quinta-feira, 27 de março de 2014

Alexander Technique Video

O Homem :
-Maus hábitos » posturas pobres.
 -A luta contra a gravidade,  tensão e enfraquecimento muscular, a tendência para "afundar-se".

- A ligação corpo/mente e a importância da reeducação postural,  o processo de  ( re)aprendizagem e a necessidade de praticar , praticar, praticar.................. até  à (re)automatização do movimento.
  

"We are a culture that exists in slumping pattern"

João Villaret - "A Procissão", de António Lopes Ribeiro




 A Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.



Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.


António Lopes Ribeiro

terça-feira, 25 de março de 2014

Love me like a man - Geneviève Paris, live, Montreal 1976

STING LIVE - Perfect Love Gone Wrong

Escrever as entrelinhas -Clarice Lispector

Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o 
que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa 
se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra 
fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva 
então é escrever distraidamente.
 (LISPECTOR, 1980, p. 21; 1984, p. 120) 


sábado, 22 de março de 2014

Pinheiro por intenso

Em http://grilus-falantis.blogspot.pt/:


Acabei de chegar da PSP onde fui prestar declarações na qualidade de testemunha de uma sessão de pancadaria aqui no Bairro Azul. Fui recebido por um agente muito simpático, que passou com distinção na cadeira de "Falar Axim", parte integrante do currículo do curso de Polícia, a par de outras bem difíceis como a cadeira de "Palavras Complicadas", onde se aprende a usar termos como "desacato", "transeunte", "inopinadamente" e "tudo para fora da zona de segurança".

Antes de ouvir o meu testemunho, o agente estava ao telefone a dizer o seu email a alguém:

"Agá... Pê... Pinheiro... Arroba... Pê Exe Pê... Ponto... Pêtê..."

Pediram para repetir, e ele:

"Agá... Pê... Pinheiro por intenso... Arroba..."

Depois lá chega a altura de começar a prestar declarações, e eu disse que não tinha visto como começaram as agressões, daí não saber quem tinha iniciado a agredir quem. Não houve problema, o agente Pinheiro deu uma ajuda:

"Pois claro, o xenhor só diz o que viu... Ora imagine que eu estou na rua a levar caxetada, já com o nariz de lado e a xangrar da boca, no chão, hum? E eu agarro num pau e digo «olha, tenho que me proteger, vou lixar este indivíduo antes que ele me mate, num é?» e desato à paulitada no agrexôr. Ora agora imagine que o xenhôr vem a paxar e vê-me a bater no pau... Errr, quer dizer, a bater COM o pau. No indivíduo. Como é? Quem tem a culpa...? Ixo é o juíz que depois dexide..."

E foi aqui que tudo se complicou. Eu que estava a aguentar heroicamente há tanto tempo sem me rir , tenho agora que lidar com a imagem do agente Pinheiro (por intenso, claro) a ser agredido e a ripostar como? Batendo no pau...

Ser testemunha ocular é uma coisa muito mais difícil do que parece.
Publicado 30th October 2013 por tiagugrilu

Domingos Pereira Mendes, José Manuel Silva e Manuel da Soalheira - "Desgarrada"

A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria: um projecto  brilhante.
Na senda do folclore minhoto mais uma desgarrada, ou cantar ao desafio.
 Um filme que prima pela  intenção, cuidado da realização, qualidade do som , linguagem "contida"e boa dicção dos cantadores-personagens. Além disso, ou talvez por isso, tem graça.
É, na minha opinião, uma amostra especialmente interessante, que documenta bem esta forma de expressão musical  tão característica do Alto Minho.
 Ó i ó ai ..."Assim a tradição não morre, isto faz parte da cultura que temos no nosso País".
   
      Domingos Pereira Mendes, José Manuel Silva e Manuel da Soalheira - "Desgarrada" from MPAGDP on Vimeo.

Instrumentos
Voz e Acordeão

Gravado em Pevidém, Guimarães, Braga, Norte (Ave)
Março de 2011

Realização: Tiago Pereira
Som: Sara Morais