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domingo, 15 de dezembro de 2019

Chico Buarque - Cotidiano




Muitas vezes são os comentários que leio na internet que me fazem parar outra vez  num lugar em que estive vezes sem conta.


"-A música é da época da ditadura. Então, se bem interpretada, você pode ver que esta moça é o estado. :)

-Eu acho que a capacidade de compor de Chico Buarque, com a mensagem "encriptada" era fantástica, você não concorda?

-Pois é, se houve política ou não na intenção dessa música... eu não sei. Mas que é uma óptima música para um casado insatisfeito,com certeza é.

-Porque a monogamia é sufocante. Essa música é sobre a insatisfação da existência. É só isso a vida? Era supostamente para ele estar feliz, tá casado com alguém que ama, mas não é suficiente. Há buscas maiores no ser.

-O " cotidiano" é uma Maravilha para quem tem olhos,boca,ouvidos e sentidos de poeta.

-Muito interessantes as observações. Mas acho que (todo dia ELA faz tudo igual me sacode às 6 da manhã e fala que está esperando para o jantar. E dar lhe um beijo com sabor de café) de facto é uma mulher. Nesse período as cidades dormiam. Não havia internet para ficarmos aqui às 3 da madruga discutindo o óbvio."

sábado, 3 de março de 2018

Samba E Amor (Brad Mehldau Trio)



Samba e Amor

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã


Chico Buarque

sábado, 13 de janeiro de 2018

"É muita dor, num é não?" ( Elis)




Quando olhaste bem nos olhos meus

E o teu olhar era de adeus

Juro que não acreditei

Eu te estranhei

Me debrucei

Sobre teu corpo e duvidei

E me arrastei e te arranhei

E me agarrei nos teus cabelos

Nos teus pelos

Teu pijama

Nos teus pés

Ao pé da cama

Sem carinho, sem coberta

No tapete atrás da porta

Reclamei baixinho


Dei pra maldizer o nosso lar

Pra sujar teu nome, te humilhar

E me vingar a qualquer preço

Te adorando pelo avesso

Pra mostrar que inda sou tua

Só pra provar que inda sou tua

Chico Buarque / Francis Hime

domingo, 30 de setembro de 2012

Imagina

 Tom Jobim , Chico Buarque , Paula Morelenbaum 



* vídeo que substitui o que originalmente aqui foi publicado e foi retirado do youtube


Um vídeo extraordinário  e raro,  que mostra o encontro  de Paula Morelenbaum, Tom Jobim e Chico Buarque, três grandes nomes da música brasileira, filmados num ambiente familiar e descontraído.


Curiosidade: esta é a primeira música que Tom Jobim compôs. Tinha 18 anos. Chico Buarque era  ainda  criança . Só anos mais tarde  escreveu a letra.  

" Imagina" é uma canção estranha,  plena de dissonâncias que a tornam  harmonicamente complexa,  sofisticada e invulgar. Sublime. 
A versão solo para piano é comparada por muitos a um prelúdio de Debussy. 

Este filme é  um prazer para os sentidos e para a mente . Todo ele é sensibilidade, expressão, comunicação. Humanidade.