Esta vida tem de tudo. Escrevo sobre o que vejo, o que sinto, o que me interessa, sobretudo se e quando me apetecer. Se me lembrar, posso até contar a história do sobretudo que perdi num dia em que estava mesmo na lua...
“O mestre Tom Zé extravasa na estrutura lírica, acho fantástica a arquitetura que ele impõe na língua portuguesa parece que ele criou e tem a liberdade de fazer do nosso idioma o que quiser.”
( Eduardo Silva- YouTube ) .
Tom Zé é um génio, esta canção é absolutamente extraordinária.
O sentido e significado da letra estão explicados aqui:
Muitas vezes são os comentários que leio na internet que me fazem parar outra vez num lugar em que estive vezes sem conta.
"-A música é da época da ditadura. Então, se bem interpretada, você pode ver que esta moça é o estado. :)
-Eu acho que a capacidade de compor de Chico Buarque, com a mensagem "encriptada" era fantástica, você não concorda?
-Pois é, se houve política ou não na intenção dessa música... eu não sei. Mas que é uma óptima música para um casado insatisfeito,com certeza é.
-Porque a monogamia é sufocante. Essa música é sobre a insatisfação da existência. É só isso a vida? Era supostamente para ele estar feliz, tá casado com alguém que ama, mas não é suficiente. Há buscas maiores no ser.
-O " cotidiano" é uma Maravilha para quem tem olhos,boca,ouvidos e sentidos de poeta.
-Muito interessantes as observações. Mas acho que (todo dia ELA faz tudo igual me sacode às 6 da manhã e fala que está esperando para o jantar. E dar lhe um beijo com sabor de café) de facto é uma mulher. Nesse período as cidades dormiam. Não havia internet para ficarmos aqui às 3 da madruga discutindo o óbvio."
É, você que é feito de azul, Me deixa morar nesse azul, Me deixa encontrar minha paz Você que é bonito demais Se ao menos pudesse saber Que eu sempre fui só de você Você sempre foi só de mim.
Estamos em Março. Por cá , diz o ditado, águas mil só em Abril ... Há porém outras águas que se nos escorrem sempre que a vida quiser. O que Elis Regina canta, desta forma tão bonita, é o cansaço escrito magistralmente por Tom Jobim. Disse Thereza Hermmany ( sua primeira mulher) que os primeiros versos de " Águas de Março“ surgiram (...) assim como quem está cansado mesmo (...) Quer dizer: foi uma música que surgiu numa hora em que ele estava querendo descansar" Escrita em 1972 , Águas de Março, é considerada uma das melhores composições brasileiras de sempre. Esta é a interpretação de que mais gosto: como que em contra-senso ("é a vida, é o sol / é a noite , é a morte"), Elis começa quase inexpressiva, passando a seguir pela tristeza e o desânimo e termina a sorrir e a rir. Beleza.
Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou num segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora
Na minha casa tem um cavalo tordilho que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem E quando pego o meu cavalo e o encilho Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem.
Mais em: https://blog.saraiva.com.br/dez-musicas-de-lupicinio-rodrigues-que-voce-precisa-conhecer-2/
Boa noite povo que eu cheguei Mais outra vez apresentá meu baianá Eu vou cantar com muita alegria Vou apresentá essas baiana da Maria
Para ouvir melhor:
*Baianá - grupos de jovens( na Baía- grupo de moças :as baianas) que cantam e dançam ao som de um terno-de-zabumba e outros instrumentos, como a viola, a rabeca e a sanfona.
- Pernambuco- baile popular;
- De (talvez) alteração popular de baiana , talvez redução popular de baianada.
*Zabumba é um instrumento musical de percussão, que se assemelha a um tambor de tamanho médio ou grande.
O zabumba é conhecido popularmente como “bumbo” ou “bombo”, possui um formato cilíndrico feito de madeira, com forros de pele de couro ou sintético. A sua sonoridade é caracteristicamente grave.
Acredita-se que, genuinamente, a zabumba seja um instrumento musical de origem negra. No entanto, no Brasil, o estado do Pernambuco é consagrado como a terra de grandes mestres de zabumba.
Normalmente, os zabumbeiros - tocadores de zabumba - assumem a posição vertical (em pé), marcando o ritmo do instrumento utilizando baquetas e macetas (espécies de varetas, também conhecidas popularmente por “bacalhau”), que podem repercutir na parte superior e inferior do instrumento.
No Brasil, a zabumba é bastante típica em bandas de forró e outros ritmos nordestinos, como o baião, o xaxado e oxote, além de também ser muito comum nas festas de “bumba meu boi”, na região norte do país.
Os tradicionais grupos denominados "pé-de-serra" são compostos por instrumentos básicos, como a zabumba, o triângulo e a sanfona, sendo bastante apreciados nas festividades típicas da quadra junina do nordeste brasileiro.
Olha, esta mulata quando dança É luxo só Quando todo o seu corpo se embalança, É luxo só Tem um não sei que Que faz a confusão O que ela não tem, meu Deus É compaixão Essa mulata quando Olha esta mulata quando dança É luxo só Quando todo o seu corpo se embalança, É luxo só Porém seu coração quando se agita E palpita mais ligeiro Nunca vi compasso tão Brasileiro Eta samba cai pra lá, Cai pra cá, cai pra lá, Mexe com as cadeiras, mulata Seu requebrado me maltrata
"Sou um matemático amoroso, carente de amor e de matemática. Sem forma não há nada. Mesmo no caótico há forma.”
(ler mais em https://impa.br/)
Imagem de um dos cadernos de Tom onde se pode ver um trecho da letra desta música, inicialmente intitulada “Matemática do Amor”, com caligrafia de Marino Pinto e emendas de Jobim. Os registos desta parceria podem ser vistos no acervo do Instituto Antonio Carlos Jobim (https://impa.br/)