Também devo à minha Mãe o facto me ter posto a ouvir música, praticamente, desde o dia em que nasci. Foi marcante, moldou muito a minha personalidade, não tenho dúvida.
Fui educada no interior do Minho. Vivíamos em Freixo, uma terra com dois largos : o da Igreja (muito perto estava a escola primária) e o da Feira, à volta do qual havia uma "Casa do Povo", casas como a nossa, uma farmácia, duas mercearias, alguns (nessa altura talvez dois ), cafés, talho, loja de ferragens, relojoaria e pouco mais... Aí havia feira de quinze em quinze dias e paravam as "carreiras" que mais tarde nos levariam, aos que continuaram a estudar, para a escola em Ponte de Lima e liceu em Viana do Castelo (nessa altura já só ia a casa uma vez por semana.)
De vez em quando passava por lá a carrinha da Biblioteca Itenerante ( grande Gulbenkian!)
Lembro-me de não haver luz eléctrica na aldeia.
O rádio ficava todo o dia ligado ao pé do berço. Sempre houve música por todo o lado, até na casa de banho.
O meu Pai era mais para os livros. Sendo "duro" de ouvido ,dizia que tocava campainha muito bem... No entanto era engenhocas , gostava de máquinas e também deste ambiente, que era alegre, lúdico e pedagógico. Colaborava, arranjando boas e modernas "aparelhagens", mandando vir colecções musicais pelo correio.... Sem ele e o seu engenho nada teria sido possível.
Mas é à minha Mãe e à sua sensibilidade musical que devo (e os meus irmãos também) não só o gosto, mas também a curiosidade por variadíssimos tipos de música e sonoridades.
Vêm-me à memória as viagens de carro para a praia em que, muito pequenos, todos cantávamos e só eu desafinava... A minha Mãe fazia-me tomar consciência disso, deixando-me fula, é claro, mas também me ensinava e emendava. Água mole em pedra dura "taratara" , um dia deixei de estragar o coro da ida à praia ( ó que bonita!), ou o "coiro" passou a coro....
E não me esqueço das cassettes que mais tarde lhe gravava para o carro, depois de horas, dias, de selecção cuidadosa . Durante anos houve essa " brincadeira" entre nós...
Uma das canções que cantávamos ,embora de forma ligeiramente diferente e pior com certeza mas, pelo menos, a duas vozes ( depois... já não sei se era a Mãe quem fazia o "rabo"), era esta :
LCB
Esta vida tem de tudo. Escrevo sobre o que vejo, o que sinto, o que me interessa, sobretudo se e quando me apetecer. Se me lembrar, posso até contar a história do sobretudo que perdi num dia em que estava mesmo na lua...
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domingo, 1 de maio de 2016
O gato remeumeu ( interpretado pelas Cantadeiras do Vale do Neiva) , a minha minha Mãe e eu...
Publicada por
Luísa Castelo-Branco
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domingo, maio 01, 2016
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Danças e cantaes do Minho- Cantadeiras do Vale do Neiva
Nem só de concertinas, chulas e viras é feito o folclore minhoto. Nesta região canta-se muito e bem , de forma muito própria. Vulgarmente desvalorizados, como se tratassem de gritos e vozes esganiçadas, os cantares do Minho são afinadíssimos nos seus tons agudos e ricos nas palavras. Pena é que não sejam mais divulgados ( ao contrário do que acontece relativamente ao que se canta noutras regiões, nomeadamente o Alentejo) e que, pela internet fora, pululem vídeos de registo de som e imagem de péssima qualidade. É uma coisa que me custa a compreender .
Por isso, hoje publico um belíssimo filme realizado há muitos anos .
Nas palavras de José Luís da Rocha Paris a quem agradeço esta oportunidade " Este vídeo (...)foi filmado em Vila Praia de Ancora há muitos anos pelo menos 15 anos. Mesmo 17 anos. Por um lado foi Jean-Pierre Bertrand quem o filmou e por outro lado eu próprio. Infelizmente nessa altura a minha câmera que era muito boa não chegava para dar toda a luz a essas cantadeiras do Neiva"
Mas as Cantadeiras do Vale do Neiva existem ainda hoje e, na minha opinião, são um dos melhores grupos de cantares do Minho da actualidade.
Por isso, hoje publico um belíssimo filme realizado há muitos anos .
Nas palavras de José Luís da Rocha Paris a quem agradeço esta oportunidade " Este vídeo (...)foi filmado em Vila Praia de Ancora há muitos anos pelo menos 15 anos. Mesmo 17 anos. Por um lado foi Jean-Pierre Bertrand quem o filmou e por outro lado eu próprio. Infelizmente nessa altura a minha câmera que era muito boa não chegava para dar toda a luz a essas cantadeiras do Neiva"
Mas as Cantadeiras do Vale do Neiva existem ainda hoje e, na minha opinião, são um dos melhores grupos de cantares do Minho da actualidade.
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Luísa Castelo-Branco
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sexta-feira, agosto 22, 2014
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