacrifica a frase à frase. O que verdadeiramente a História nos ensina é que ninguém aprende nada com a História. O mesmo homem que como historiador tiver apontado certas "leis" históricas, que induziu do seu estudo de factos, procederá frequentemente, se for estadista, em contrário do que ele mesmo estabeleceu como historiador. Assediado com a acusação de que, de teórico a prático, se contradisse, alegará a pressão das circunstâncias, introduzindo assim uma excepção ao que declarara ser lei natural, insusceptível portanto de a ela haver excepções.

terça-feira, 14 de abril de 2020

The next outbreak? We’re not ready | Bill Gates

Eu sei que toda a gente já viu ou ouviu falar nesta palestra , neste vídeo. No entanto dada a sua importância acho que deve ficar aqui, assim como o que Bill Gates diz devia ficar para sempre na memoria individual de cada um de nós e na colectiva da humanidade.
Sempre que volto a ouvir estas palavras, fico espantada com a sabedoria e clarividência deste homem e revoltada com a ideia de que as suas previsões tenham sido ignoradas por quem tem o poder, no mundo inteiro, de governar , orientar e proteger o indivíduo , as famílias, a sociedade  ( obviamente penso primeiro e imediatamente  em  governos, e  organizações mundiais, europeias, nacionais de saúde, económicas e de segurança ).

 Pergunto-me : 
Quem mais sabia o que podia acontecer e calou, quando tinha o dever de  prevenir actuar, colocando assim milhões de seres humanos em perigo e nesta situação catastrófica?

Quem merece a nossa confiança?

   
O que significa ser livre?

O que é a tolerância?


Que valor tem, actualmente e realmente, a vida humana ?

Vale a pena viver até mais tarde?

 E reparo que, afinal, esta tragédia que ceifa vidas,  reduziu a poluição em "três tempos", mas agora, além da tristeza  que sentimos , temos medo de sair de casa e recomeçar . 

   

domingo, 29 de março de 2020

Mind Your Language- Debate

  Foi no fim do século XX  que a auto-contaminação da humanidade  começou a tornar-se, global, evidente. A pouco e pouco o homem tornou-se escravo de si próprio no mundo do socialmente correcto, um balão furado que se foi enchendo de vazio .
 Esta série, que me faz chorar a rir, é um tesouro de tempos houve em que a tolerância existia e o humor e o riso eram realmente  livres.




sábado, 14 de março de 2020

Charlie Chaplin on happiness and Love

“Schopenhauer* said happiness is a negative state — but I disagree. For the last twenty years I have known what happiness means. I have the good fortune to be married to a wonderful wife. I wish I could write more about this, but it involves love, and perfect love is the most beautiful of all frustrations because it is more than one can express. As I live with Oona, the depth and beauty of her character are a continual revelation to me. Even as she walks ahead of me along the narrow sidewalks of Vevey with simple dignity, her neat little figure straight, her dark hair smoothed back showing a few silver threads, a sudden wave of love and admiration comes over me for all that she is — and a lump comes into my throat.”

Charlie Chaplinat at home in Switzerland, 1973 (from "The Gentleman Tramp") 


"All happiness is of a negative rather than positive nature, and for this reason cannot give lasting satisfaction and gratification, but rather only ever a release from a pain or lack, which must be followed either by a new pain or by languor, empty yearning and boredom.”
 Arthur Schopenhauer

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Grande Angular - A morte na primeira pessoa por António Barreto


"Sou favorável à despenalização do suicídio assistido, na exacta medida em que essa decisão depende de mim. A minha liberdade é o principal critério de decisão. E não a religião, a dignidade, a lei ou a pressão familiar.
Os defensores da eutanásia invocam o argumento da dignidade (na vida e na morte) da pessoa humana. Fazem bem. E têm alguma razão. Mas não toda. Também há dignidade na maneira como se suporta a dor e o sofrimento. Também pode haver dignidade no modo como se desiste ou renuncia. Por isso, o argumento da dignidade não deve ser invocado. O principal argumento é para mim a liberdade pessoal, a decisão autónoma, expressa e conhecida."

Leia mais em:

sábado, 25 de janeiro de 2020

Fazia-se silêncio


“O Congresso do CDS começou com um momento in memoriam em honra do fundador do CDS, Diogo Freitas do Amaral. No 28.º Congresso do CDS, a decorrer esta sábado e domingo em Aveiro, os militantes foram convidados a honrar o ex-ministro português que morreu a 3 de Outubro de 2019. No entanto, o minuto de silêncio não foi geral, já que os presentes estavam a entrar no pavilhão, sem se aperceberem do momento que se cumpria, conversando uns com os outros.
Luís Queiró, presidente da mesa do Congresso, pediu ainda que se lembrassem dos centristas históricos Carlos Alberto Rodrigues e Ivone Fonseca.”

A fotografia de Freitas do Amaral estava... pendurada.

A revista Sábado chama a este momento “um minuto de (quase) silêncio”, o que não é o mesmo que (quase) um minuto de silêncio…ou será?
Dúvida parva. Foi uma (quase) homenagem, claro.
E o que é isso? É uma encenação, um faz de conta que está na moda.
E o que é que significa? Significa, por exemplo, que o silêncio tem hoje muito pouco valor, é até incómodo; o que é importante é fazer barulho, sobretudo quando se pede silêncio.

Neste tipo de espectáculos de competição e festivaleiros, o ruído para pedir silêncio dá a impressão de que o que se quer é calma, quietude, mas na verdade o que se pretendeu foi despachar uma tarefa, adiantar serviço enquanto o que realmente importa não começa. Há agitação natural, encontros, conversas, as pessoas não estão acomodadas, encaixadas, a sala não está ainda cheia, não é possível dar início à ordem de trabalhos e às intervenções orais. Se o pedido de silêncio gera ainda mais barulho, só aparentemente é ineficaz, provavelmente a algazarra foi conveniente, uma descompressão antes da luta que será renhida.
Há tanto para falar que não faz sentido interromper discussões tão importantes para pedir silêncio por gente que já  não está viva. Seria mesmo uma falta de respeito pelos presentes. Assim fazem-se minutos de (quase) silêncio. Formalidade que engana, preenche o tempo que de outra forma seria inútil, até prejudicaria o início rápido da sessão.
Neste caso, o de hoje, usou-se então a imagem e a memória de quem já morreu.
Na verdade houve um abuso sob a forma de homenagem. Daí o Quase que é pior, muito pior do que NADA. 

A hipocrisia parece cada vez mais forte, mas perdeu subtileza, tornou-se descarada, despudorada. Já não precisa sequer de ser inteligente.

Vivemos, porque deixamos que isso aconteça, no mundo do vale tudo: qualquer coisa serve, qualquer coisa passa.

Para quem é bacalhau basta, hão-de pensar. E se ladrarem? A caravana passa de qualquer maneira.


LCB

sábado, 9 de novembro de 2019

David Lynch: Where do ideas come from?

Sometimes we can see what we are hearing and simile ... Well , it's just an idea.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Minas Não! Vida Sim! nem no Soajo, nem em lugar algum

Em luta contra o Mau Ambiente.





"Em que é que a exploração de lítio é diferente da de feldspato? Em nada. Trata-se de uma pedreira, onde se faz o desmonte de pedra e uma parcela dessa pedra é minério de lítio"( Ministro do Ambiente)