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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Fernando Pessoa - Livro do Desassosego ( excerto)


Disse Bernard Shaw que a única coisa que a História nos ensina é que a História nada nos ensina. Não é bem assim: aqui, como muitas outras vezes, Shaw sacrifica a frase à frase. O que verdadeiramente a História nos ensina é que ninguém aprende nada com a História. O mesmo homem que como historiador tiver apontado certas "leis" históricas, que induziu do seu estudo de factos, procederá frequentemente, se for estadista, em contrário do que ele mesmo estabeleceu como historiador. Assediado com a acusação de que, de teórico a prático, se contradisse, alegará a pressão das circunstâncias, introduzindo assim uma excepção ao que declarara ser lei natural, insusceptível portanto de a ela haver excepções.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DITOS PARLAMENTARES

 Uma Preciosidade.
Muito obrigada, Helena Burnay

 
"(…) Estou consolado pela demonstração que acaba de ser feita diante dos nossos olhos, demonstração no sentido de que realmente não é exacta a afirmação de que a mulher portuguesa não tem o sentido das oportunidades e de que está contrafeita quando toca problemas presos à técnica jurídica. (…)

Estou encantado por ver a colaborar com o espírito disciplinado de homens, que sabem ter disciplinado o espírito, o espírito não menos disciplinado de senhoras que o têm disciplinado como os homens que melhor disciplina têm."

Deputado Mário de Figueiredo, sobre uma intervenção da Deputada Maria Guardiola na Assembleia Nacional, 
Diário das Sessões, 8 de abril de 1935.

É  também o momento histórico-político em que a intervenção se insere que que a torna dignas de realce:"A16 de dezembro de 1934, nas primeiras eleições em que mulheres foram eleitoras e elegíveis, afinal uma aspiração das feministas e sufragistas da 1ª República, a médica e professora Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho, a advogada Maria Cândida Bragança Parreira e a docente Maria Baptista
dos Santos Guardiola tornaram-se, por indicação expressa de António de Oliveira Salazar (1889-1970), nas primeiras deputadas à Assembleia Nacional integrando as listas da União Nacional (UN), único partido do regime. Eram 3 em 90 eleitos e
tinham, respetivamente, 63, 57 e 39 anos."
(Estudos sobre as mulheres e biografias no feminino - João Esteves)