quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sei Lá /a Vida Tem Sempre Razão

Não faças planos para a vida, porque podes estragar os planos que a vida tem para ti. (Agostinho da Silva) 


Letra: Vinícius de Morais
Música: Toquinho

GUICHÊ / 1


Quando o burocrata trabalha é pior do que quando destrabalha.
Antes quero esperar, aquém guichê, que ele discuta toda a bola ou pedal
(que tem para discutir
com os destrabalhadores dos seus colegas;
antes quero esperar pelo meu burocrata
do que ter a desilusão de o ver trabalhar para mim mal eu chegue.
Isso custa-me pés e cotovelos, cãibras e suspiros, repentinos ódios vesgos,
projectos de cartas a directores de vespertinos,
mas se o meu burocrata assomasse à copa do papel selado
e me convidasse, acto contínuo, a dizer ao que vinha pelo higiefone,
da boca não me sairia um pedido, mas um regougo,
e eu teria de ceder a vez
ao cigarro que me queimasse a nuca.
É preciso exercer a paciência e cultivar a doçura no canteiro do rosto,
enquanto o burocrata destrabalha.
Geralmente não serve de nada pigarrear ou dizer com voz-passadeira «Fazmòbséquio».
Levantar-se-iam, além guichê, as sobrancelhas de, pelo menos, três sujeitos.
Melhor será começar pelo globo que pende do tecto
e que é um olho vazado sobrepujando a cena.
Melhor será observar como a mosca dos tinteiros
nele pousa as patinas escriturárias.
Depois (lição de coisas!) baixar os olhos para o calendário mural
e ver quantas cruzes a azul ainda faltam para liquidar o mês.
A seguir, circunnavegar o olhar para ir enquadrar noutra parede
um calendário perpétuo parado um mês atrás.
Também aqui há zelo e desmazelo.
Também aqui falta o tempo e sobra o tempo.
Por certo é o mantenedor do calendário em dia
o que está a vir para estes lados.
Já olhou para mim. Sorrio-lhe. Passou.
Volto ao globo e, geografia cega,
pergunto aos meus botões «Onde será Paris?».
Mas não é o terráqueo. É um abafador
que trago desde a infância e não abafou népia.
Curvo-me, enfio a cabeça pelo guichê e, num assomo,
comando em voz clara e alta: TODOS AOS SEUS LUGARES!
Quebrei o encanto!
Os burocratas que destrabalhavam correm pra mim à uma.
Trémulo de prazer, pergunto a um deles «É o senhor o meu?»

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Havemos de ir a Viana - Sofia Ribeiro & Juan Andrés Ospina

Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.



Letra  Pedro Homem de Melo
Música : Alain Oulman
Versão original: Amália Rodrigues


terça-feira, 19 de setembro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

SongBird Duo- O Meu Amor existe( Jorge Palma)

Luis Figueiredo ( autor do arranjo musical de "Amar Pelos Dois", Eurovisão) - piano
João Hasselberg- bass





Taylor Stone pilates gif


via GIPHY

sábado, 8 de julho de 2017

Pelvic Floor Optimal Posture Review ( Hab it)

  It is important to know that this is not a woman-thing :

Both men and women have a pelvic floor. In women, the pelvic floor is the muscles, ligaments, connective tissues and nerves that support the bladder, uterus, vagina and rectum and help these pelvic organs function. In men, the pelvic floor includes the muscles, tissues and nerves that support the bladder, rectum and other pelvic organs.
Pelvic floor dysfunction occurs in both men and women and includes problems such as: urinary and fecal incontinence, pelvic pain, sexual dysfunction and infertility.


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Max(Maxiamiano de Sousa) imita Instrumentos

 Max, que nunca foi devidamente valorizado, era um artista brilhante e muito completo: compunha , cantava e tinha um  enorme sentido de humor .
 
Anos 70....  Tudo isto é  Jazz . Genial.



(...)
«Quando tinha uma ideia, ele ia a correr para o gravador e punha-se a debitar para lá umas notas e uns acompanhamentos, umas harmonias, porque não sabendo uma nota de música ele era homem de dizer, inclusivé ao grande maestro Jorge Machado, “eu imaginei isto assim: na,na,na tran!”. Ele construía isto tudo na sua cabeça, era uma coisa que estava na genética dele, porque já fazia desde miúdo».
Max tinha as ideias, mas José António Sousa (filho) lamenta que, por vezes, era mal acompanhado. «Ele não tinha dinheiro para pagar um escritor de música para escrever as composições e por isso chamava um maestro qualquer que escrevia o que meu pai dizia, depois aparecia o nome desse maestro junto ao nome do meu pai, quando aquilo era só do Max», revelou o filho do artista.
Por isso, quando Max começou a trabalhar com o maestro Jorge Machado a carreira do artista madeirense deu uma volta de 180 graus. José António Sousa salienta que o seu pai «teve a sorte de trabalhar com um homem digno e tenho que fazer justiça àquele grande maestro que já nos deixou. Ele disse ao Max que nunca na vida iria pagar mais um tostão por debitar uma obra». E o maestro passou para a pauta todas as ideias que Max tinha, a partir de uma determinada altura da sua vida.
(...)Max «não desenhava uma letra, era a mulher com uma quarta classe que lhe passava para o papel os poemas e depois ele assobiava para o guitarrista e alguém que percebia de música passava para a pauta (...)»
(ler mais em https://maximianodesousa.wordpress.com/)

Lou Donaldson - 'Whiskey Drinkin' Woman'


MUSICIANS :
Lou Donaldson, Dr. Lonnie Smith, Lionel Loueke, Kendrick Scott

Brian Eno on why he can't slow down


sábado, 17 de junho de 2017

Salvador Sobral & Júlio Resende - Regret (Alexander Search- FERNANDO PESSOA)

 Tão bonito....


"Numerosos são os exemplos de afinidade entre as obras que os pré-heterónimos possuíram e os textos que foram criando, um dos mais flagrantes sendo o poema «Regret», assinado por Search, proprietário de The Poetical Works of Lord Byron "
(  vale a pena ler mais em:
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/bdigital/index/assinaturas3.htm)


REGRET

I would that I were again a child

  And a child you sweet and pure,
That we might be free and wild
In our consciousness obscure;
That we might play fantastic games
 Under trees silent and shady,
That we might have fairy-book names,
I be a lord, you a lady.

And all were a strong ignorance
And a healthy want of thought,
And many a [prank?], many a dance
Our unresting feet had wrought;
And I would act well a clown's part
To your childish laughter winning,
And I would call you my sweetheart
  And the name would have no meaning.

Or sitting close we each other would move
With tales that now gone are sad;
We would have no sex, would feel no love,
Good without fighting the bad.
And a flower would be our life's delight
And a nutshell boat our treasure:
We would lock it in a cupboard at night
As in memory a pleasure.

We would spend hours and days like a wealth
Of goodness too great to cloy,
We would deep enjoy innocence and health
Knowing not we did enjoy...
Ah, what bitterest is is that-alone
Now one feeling in me I trace -
That knowledge of what from us hath gone
 And of what it left in its place.

Alexander Search ( Fernando Pessoa)


sábado, 10 de junho de 2017

Cameron Shayne - Budokon Yoga® - Japanese Symphony Rehearsal 2013

 This is beautiful every day in every way.

Traumerei by Horowitz Moscow ' 86



*History Stories: deep feelings

"This piece of music was played on the radio at the end of WWII. The studio didn't know what to play...it was over. Millions were dead. The guns were silent. So they played this piece. I'd guess from the date of this performance, and the white hair of that gentleman, that he might have been one of the young soldiers or just kids, who heard that silence, then this piece on the radio. I'm old enough to remember the silence in the US, and we were LUCKY, just 250,000...so I know why he was in tears. (Comment posted 7 years ago by ffurgy. Im just reposting it because no one seems to know where the tears come from...)" - lecheparavaka
 about  ffurgy's words on Youtube                



"A Change is Gonna Come" Brian Owens and Thomas Owens

Soul to soul

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Imogen Heap - Hide and Seek ft. London Contemporary Voices | Mahogany Live

Blood and tears
They were here first
Mm, what'd you say?
Mm, that you only meant well
Well of course you did
Mm, what'd you say?
Mm, that it's all for the best
Of course it is
Mm, what'd you say?
Mm, that it's just what we need
You decided this
Mm, what'd you say?
Mm, what did she say?


Contemporâneos - VIDEOCLIP no Chiado

(- What  are they saiyng?
 -For word wise is enough.) 
Brilhariantes! 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Paulo de Carvalho- Abracadabra

   Finalmente encontro esta canção no Youtube. A letra é brilhante ( tal como a de "Executivo" que está disponível há mais tempo).
   A voz será sempre, para mim, o instrumento musical número um (seguida do piano) .
   Paulo de Carvalho é uma das melhores vozes masculinas que conheço e é, talvez, o mais multifacetado , completo e avançado intérprete português de sempre. Ao vivo é espantoso.  Há anos vi-o num concerto com o Ivan
Lins que me ficará toda a vida na memória. Arrepiou-me.
   Poderia ficar horas a falar deste  cantor, a publicar músicas de todos os géneros interpretadas por ele,  ditas, (que bem ditas) e improvisações várias.
  Já esteve aqui pelo menos uma vez ( este blogue espelha muita trapalhice, o que é perfeitamente natural), há muito tempo que penso assim.
  Depois dos acontecimentos que se seguiram ao Festival da Canção ( sim, o Salvador Sobral é um grande novo caso na música, ao vivo é extraordinário e tem muita graça, tenho o CD há meses, sei-o  quase de cor, tenho trabalhado muitas vezes a ouvi-lo), alguns delirantes, estas afirmações podem parecer uma parvoíce impulsiva tardia , uma daquelas coisas "
quixagero".
  Mas não há quem me tire do encanto.
  Por isso acho que e
ste vídeo é uma preciosidade por todas as razões e mais algumas.


Aqui está tudo bem!
Aqui está tudo tão bem!
O sol é mesmo de ouro,
a lua é toda de prata.
E quando chove
só caem diamantes!


Aqui não há semáforos,
aqui só há chupa-chupas.
E até as bengalas dos velhos
são feitas de chocolate.
Ai, como é bom, tão bom,
vivermos aqui!


Abracadabra!
Abrem-se as portas.
Abrem-se os olhos de espanto.
Não vejo o lado de fora!
Quem me tira do encanto?


Isabel Bahia



Isle of Man by Jonathan Grubb


(Brett Miller -Pilates Intel)

"I am very fortunate to live on a wonderful, scenic and peaceful island called the Isle of Man. However, when Joseph Pilates spent 3½ years on the island from late 1915 to early 1919, he was strictly confined within the largest internment camp built for First World War “enemy aliens” and would not have enjoyed quite the same benefits of island life as I do today.

Knockaloe Internment Camp, where Joseph was held (along with my own great-grandfather) has been “well described by a visitor as being like a glorified chicken run. Not only were the huts suggestive of enlarged hen-houses, but the aimless wandering of the men round and round the compounds, in dust or in mud, according to the weather, brought to mind the scratchings of cooped chickens in their already well-scratched-over soil.” (“St Stephen’s House, Friends’ Emergency Work in England 1914 to 1920” by Anna Braithwaite Thomas and others)

Approximately 23,000 men were held at the camp within an area covering only 22 acres (this is less than 17 football/soccer fields). At the outbreak of the war, Britain was a very different place than it is today and attitudes to German, Austrian, Italian and Turkish (described at that time as “enemy aliens”) were very strong. Joseph arrived by boat on the island in the dark of night when locals were less likely to see the new internees. He was then transported by steam train to the camp, to awake the next morning enclosed within his new barbed wire-surrounded home.

How did Joseph deal with the challenges he faced during that time? Lolita San Miguel (first generation Pilates teacher certified by Joseph Pilates) recounted to me that Joseph did not speak much of his time on the island. However, she remembered that when she did ask him about it, he always said that he was actually very glad for the time he spent on the Isle of Man as it gave him the time and opportunity to work on his method, which he may not have otherwise had.

Joseph displayed an admirably positive attitude in the midst of a very tough situation. His confinement was overshadowed with no knowledge of the future outcome or duration of the war, coupled with severely restricted food and resources. The living conditions were not pleasant and men were dying around him, not only from illness, but as Joseph observed, from lack of hope and stimulation in life. However, Joseph used the time as an opportunity to develop his method towards radically improving the lives of the sick, injured and increasingly hopeless men around him.
 
Knockaloe Camp was divided into four camp areas (camps 1-4) and movement between camps was prohibited unless special permission was granted by the Camp Commandant. Each camp had its own hospital unit. Joseph Pilates was held in camp 4 therefore he may well have worked in the hospital unit of camp 4, but it is also possible (although not proven) that he could have been granted permission to work in other camp hospitals.
​​​​​​​

Image

After looking through the many digital images of unnamed internees at the Isle of Man Museum, I stumbled across a photograph which shows an internee hospital orderly with army and civilian medics either side of him. The internee in the picture bears a remarkably strong resemblance to Joseph Pilates and was taken outside camp 2 hospital. In that day, the norm was to wear a moustache, although Joseph never did. The wave of the man’s hair and his stance is notably similar to pictures of Joseph outside his internment. If the internee in the picture is Joseph, then he clearly worked in the different camps, and was well respected to have been the only internee in the picture.

There is little evidence to substantiate the stories that surround Joseph’s time at Knockaloe. However, there are some significant and key statements reported as being made by Joseph himself. To my knowledge, none of those statements were ever disputed by any of the many men who were interned and lived through those challenging times alongside him.

Within an article by Doris Hering which appeared in Dance Magazine, February 1956 (p.76) entitled “They All Go to Joe’s”, referring to Joseph’s time in the camp: “There he encountered people who were disabled as a result of wartime diseases and incarceration. He began devising machines to help in their rehabilitation.”

In 1962, Robert Wernick interviewed Joseph Pilates for Sports Illustrated magazine where Joseph stated that “the full principles of Contrology were revealed to him during World War I”. The article went on to state “[Joseph] began demonstrating these exercises to the dejected figures around him, and since they had nothing else to do, they began to do the exercises too. Awkwardly and timorously at first, but under his firm supervision they became more and more confident, more and more bouncy, like cats. They ended the war in better shape than when it started.”

The letter to Joseph Pilates which appeared in Return to Life through Contrology included the following excerpts: “To our friend, Mr Pilates, professor and instructor of physical education, always willing”; “the most unselfish during four and a half truly horrible years”; and “relying on his training we ought to feel fit, physically and spiritually, to the end”.

Could he have used springs from beds to develop rehabilitation equipment? Yes, of course he could. I have tested the theory and it works. Whilst no evidence exists that the hospital bed frames had springs which Joseph could have utilised, there is no evidence either to the contrary. Every Victorian/Edwardian era bed I have seen, especially those referred to as a ‘hospital bed’ have had springs attached at one or both ends of the bed frame.

Life at Knockaloe Camp is being fully researched and documented by a charitable trust (
www.knockaloe.im) and their important research is helping to bring the story to life. The charity intends to have a museum and visitor centre opened by April 2018 where there will be a lasting record of what life was like in the camp, detailing the hardships and the life internees endured. Within the visitor centre, it is fitting that there will be a special section about Joseph Pilates in the place where he not only developed the foundations of the Pilates Method, but he was stirred deeply by the needs of men suffering around him. He led men who were waning physically, mentally and emotionally to move and be active; enabling them to survive, recover and make the most of the bodies and minds they had while freedom, food, hope and contact with the outside world remained restricted.

The life-enhancing benefits we experience and share each day, when we practice or teach Pilates, are thanks to an incredible German-born man, who faced some of the most serious hardships during his life - not only in childhood, but also as an adult. It is a story of triumph over adversity and of will, determination and strength of spirit as well as of mind and body which should be remembered as part of our Pilates Heritage.



Image

Jonathan Grubb was born in England in 1962 and has lived on the Isle of Man since he was two years old. His great grandfather Jakob Grub was interned on the Isle of Man until 28 August 1919 in the same camp as Joseph Pilates.
In his younger days Jonathan was a keen amateur sportsman and particularly excelled at football (soccer), representing the Isle of Man in international games on numerous occasions. An anterior cruciate ligament injury sustained towards the end of his playing days led him to discover Pilates and he has been a passionate practitioner ever since. He has traveled to various countries to attend conferences and courses and been fortunate to be mentored by very experienced local teachers.

Having previously been an advanced instructor for several years in the Wu family style of tai chi chuan, Jonathan is currently studying to become a Pilates teacher with MKPilates and his teaching has been enthusiastically welcomed in classes throughout the island already. More on the story of Knockaloe Internment Camp can be found at knockaloe.im

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Manuel Queiró


                                                   2017







 2017


Subsídios para a biografia de Dinis Machado -António Lobo Antunes

O Dinis Machado, que foi toda a vida um miúdo do Bairro Alto, nos modos, nas partilhas, na roupa, que escreveu um livro maravilhoso, 
“O que diz Molero”, e praticamente, depois disso, não escreveu mais nada

– Porque é que não escreves, Dinis?
– Não me apetece
foi abordado uma vez, e eu a assistir, por um homem que lhe pediu cigarros na rua. 
O Dinis tirou o maço da algibeira, abriu a prata, examinou o interior a contar baixinho, somando o que lá estava dentro, e acabou por responder, de cara triste
– Eh pá não posso, só tenho dezoito
afastando-se a puxar-me o braço enquanto o homem se amargurava com pena dele só ter dezoito. A avó do Dinis dirigia uma casa de prostituição onde ele comia em miúdo com as raparigas que lá trabalhavam e das quais falava, é evidente, com o maior respeito. Levei-o para minha casa
(eu nessa época estava sempre a levar gente para casa)
onde ele ainda viveu longos meses, obriguei-o a escrever na mesa em que eu escrevia, alimentado a tabaco e a água das pedras, de vez em quando pedia-me
– Ó Tónecas
(nunca ninguém me tinha chamado Tónecas)
– Vai ao Santini buscar um gelado para a gente que é peitoral
eu lá lhe trazia o medicamento, de morango ou baunilha, que ele tomava numa repugnância de óleo de fígado de bacalhau
– Não é que me apeteça mas a saúde está primeiro
tirava o lenço do bolso, puxava da garganta uma escarreta que provava os efeitos benéficos do tratamento
– Já está a dar resultado, Tónecas
e lá voltava, enfastiado, ao papel, continuando um texto chamado “Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel García Márquez”, Alfredo Marceneiro que nós encontráramos uma noite no seu Bairro Alto, sentado na berma do passeio, perdido de bêbado, e para qual o Dinis avançou a abraçá-lo
– Você é um génio.
O outro olhou-o sem o ver, oculto atrás de uma névoa de tinto, com o Dinis inclinado para ele
– Você é um génio
o Dinis
– Sabia que é um génio, você?
enquanto eu tentava puxá-lo
– Larga o homem que ele nem sequer te ouve
o Dinis insistia, inabalável
– Sabia que é um génio não sabia?
e foi um castigo para o arrancar dali
– Temos de tomar conta do Marceneiro que isto está cheio de cámones
lá o arrastei com ele protector
– E se algum cámone grosso lhe dá uma azevia na pantufa, já viste?
a procurar cámones fardados de marujos pelas redondezas
– Temos de encontrar o meu irmão Zéca que é presidente do Lisboa Clube Rio de Janeiro
uma associação desportiva que se dedicava sobretudo ao boxe, na esperança de achar um peso-pluma que ficasse junto a Alfredo Marceneiro em funções de guarda-costas, o irmão Zéca pequenino, gordo, de bigode, tipo Dupont e Dupond, pertencente a essa categoria de carecas que puxam o cabelo da orelha esquerda até à orelha direita
(agora toda a gente rapa a cabeça)
não estava, tinha ido acompanhar um peso-mosca com futuro a um combate qualquer em Alhos Vedros
(ainda haverá combates em Alhos Vedros, pelo menos foi esse o nome que um porteiro, a escarrar sobre o ombro, nos disse, Alhos Vedros, nunca vi escarrar tão bem neste mundo)
o Dinis insistia que, sem guarda-costas, se achava na obrigação de cumprir, ele mesmo, essas funções, e lá acabei por o trazer para casa, argumentando que não podia deixar o “Discurso a Gabriel García Márquez” a meio, ele
– O Marceneiro é mais importante do que qualquer livro
até o conseguir enfiar em casa diante do papel, prometendo-lhe um suplemento de gelado se ele se portasse bem. Sentou-se a contra-gosto
– Com a preocupação com o Marceneiro como é que queres que me concentre?
a olhar a parede em frente
(quem não gosta de olhar paredes vazias às duas da manhã?)
até a primeira frase lhe aparecer no bestunto, ajudando-o a esquecer o fadista, os cámones, o mano Zéca e o Lisboa Clube Rio de Janeiro. Felizmente havia um resto de Santini no frigorífico, o Dinis de caneta suspensa
– Se calhar estou um bocado grosso não achas?
e eu não achava nada, ocupado com a ideia do peso-mosca, em Alhos Vedros, a preparar um um-dois e um gancho da esquerda fatais que levariam o Bairro Alto aos cumes da fama em todo mundo, isto é à outra margem do rio onde uma aurora penosa, de outono, ia começar daqui a nada.

( revista Visão-25.05.2017) 

Glenn Gould - J.S. BACH, English Suite No1 in A major, Sarabande

"Sarabanda (do francês Sarabande, por sua vez derivada do espanhol zarabanda) é uma dança em compasso ternário (geralmente 3/4 ou 3/2) e andamento lento."

Tim Page - Living the Classical Life: Episode 28

Tim Page is a Pulitzer-winning music critic, the leading authority on the American author Dawn Powell, an omnivorous consumer of music in all forms, a film buff and a professor at the University of Southern California.

He is also an articulate, acutely self-aware struggler with Asperger’s Syndrome, a symbiotic biographer of the late Glenn Gould, and a lovely man who collects friends with the greatest of ease.

sábado, 27 de maio de 2017

A administração do tempo -Dinis Machado

 O excerto de um belíssimo texto  de Dinis Machado  sobre "a questão do tempo (...) aquela que estipula melhor  o que há de esquivo e penoso na efemeridade humana" .

Um relógio velhinho, velhinho, de aspecto curioso e particularmente vigilante. Nunca é  esquecido: muito estimado e tratado a tempo e horas.
Ilude, parece que tem vida ... Dizem que há quem tenha perdido a noção do tempo, por se  ter demorado a admirar o movimento contínuo daqueles olhos ao som dos ponteiros sempre a andar, a andar, sempre ...
 



"Olho o anúncio do relógio Omega. A vida não pára, fonte e foz, passar é a sua vocação - e o relógio fixa, ancorado no tempo, alheio a tudo: nove horas e treze minutos. Ou tem o mecanismo  escangalhado, ou esqueceram-se dele. Não administrado, ausente é a sua filosofia de pequenas rodas dentadas; ferrugenta e gasta, completamente inútil, a memória que não tem."
(Dinis Machado - Gráfico de Vendas com Orquídea
e outras formas de arrumar conhecimentos - 20 textos de 1977 a 1993- Lisboa, 1999, edições Cotovia ) 


video

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Bobby McFerrin Walking on the beat

 "Keep to the beat when you go to work, and when you well work, stay on the beat."
Beautiful!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Leonard Cohen - Sound Of Silence ( Paul Simon, 1964)


Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence


In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence


Fools, said I, you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you
But my words, like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence


And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, the words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls
And whispered in the sounds of silence
Paul Simon

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Gil Hedley, The Heart Dance

The body as an expressive, living, beating, and active being.
Just love it!



*Gil Hedley, Ph.D., founder of Integral Anatomy Productions, LLC, and Somanautics Workshops .

domingo, 14 de maio de 2017

AMAR PELOS DOIS -Salvador Sobral

 
 A simplicidade é a genuína sofisticação.



Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi p’ra te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada p’ra dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois

Luísa Sobral

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dino d' Santiago - Jorge & Andresa - feat Familia Pereira (live)

Dino d' Santiago - Jorge & Andresa
Claudino Pereira, Lígia Pereira, Elísio Pereira - Voz
Batuque - Andresa e Jorge Pereira


HÁ MAIS DE MEIA-HORA


Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo).
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da «Enciclopédia Britânica».
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito!
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

ÁLVARO DE CAMPOS ( 1935)
In Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944

segunda-feira, 1 de maio de 2017

I might just stay away - Salvador Sobral

due to sound of your voice
and all the accidental things that can happen
i might just stay away,
before i find what my heart is after
due to the look in your eyes
and all the accidental things they can see
i might just stay away
before they even look at me

'cause someday
when i grow old
i'll be so glad
that i was strong and didn't
fall for those lips
fall for those eyes,
fall for the love of my life

Luisa Sobral




Composer: Luísa Sobral
Lyricist: Luísa Sobral
Singer : Salvador Sobral

sábado, 22 de abril de 2017

Violin Limelight: Charlie Chaplin and Buster Keaton ( violin and piano)

Magistral




Charlie Chaplin (Sir Charles Spencer, 18891977) and Buster Keaton( Joseph Frank Keaton Jr, Piqua , 1895- 1966) were two of the most prominent actors of the Silent Film Era. Both actors were also directors and made funny and popular films in their time.

Charlie Chaplin was also a composer , played both cello and violin left-handed, and he had both his violin and cello restrung and rebuilt.

Read more:
Difference Between Charlie Chaplin and Buster Keaton | Difference Between http://www.differencebetween.net/miscellaneous/entertainment-miscellaneous/difference-between-charlie-chaplin-and-buster-keaton/#ixzz4evhS3IHY


segunda-feira, 17 de abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Roberta Sá, António Zambujo e Yamandú Costa | "Eu Já Não Sei"

  Esta canção parece  ter como autores Domingos Gonçalves da Costa( letra) e Carlos Rocha( música), mas, também há quem diga que é de Manuel Fernandes... Eu ( já) não sei.
               
  Foi a a minha Mãe quem me deu a conhecer  António Zambujo, há  anos, quando me deu o seu primeiro CD . Apreciadora do fado tradicional e muito crítica em relação às "modernices"  que estragam a canção nacional,  estava no entanto maravilhada com os "trinados deste rapaz".   Ouvi-o durante meses nas viagens de carro e esta é, desse álbum, um dos temas da minha eleição. 
Há, além do canto , muito mais encanto do que o que existia em versões  antigas como a de Alberto Ribeiro ou a de Carlos Ramos, um fadista que conheço quase desde que nasci. Bem sei que os tempos são outros, os meios imensos, a liberdade de interpretação enorme, mas é notável a forma como António Zambujo consegue tornar as canções tão sentidas, tão suas ... Realmente macia e intimista, a marca inconfundível que deixa por onde passa. ( há  quem não goste .. Já sei)    
  Roberta Sá e Yamandú Costa são também dois músicos admiráveis e é também por causa deles que esta versão  é uma preciosidade .
   Um encontro  simples e pouco elaborado  (outras das razões porque gosto de A. Zambujo), que é um exemplo do que em todo o lado se faz e em Portugal,  embora se dêem já alguns passos, é tudo muito avaro, pequenino, talvez de acordo com o tamanho do nosso País... ou não.
  "Há brilhos e brilhos e o teu pode  não ficar bem com o meu, sei lá..."
   Ora... Todos sabemos que fazem um brilharete os artistas  que se juntam , trocam experiências e dão ao mundo o prazer de as ouvir e ver
.  

 

sábado, 8 de abril de 2017

Messias and the Hot Tones - "Happy Loner" LIVE

Arrepia , Messias....

Trem Das Onze

Trem das Onze é uma canção de autoria de Adoniran Barbosa, sendo a sua mais famosa obra. Foi lançada em 1964 e feita em conjunto com Demônios da Garoa. Premiada, foi classificada como uma das melhores canções brasileiras de todos os tempos.


Adoniran Brabosa era genial . As sua canções , letras e vida ,encantam-me.   
"A linguagem da poesia de Adoniran é caracterizada por um vocabulário com muita informalidade, mas não é uma informalidade qualquer, é uma variação linguística sociocultural marcada pelo regionalismo, linguajar popular e pelas gírias. Muitas vezes sem nenhum prestígio social, porém é este modo errôneo, inculto e popular de ser que configurou a maneira de estar... certa e agradar a todos! Foi com essa característica que Adoniran Barbosa manifestou sua arte, quebrando paradigmas e preconceitos linguísticos."
Leia Mais em:
http://obviousmag.org/a_hora_e_a_vez/2015/04/a-genialidade-linguistica-nas-cancoes-de-adoniran-barbosa.html#ixzz4dh5uVJBD

E polémico:
Vinícius de Moraes disse que "São Paulo era o túmulo do Samba". Adoniran  responderia o famoso "Chora na Rampa Negão".
 "Tem paulista no samba!"







 A interpretação de Maria Gadu e Caetano Veloso é linda, apesar de se ter perdido todo o conteúdo irónico original. 

"Será que ele não tinha outro trem mesmo, ou botou  desculpa?"
 

  Há sempre outro trem ,meu bem....


sábado, 1 de abril de 2017

Baby what you want me to do -Baby what you want me to do - Sugar Pie Desanto


Sweet smooth and sexy blues, yes.
 I didn't know her... such an amazing woman.



Bass: Willie Dixon
Guitar: Hubert Sumlin
Drums: Cifton James
Piano: Sunnyland Slim

Dustin Henwood and Ally Yancey Blues Dancing ( Trouble Blues )

(...)




Maria la portuguesa - Silvia Perez Cruz

¡Ay, maría la portuguesa!
Desde ayamonte hasta faro
Se oye este fado por las tabernas.
¿Dónde bebe viño amargo?
¿Por qué canta con tristeza?
¿Por qué esos ojos cerrados?







sábado, 25 de março de 2017

Simply Red - Cuba - If You Don't Know Me by Now

Soul to Soul ...
Amazing rendition, great concert


"If You Don't Know Me by Now" is a song written by Kenny Gamble and Leon Huff and recorded by the Philadelphia soul musical group Harold Melvin & the Blue Notes.

Technology hasn't changed love. Here's why


domingo, 12 de março de 2017

DakhaBrakha - Baby

(...)

O desenho na óptica do Arquitecto SIza Vieira


 As várias Visões de Alvaro Siza Vieira(excerto de entrevista - Ágata Xavier, Revista Sábado, nº 670)

(...)
Usa alguma caneta para desenhar?

Normalmente é uma Bic que é mais prática e tem qualidade. Lembro-me que fiz uns desenhos, há uns anos já, para uma pousada que queria ter uns desenhos meus nos quartos. Muitos deles fiz em esferográfica, outros, em determinada altura achei que se exigia mais qualidade, então fiz com caneta de tinta da Pelikan. Acontece que com o passar dos anos os desenhos de tinta começaram a desaparecer e os feitos a esferográfica estavam impecáveis.


É mais fácil transmitir uma ideia se a desenhar?
Transmitir uma ideia depende da vontade e da disponibilidade do interlocutor, se ele não quiser aceitar aquela ideia, ela não se transmite.

A relação entre o que pensa e o que desenha é fluída?
Sim, com alguns sobressaltos, muitos desvios, mas, sim, faz parte do pensar. Há um célebre artigo do Álvaro Aalto em que refere exactamente que quando bloqueia o pensamento, muitas vezes desenhando sem qualquer relação com o dilema a resolver, surge a ideia para desbloquear o que estava encravado.

O desenho está na base de tudo?
Às vezes ouço pessoas dizerem que não têm jeito nenhum para o desenho. Só não o desenvolveram , porque jeito tem toda a gente. Qualquer criança faz desenhos maravilhosos, mas muitas vão perdendo, porque essa natural apetência não é apoiada.
 (...)



Veja mais em:

http://www.archdaily.com.br/br/01-48388/arte-e-arquitetura-desenhos-ao-jantar-alvaro-siza


Urban Sketchers Portugal: Troca de desenhos com Siza Vieira: Não logo a seguir, mas depois das muitas pessoas terem deixado o Auditório e ainda com jornalistas e arquitectos à volta do Siza Vieira (de ...

SEMÂNTICA ELECTRÓNICA     

          
Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenhador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordens
Coordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores.
E sou ordenado,
Enfim ‑ o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
‑ Mas ‑ diz-me a ordenança ‑
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha.
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens...
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!


Vitorino Nemésio, Limite de Idade (1972)

Stan Getz & Charlie Byrd on the Perry Como Show

Precioso

Tom Jobim's talks about Bossa Nova ( The New Beat)


domingo, 5 de março de 2017

Walk your way to a Stronger Core


 Fazer pensar e ensinar de forma fácil e divertida. Assim são os vídeos em que Eric Franklin explica o seu método.

A prancha bem executada, com as suas múltiplas variações, é indubitavelmente um exercício que desenvolve um vigoroso centro de força (core). Funciona.
Contudo, se pensarmos na história da evolução humana e recuarmos no tempo, só recorrendo ao humor poderemos imaginar que se faziam exercícios físicos como a prancha numa caverna ou outro abrigo pré-histórico. Provavelmente este tipo de exercícios, a que recorremos modernamente, não existia. Faziam-se movimentos diários naturais e de sobrevivência, tais como andar, correr, talvez trepar, escalar que eram suficientes para exercitar o centro de força (core), caso contrário os músculos teriam deixado de existir.

sábado, 4 de março de 2017

Ternura de-K-Ximbinho( Sebastião Barros- 1917 —1980)

Nem só de samba vive a musica brasileira.

O choro, popularmente chamado chorinho, é um género de música popular e instrumental brasileira que surgiu no Rio de Janeiro em meados do século XIX.

O choro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira e, ao longo dos anos, transformou-se num dos géneros mais prestigiados da música popular do Brasil. Tem como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão e os géneros musicais europeus da época
A composição instrumental dos primeiros grupos de choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho - a esse núcleo inicial do choro também se chamava pau e corda, por serem de ébano as flautas usadas -, mas com o desenvolvimento do género, outros instrumentos de corda e sopro foram incorporados.

O choro é visto como o recurso que o músico popular utilizou para executar ao seu estilo, acrescentando-lhe emoção e sentimento (de forma “chorosa”), a música europeia, importada e consumida nos salões e bailes da alta sociedade do Império a partir da metade do século XIX.

(ler mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Choro)


 Depois de várias voltas cheguei à conclusão de que,
no que diz respeito às versões que existem deste tema, tenho dois amores. Não sei de qual gosto mais. Acontece.  

A) versão, ao vivo, dos Ó do Borogodó




B) versão, em estúdio, de Paulo Moura ( Clarinete)
   Zé da Velha (trombone),
   Raphael Rabello (violão de 7)
   César Faria (violão)




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Farrah Fawcett and Cher - The Sonny & Cher Comedy Hour( 1971-1977)


Farra and Cher: everybody in my generation knows them ( and Sonny Bono,of course).

Two beautiful women , amazing in their movements.
Just love it: sooo creative and funny.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Fausto - "Quando eu morrer" ( Alexandre Daskalos)


Quando eu morrer
não me dêem rosas
mas ventos.

Quero as ânsias do mar
quero beber a espuma branca
duma onda a quebrar
e vogar.

Ah, a rosa dos ventos
a correrem na ponta dos meus dedos
 a correrem, a correrem sem parar.
Onda sobre onda infinita como o mar
como o mar inquieto
num jeito
de nunca mais parar.

Por isso eu quero o mar.
Morrer, ficar quieto,
não.
Oh, sentir sempre no peito
o tumulto do mundo
da vida e de mim.


E eu e o mundo.
E a vida. Oh mar,
o meu coração
fica para ti.
Para ter a ilusão
de nunca mais parar.


Alexandre Daskalos (poeta angolano-1942-1962)


Este jeito de escrever...

Torcem-se, esticam-se, arregalam os olhos, entreolham-se, riem, cochicham, não se contêm, nas barbas do orador. O Pároco prossegue, inflama-se aqui e ali, ruboriza, retoma o tom, retorna à cor, e informa os fiéis da própria paz de espírito. Observante, cintila olho no burro, olho no cigano, socorre-se 'das bagatelas' da Senhora Marquesa de Alorna, impõe uma pausa suficiente, e sorri para chamar 'papa-hóstias' a certos católicos. No discurso que arrancou entremeado de arcaicos vazios, sobre a rica e profusa talha barroca de Manel João da Fonseca, revelou-se um homem - nem tudo o que parece é, nem tudo o que brilha é ouro. Bravo, Reverendo!
Gui Abreu de Lima

sábado, 11 de fevereiro de 2017

MPB 4 - A Lua

A lua
Quando ela roda é nova
Crescente ou meia-lua

É cheia
E quando ela roda minguante e meia
Depois é lua novamente
Quando ela roda é nova
Crescente ou meia-lua

É cheia
E quando ela roda minguante e meia
Depois é lua nova
Mente quem diz que é lua velha
Mente quem diz
Que a lua é velha



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

In the Mood for Love

The moovie:

( and, in this trailer, a song by Brian Ferry "I'm in the mood for love)
 
 This dark romance about infidelity is the best movie of the 21st century"


https://qz.com/766051/this-dark-romance-about-infidelity-is-the-best-movie-of-the-21st-century-female-critics-say/
In the Mood for Love is also a masterpiece in terms of its shots and the meaning behind them. As the US-based film critic Evan Puschak (aka The Nerdwriter) analyzed
in a video, for the 12 minutes of the film, every single shot is a “frame within a frame,” which means every shot features characters not only framed by the film screen itself but also internal shapes like door frames or window grids.

The frames reflect that in a conservative society, the couple’s love and desire are twisted and under surveillance, and can only end up in vain, Puschak notes.







The song,

In the Mood for Love - Shigeru Umebayashi (
Japanese composer

 Ink Painting: Gao Xingjian
        



The roads gleam towards you
The oceans beckon towards you
A beauty beyond the lapping waves..."





La Malagueña - Gaby Moreno - 10/29/2016


 Buena Guatemala

sábado, 4 de fevereiro de 2017

"For whom the bell tolls"-John Donne( 1572-1631)

No man is an island, entire of itself; every man is a piece of the continent, a part of the main. If a clod be washed away by the sea, Europe is the less, as well as if a promontory were, as well as if a manor of thy friend’s or of thine own were: any man’s death diminishes me, because I am involved in mankind, and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee.”

–John Donne, Devotions Upon Emergent Occasions.

"Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."

Eric Clapton - I'll Be Seeing You

Yes

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ivry Gitlis - Summmertime

 It gives me chills...

*Piano - ....?

Japanese traditional Noh (From nō, meaning “talent” or “skill ) theater percussion, one of the oldest extant theatrical forms in the world- Shonosuke Okura


 More About Gitlis :
https://www.revolvy.com/main/index.php?s=Ivry%20Gitlis&item_type=topic

https://www.facebook.com/pages/Ivry-Gitlis/104084092961960?fref=ts

Miguel Milà - A master of Spanish industrial design

His family left their mark on the Barcelona skyline (his uncle commissioned Antoni Gaudí to design the Casa Milà, aka La Pedrera, now a UNESCO World Heritage site and one of the city's biggest tourist attractions), but Miguel Milà chose to leave his imprint on a more modern field of design, dropping out of architecture school in the 1950s to pioneer the field of Spanish industrial design.

Post-war Spain of the fifties was a place of scarcity and for Milà this became an opportunity. He began to create the interior designs- furniture and lamps- that his architect brother couldn't find on the market. Working by hand, Milà created his prototypes himself in his home workshop. "I love to do handwork and DIY and this has helped me, always".

Gradually, he made a name for himself and his products have become classics; his TMC and TMM lamps are still on the market after more than half a century, but he hasn't stopped tinkering and making things by hand, when possible. For Milà, craftwork is about making useful objects and he's spent his career perfecting lamps, chairs, benches and faucets (he recently released an eco-faucet designed to make it intuitively easy to conserve hot water).

With his son, industrial designer Gonzalo, Miguel has created such practical designs as modular exterior lighting and a garbage can- plus accompanying ashtray- for Barcelona's streets. Their collaborative process, like their solo endeavors, is one developing an idea by removing the superfluous. The results are minimalist designs, but Milà shies away from the term. "Minimalism as a style seems silly to me because, the less it has the better? And if it falls then what?"

A rational minimalist, perhaps, now at age 81, Milà is officially retired, but his work still sells, notably for design powerhouse Santa & Cole. He credits his success to having been born at a time "when rigor and honesty were high values". Despite the retirement, he hasn't stopped working with his hands.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Dancing " Movin´and Groovin"(Sam Cooke)

Who is dancing here?
It is not the first time I see these dancers, but I can't find their names ...  Just love the way they move


Kool & The Gang - Take My Heart

 Just groovin....

Les Luthiers, Concierto de Mpkstroff, El Grosso Concerto

Excepcionais!

El Grosso Concerto 2001, Concierto de Mpkstroff
Les Luthiers es un grupo argentino de humor que utiliza la música como un elemento fundamental de sus actuaciones, con instrumentos informales creados a partir de materiales de la vida cotidiana. De esta característica proviene su nombre: luthier, que en francés significa "creador de instrumentos musicales".
Integrantes:
Gerardo Masana fue su fundador, luthier, cuerdas, vientos, voz. (Falleció en 1973)
Marcos Mundstock: presentación, vientos, voz
Jorge Maronna: cuerdas, voz
Carlos López Puccio: cuerdas, voz
Carlos Núñez Cortés: teclados, vientos, voz
Daniel Rabinovich: vientos, latín, alt-pipe, bass-pipe, percusiones, voz

sábado, 28 de janeiro de 2017

Este Seu Olhar (Sofia Ribeiro & Andres Rotmistrovsky)

Pedacinho Do Céu ( versão intrumental) - Yamandu Costa & Dominguinhos

Elis Regina - Folhas Secas

Quando o tempo avisar
Que eu não posso mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade


Paulinho Moska e Céu

Meu amor não se atrase na volta não
 Meu amor não, não, não 
Meu amor não se atrase na volta não 
Meu amor, meu amor, meu amor, quem mandou? 

Mandei uma mensagem a jato às entidades do tempo 
Já me foi verificado que nem mesmo haverá segundos
 Que os minutos foram reavaliados e que pra cada suspiro serão 10 contados

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

AUTO-RETRATO COM VERSOS DE CAMÕES

Foi-me tão cedo a luz do dia escura
enquanto me enganava a esperança
que naquilo em que pus tamanho amor
errei todo o discurso de meus anos.

PEDRO MEXIA


Sonetos* de Luís de Camões de terão sido retirados os versos deste poema:

1)

No mundo poucos annos e cansados
Vivi, cheios de vil miseria e dura:
Foi-me tão cedo a luz do dia escura,
Que não vi cinco lustros acabados.


Corri terras e mares apartados,
Buscando á vida algum remedio ou cura:
Mas aquillo que, em fim, não dá ventura
Não o dão os trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e chara
Patria minha Alemquer; mas ar corruto,
Que neste meu terreno vaso tinha,

Me fez manjar de peixes em ti, bruto
Mar, que bates a Abássia fera e avara,
Tão longe da ditosa patria minha.

2)
Foi já um tempo doce cousa amar,enquanto me enganava a esperança;o coração, com esta confiança,
todo se desfazia em desejar.
Ó vão, caduco e débil esperar!
Como se desengana üa mudança!
Que, quanto é mor a bem-aventurança,
tanto menos se crê que há-de durar.

Quem já se viu contente e prosperado,
vendo-se em breve tempo em pena tanta,
razão tem de viver bem magoado.

Porém quem tem o mundo exprimentado,
não o magoa a pena nem o espanta,
que mal se estranhará o costumado.

3)
Que poderei do mundo já querer,
que naquilo em que pus tamanho amor,
não vi senão desgosto e desamor,
e morte, enfim; que mais não pode ser!

Pois vida me não farta de viver,
pois já sei que não mata grande dor,
se cousa há que mágoa dê maior,
eu a verei, que tudo posso ver.

A morte, a meu pesar, me assegurou
de quanto mal me vinha; já perdi
o que perder o medo me ensinou.

Na vida desamor sòmente vi,
Na morte a grande dor que me ficou:
Parece que para isto só nasci!


4)
Erros Meus, Má Fortuna ,  Amor ardenteEm minha perdição se conjuraram; 
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís Vaz de Camões 
*( 4-4+3-3» 14)