Esta vida tem de tudo. Escrevo sobre o que vejo, o que sinto, o que me interessa, sobretudo se e quando me apetecer. Se me lembrar, posso até contar a história do sobretudo que perdi num dia em que estava mesmo na lua...
“Schopenhauer* said happiness is a negative state — but I disagree. For the last twenty years I have known what happiness means. I have the good fortune to be married to a wonderful wife. I wish I could write more about this, but it involves love, and perfect love is the most beautiful of all frustrations because it is more than one can express. As I live with Oona, the depth and beauty of her character are a continual revelation to me. Even as she walks ahead of me along the narrow sidewalks of Vevey with simple dignity, her neat little figure straight, her dark hair smoothed back showing a few silver threads, a sudden wave of love and admiration comes over me for all that she is — and a lump comes into my throat.”
Charlie Chaplinat at home in Switzerland, 1973 (from "The Gentleman Tramp")
* "All happiness is of a negative rather than positive nature, and for this reason cannot give lasting satisfaction and gratification, but rather only ever a release from a pain or lack, which must be followed either by a new pain or by languor, empty yearning and boredom.”
"Antes do 25 de Abril, já estava muito interessado em música. A primeira banda a que liguei foi aos Creedence Clearwater Revival, com o álbum Cosmo's Factory, que adorei. É com eles que acabo por descobrir o rock. Na altura, comprávamos os discos pelas listas inglesas e quando eles chegavam fechávamo-nos na cave de um amigo que tinha uma super aparelhagem, com giradiscos e amplificadores, para ouvi-los em grupo. Eu comprava as revistas, a [francesa] Rock & Folk e a Pop, que era alemã, por causa dos posters, e lembro-me de ver uma foto do David Bowie, na fase do Ziggy Stardust. O gajo de minissaia e botas. Comecei a tentar imitar essas figuras, porque me fascinavam muito. Certa vez, passei um aniversário no Algarve vestido nesse imaginário, mas a minha mãe achou graça e deixou-me estar no meio dos outros miúdos, de botas altas e minissaiazita. (risos) Apoiou-me sempre muito nessa parte de artista rebelde que sentia que eu tinha. Quando vim do interrail, fascinado pelos punks, muitas vezes era ela que me pintava a cara de branco também tinha aparecido a Laranja Mecânica e havia esse fascínio. E tinha o alfinete na boca. Ela nunca se opôs e, quando os Xutos aparecem, chegou a ver um ou outro concerto, com tudo à pantufada. O meu pai é que dizia: «és músico, mas o que é que queres fazer na vida?»"
Zé Pedro ( Amaro dos Santos Reis), fundador dos Xutos&pontapés , ao Jornal Blitz em 2016