sexta-feira, 14 de agosto de 2015

" Os amigos "- Camilo Castelo Branco ( 1825-1890)


Eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.


Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.


Um dia adoeci profundamente.
Ceguei. Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.


- Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver…
Que cento e nove impávidos marotos!


*Nota biográfica*

Desde 1865 que Camilo começara a sofrer de graves problemas visuais (diplopia e cegueira nocturna). Era um dos sintomas da temida neurosífilis, o estado terciário da sífilis ("venéreo inveterado", como escreveu em 1866 a José Barbosa e Silva), que além de outros problemas neurológicos lhe provocava uma cegueira, aflitivamente progressiva e crescente, que lhe ia atrofiando o nervo óptico, impedindo-o de ler e de trabalhar capazmente, mergulhando-o cada vez mais nas trevas e num desespero suicidário. Ao longo dos anos, Camilo consultou os melhores especialistas em busca de uma cura, mas em vão. A 21 de Maio de 1890, dita esta carta ao então famoso oftalmologista aveirense, Dr. Edmundo de Magalhães Machado:



Illmo. e Exmo. Sr.,


Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego. Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas. Há poucas horas ouvi ler no Comércio do Porto o nome de V. Exa. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança. Poderá V. Exa. salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procurá-lo. Não posso. Mas poderá V. Exa. dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue? Digne-se V. Exa. perdoar à infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimónia por um homem que não conhece.

Camilo Castelo Branco



A 1 de Junho desse ano, o Dr. Magalhães Machado visita o escritor em Seide. Depois de lhe examinar os olhos condenados, o médico com alguma diplomacia, recomenda-lhe o descanso numas termas e depois, mais tarde, talvez se poderia falar num eventual tratamento. Quando Ana Plácido acompanhava o médico até à porta, eram três horas e um quarto da tarde, sentado na sua cadeira de balanço, desenganado e completamente desalentado, Camilo Castelo Branco disparou um tiro de revólver na têmpora direita. Mesmo assim, sobreviveu em coma agonizante até às cinco da tarde. A 3 de Junho, às seis da tarde, o seu cadáver chegava de comboio ao Porto e no dia seguinte, conforme o seu pedido, foi sepultado perpetuamente no jazigo de um amigo, João António de Freitas Fortuna, no cemitério da Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Fat Freddys Drop - Hope

To the river wide and strong
It won't take long
We can all go together
If we just hold on


Hope,


I want my child to see the beauty of this place
To walk from the mountains, to the sea


domingo, 2 de agosto de 2015

Manuel Queiró (b.1995)





Retrato

2014










Auto-retrato



2015


Retrato
(desenho ao vivo)



2015 ( Paint)  

© todos os direitos reservados






                                                                  2016 (Óleo sobre tela)

© todos os direitos reservados










2016




Roberta Estrela D'Alva - SLAM BLUES

(...)
Paixão é Julieta.
Amor é Fermina Daza.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Por Una Cabeza de Carlos Gardel

 The Melody...

They say this it's not Tango, it lacks the feelings, the emotion and the passion of tango . Well, I'm not from Argentina, I feel this is a magical performance.


Itzhak Perlman(!!!!!) - Violin
John Williams- conductor





The song and the Lirycs,




Por una cabeza

De un noble potrillo

Que justo en la raya

Afloja al llegar

Y que al regresar

Parece decir:

No olvidéis, hermano

Vos sabés, no hay que jugar




Por una cabeza

Metejón de un día

De aquella coqueta

Y risueña mujer

Que al jurar sonriendo

El amor que está mintiendo

Quema en una hoguera

Todo mi querer




Por una cabeza

Todas las locuras

Su boca que besa

Borra la tristeza

Calma la amargura

Por una cabeza

Si ella me olvida

Qué importa perderme

Mil veces la vida

Para qué vivir




Cuantos desengaños

Por una cabeza

Yo juré mil veces

No vuelvo a insistir

Pero si un mirar

Me hiere al pasar

Su boca de fuego

Otra vez quiero besar




Basta de carreras

Se acabó la timba

¡Un final reñido

Ya no vuelvo a ver!

Pero si algún pingo

Llega a ser fija el domingo

Yo me juego entero.

¡Qué le voy a hacer!

 Alfredo Le Pera / Carlos Gardel



...And the movies clips.




sexta-feira, 17 de julho de 2015

A liberdade individual não pode existir senão depois de conquistada...



Diálogos sobre a tirania


A liberdade individual não pode existir senão depois de conquistada a liberdade social, e, principalmente, a económica. De que me serve a liberdade de escrever um romance se, por uma questão de temperamento, só posso escrever concentradamente, e tenho de ir para um escritório todos os dias?

Ora a liberdade económica existe pela existência do capital. É impossível universalmente; e o socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas,.

É esta a razão por que, sem querer mas sabiamente, a Natureza fez o homem construir o privilégio. A aristocracia é a maneira de se poder pensar livremente. Disse-se que a maioria dos escritores tinham sido favorecidos pelas circunstâncias financeiras domésticas. Tomou-se isso por lamentável para os que não foram favorecidos. Mas o contrário é que é o sentimento bom: há que regozijar-nos com os que foram escolhidos, e não que lamentar os que o não foram, a não ser sentimentalmente.

Bem diziam os homens da Idade Média, concebendo a liberdade, não como um direito, mas como um privilégio.


Fernando Pessoa

1918 (?)


Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Fernando Pessoa. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução e organização de Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1980. -