quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

ENTRADA

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada mas vou copiar de mim alguns desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os impossíveis verossímeis de nosso mestre Aristóteles. Dou quatro exemplos:1) É nos loucos que grassam luarais; 2) Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Masse o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

Manoel de Barros ( Brasil, 1916/ 2014), Poesia Completa

sábado, 9 de dezembro de 2017

Alfredo Marceneiro fala sobre o Fado

" - O que queres que eu diga?
   -Aquilo que o tio Alfredo sabe…
   -  Dediquei-me  a cantar o Fado. Tive, foi,o  condão que  Deus   me  deu de estilar...  tenho mais nada."

" a Amália, que tem a garganta mais linda..."
( tão  bonito e cheio de graça, embora não  o seja a situação  política a que se refere)



  Alfredo Marceneiro  conversa  com  Teresa Silva  Carvalho, José Pracana, João Ferreira Rosa e João Braga, seus "discípulos" e admiradores.
 Memorável lição sobre o Fado, dada por um notável estilista ( era assim que se auto-intitulava).


sábado, 2 de dezembro de 2017

Rui Oliveira e Ela Vaz-Sino da Minha Aldeia (Fernando Pessoa)

As publicações deste blogue acontecem, muitas vezes, por acaso. Há por aqui encontros inesperados.
Com direito (além da vozes e do arranjo musical) a um belíssimo assobio, este é um  feliz acaso.
Encantada.




Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa

"LA SOIF DU MONDE" - Yann ARTHUS-BERTRAND

*À l'ordre du jour*


"Serons-nous capables d'imaginer une nouvelle culture de l'eau ?"
— Yann Arthus-Bertrand

Le film documentaire :



Après HOME et la série Vu du Ciel, le film documentaire de 90 minutes LA SOIF DU MONDE de Yann Arthus-Bertrand, réalisé par Thierry Piantanida et Baptiste Rouget-Luchaire propose un nouveau voyage autour de la terre.

Cette fois-ci le célèbre photographe s'intéresse à l'un des enjeux majeurs pour la survie des populations : l'EAU. Aujourd'hui, dans un contexte de forte croissance de la demande, d'augmentation de la population mondiale et d'aggravation des effets des dérèglements climatiques, l'eau est devenue l'une des plus précieuses richesses naturelles de notre planète Fidèle à la réputation de Yann Arthus-Bertrand, LA SOIF DU MONDE, tourné dans une vingtaine de pays, révèle le monde mystérieux et fascinant de l'eau douce grâce à de spectaculaires images aériennes tournées dans des régions difficiles d'accès et rarement filmées, tel que le Soudan du Sud ou le nord du Congo ; découvertes aussi des plus beaux paysages de notre planète, lacs, fleuves, marais, dessinés par l'eau.

LA SOIF DU MONDE fait donc le pari de confronter la fameuse vision aérienne du monde de Yann Arthus-Bertrand avec la dure réalité quotidienne de tous ceux qui sont privés d'eau, en meurent parfois et se battent sur le terrain pour se procurer l'eau, l'épurer ou l'apporter à ceux qui en manquent.

Le film est tissé de rencontres. Un berger du nord Kenya nous dit dans les yeux qu'il a tué pour de l'eau et qu'il le fera encore. Des femmes dansent lorsque l'eau arrive enfin dans leur village. Une ambassadrice des Nations Unies atypique explique son combat pour que les gouvernements s'engagent eux aussi pour permettre l'accès à l'eau et aux techniques les plus modernes d'épuration, garantes de la survie et de la santé des populations les plus pauvres.

Des reportages réalisés en Europe, en Afrique, en Asie, en Amérique, donnent la parole à ceux qui s'engagent et innovent, afin d'apporter l'eau où elle manque, l'utiliser plus intelligemment, l'épurer ou mieux encore cesser de la polluer.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Meditation ( Thais) de Jules Massenet- Petar Njegovan

O homem era duro de ouvido. Costumava dizer, com o seu inconfundível sentido de humor , que tocava muito bem campainha.
O rapazinho gostava de música, tocava violino desde muito pequeno. O homem chamava lhe Periquito.
Um dia perguntou-lhe se sabia tocar o Hino Nacional. O rapaz tocou. A partir daí, invariavelmente:
-Periquito, toca o hino Nacional.
Fazia-se silêncio e ouviam-se os sons de ”A Portuguesa”.
Todos os presentes, quase sempre os mesmos, adivinhavam já e respeitavam aquele momento.
A cena tinha graça. Mesmo que não tivesse, o homem e o rapaz não queriam saber. Era uma coisa deles, um ritual, uma forma de reconhecimento mútuo.
Durante anos foi assim. ”Periquito, toca o Hino nacional” acompanhou o crescimento do rapaz e o envelhecimento do homem. A vida de ambos.
Naquele dia solene o homem jazia sob uma antiga e delicada colcha de seda da Índia, que tinha sido usada em muitas cerimónias alegres da sua vida.
Um violino desconsolado chorava "Méditation"( Thaïs) de Jules Massenet . Periquito tocava com o que lhe ia na Alma.
LCB


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Zé Pedro & Creedence Clearwater Revival

"Antes do 25 de Abril, já estava muito interessado em música. A primeira banda a que liguei foi aos Creedence Clearwater Revival, com o álbum Cosmo's Factory, que adorei. É com eles que acabo por descobrir o rock. Na altura, comprávamos os discos pelas listas inglesas e quando eles chegavam fechávamo-nos na cave de um amigo que tinha uma super aparelhagem, com giradiscos e amplificadores, para ouvi-los em grupo. Eu comprava as revistas, a [francesa] Rock & Folk e a Pop, que era alemã, por causa dos posters, e lembro-me de ver uma foto do David Bowie, na fase do Ziggy Stardust. O gajo de minissaia e botas. Comecei a tentar imitar essas figuras, porque me fascinavam muito. Certa vez, passei um aniversário no Algarve vestido nesse imaginário, mas a minha mãe achou graça e deixou-me estar no meio dos outros miúdos, de botas altas e minissaiazita. (risos) Apoiou-me sempre muito nessa parte de artista rebelde que sentia que eu tinha. Quando vim do interrail, fascinado pelos punks, muitas vezes era ela que me pintava a cara de branco também tinha aparecido a Laranja Mecânica e havia esse fascínio. E tinha o alfinete na boca. Ela nunca se opôs e, quando os Xutos aparecem, chegou a ver um ou outro concerto, com tudo à pantufada. O meu pai é que dizia: «és músico, mas o que é que queres fazer na vida?»"

Zé Pedro (  Amaro dos Santos Reis), fundador dos
Xutos&pontapés , ao  Jornal Blitz  em 2016

sábado, 25 de novembro de 2017

Lunacidal Tendencies | The Waiting Room

Watching this video ... I’m sitting in the waiting room, hoping my turn will comme soon


They say:
"Try to place us .We dare you.."
Not me , so many people ...
Take a look:

Roy Aji, Geva Alon, Shlomi Alon, Gadi Altman, Matan Ashkenazi, Jamie Candiloro, Eyal Dayan, Elran Dekel, Dani Dorchin, Alon Freeman, Aliz...a Hava, Eran Jago, Karolina, Saar Kedem, Hadas Kleinman, Ronen Kohavi, Kuti, Yossi Lugasy, Ben Ma, Noga Majar, Shacham Ochana, Armond Pain, Tomer Petrover, Shy Pridor, Uzi Ramirez, Solange Raulston, Sivan Rodnitsky, Mika Sade, Amit Sagie, Yair Slutzki, Bryan Steiner, Yamit Satat Steiner, Shaanan Streett, Issar Tennenbaum, Sefi Tsizling

Charles Aznavour - Tu t'laisses aller

*Aznavour nº1*


C'est drôle c' que t'es drôle à r'garder
T'es là, t'attends, tu fais la tête
Et moi j'ai envie d' rigoler
C'est l'alcool qui monte en ma tête
Tout l'alcool que j'ai pris ce soir
Afin d'y puiser le courage
De t'avouer que j'en ai marre
De toi et de tes commérages
De ton corps qui me laisse sage
Et qui m'enlève tout espoir

J'en ai assez faut bien qu' j' te l' dise
Tu m'exaspères, tu m' tyrannises
Je subis ton sale caractère
Sans oser dire que t'exagères
Oui t'exagères, tu l' sais maintenant
Parfois je voudrais t'étrangler
Dieu que t'as changé en cinq ans
Tu t' laisses aller, tu t' laisses aller

Ah ! Tu es belle à regarder
Tes bas tombant sur tes chaussures
Et ton vieux peignoir mal fermé
Et tes bigoudis quelle allure
Je me demande chaque jour
Comment as-tu fait pour me plaire ?
Comment ai-je pu te faire la cour
Et t'aliéner ma vie entière ?
Comme ça tu ressembles à ta mère
Qu'a rien pour inspirer l'amour

Devant mes amis quelle catastrophe
Tu m' contredis, tu m'apostrophes
Avec ton venin et ta hargne
Tu ferais battre des montagnes
Ah ! J'ai décroché le gros lot
Le jour où je t'ai rencontrée
Si tu t' taisais, ce s'rait trop beau
Tu t' laisses aller, Tu t' laisses aller

Tu es une brute et un tyran
Tu n'as pas de cœur et pas d'âme
Pourtant je pense bien souvent
Que malgré tout tu es ma femme
Si tu voulais faire un effort
Tout pourrait reprendre sa place
Pour maigrir, fais un peu de sport
Arrange-toi devant ta glace
Accroche un sourire à ta face
Maquille ton cœur et ton corps


Au lieu d' penser que j' te déteste
Et de me fuir comme la peste
Essaie de te montrer gentille
Redeviens la petite fille
Qui m'a donné tant de bonheur
Et parfois comme par le passé
J'aimerais que tout contre mon cœur
Tu t' laisses aller, tu t' laisses aller


Charles Aznavour (1960)


The benefits of good posture - Murat Dalkilinç

Trying to finding a long, healthy and happy spine

*slowly fixes the posture while watching the vídeo* ( Yes!)



"slowly goes back to slouching when video ends"(   well , you sat up straight almost five minutes ; it is a start!)



Perico Sambeat- "Baladas"

Música d'embalar....

Perico Sambeat em quarteto com Javier Colina, Bernardo Sassetti e Borja Barrueta.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?

MOTE

— Onde nasceu a ciência
— Onde nasceu o juízo
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso

GLOSAS

Onde nasceu o autor
Com forças p'ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor
Onde nasceu tal valor
Seria uma força imensa
E há muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo
Mas antes de tudo isto
Onde nasceu a ciência

De onde nasceu o saber
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
Até o mundo ter fim
Não há quem me diga a mim
Onde nasceu o juízo

Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo
Mas esses não sabem tudo
Também vivem enganados
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem

Ao primeiro homem sabido
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso
— Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso

António Aleixo in "Este Livro que Vos Deixo" ( 1969)

"Considerado um dos poetas populares portugueses de maior relevo, afirmando-se pela sua ironia
e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado como homem simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX."
( ler mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/António_Aleixo)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Classic Sesame Street film- a boy goes to the dance studio

Awesome!

Amália Rodrigues no Café Luso - Fado Mayer

“Amália no Café Luso” é a mais antiga gravação ao vivo conhecido de Amália: um espectáculo completo gravado em dezembro de 1955 quando era “residente” do Café Luso, na época um dos mais prestigiados locais de fado de Lisboa. Na altura, os puristas do fado ficaram chocados com a “audácia” de gravar um disco de fado ao vivo. No entanto, este disco é, por muitos, considerado um dos melhores álbuns de sempre da música popular portuguesa, exactamente porque nele se conjugam a Amália-fadista, o lugar de culto do fado e, ainda, numa cuidada apresentação gráfica, imagens significativas de uma certa Lisboa: da ditadura salazarista; de um tipo de boémia em que se contactavam, sem se misturar fora da alcova, povo e aristocracia, senhores e prostitutas, nobres de nascimento e cantoras de cabaré. “Amália no Café Luso” é quase um álbum conceptual antes de tempo. Amália Rodrigues nesta gravação é acompanhada por Domingos Camarinha e Santos Moreira"



Uma gravação que faz parte da história do Fado.  
Cresci a ouvir este álbum, que já cá esteve uma vez com outro tema .  
 É fascinante ouvir a apresentação de Filipe Pinto, a quase recusa de Amália em gravar "não, isto ( o microfone) faz-me impressão", o barulho na sala e o silencio  logo que se ouvem as primeiras notas do Fado Mayer (com  música de Armandinho)
 

* esta publicação está relacionada com a de 9 /11/2017*




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Elis Regina , Tom Jobim - Águas de Março

Excerto extraído do documento 'Programa Ensaio'('MPB Especial'), produzido pela TV Cultura com direção de Fernando Faro (1973).

Elis Regina( Pimentinha)
Tom Jobim( Maestro Soberano)




.....pedra.....caminho
.....toco.....sozinho


Águas de Março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto, o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

Tom Jobim

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Cynthia Erivo - Johnny & Donna" and "Natural Woman

 (...)


"I love to sing," says Cynthia Erivo, "because it's the fast-track route to the heart." Listen as Erivo meditates on the superpower of music to connect us to one another in between gorgeous, soulful performances of Mali Music's "Johnny & Donna" and Aretha Franklin's "Natural Woman," accompanied by Jason Webb on piano.

David Epstein - Are athletes really getting faster, better, stronger?


sábado, 4 de novembro de 2017

Flamenco Sketches- Kind Of Blue ( Miles Davis , 1959)

"Flamenco Sketches" is a jazz composition written by American jazz trumpeter Miles Davis and pianist Bill Evans.
It is the fifth track on Davis's 1959 album Kind of Blue, the best-selling jazz record of all time, and an innovative experiment in modal jazz. drums.
The track features Miles Davis, John Coltrane, Cannonball Adderley, Paul Chambers, Jimmy Cobb and Bill Evans




Miles Davis - trumpet and arrangement

Bill Evans - piano

John Coltrane - tenor sax

Cannonball Adderley - alto sax

Paul Chambers - bass

Jimmy Cobb - drums.


Miguel Poveda- "Triana, puente y aparte"

     

"Esto lo tiene todo, alegria, magia, salero, misterio, desbordamiento.... "



(Vendo estas e outras as imagens , assistindo ao vivo , lendo textos como este , reparando na polémica que tantas vezes  ambos suscitam ,   pode pensar-se  que  o Flamenco-Baile- Espanha e  o  Cantar ao Desafio do Alto Minho-Portugal , são formas de expressão cultural e regional  da Península  Ibérica com muitos pontos comuns.) 


"Os primeiros registros da presença cigana na Espanha são do século XV. Os documentos falam de um povo colorido e alegre que havia chegado do oriente. Contrastavam com os espanhóis vestidos em negro, em uma época em que os corantes eram artigo de luxo e foram o principal produto de uma grande colônia dos reinos ibéricos: o Brasil.

Por volta de 1740, os ciganos chegaram em Sevilha, cidade separada pelo rio Guadalquivir. Foram assentados fora dos muros da cidade, depois de sua margem direita, no bairro chamado Triana. Apesar da separação física, tornou-se uma população integrada aos não-ciganos. Trabalhavam como ferreiros, açougueiros e exerciam tantos outros trabalhos importantes para a cidade.


Era um povo pobre, mas pacífico e muito unido. Em suas casas, cortiços e assentamentos de clãs diversos o que prevalecia era a generosidade.
Era também um povo muito alegre. Ali nasceram muitos dos principais bailaores flamencos de Sevilha, que formaram um bailado dentro de sua própria casa e nos pátios, com amigos e vizinhos. Ali, o flamenco era circular, e não de palco. Com participantes, e não expectadores. Era um bailado de força, graça, comicidade e provocação sexual. Em Triana, o flamenco era celebração e festa com improviso, longe das questões comerciais que marcam os belíssimos shows que vemos hoje em dia, cheios de ensaios, cenários e figurinos.
 ( ver mais em https://caravanadovento.wordpress.com/2014/11/09/triana-que-um-dia-foi-um-bairro-cigano)

Roxana Küwen


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Everybody's Talkin

"Everybody's Talkin'" is a song written and recorded by singer-songwriter Fred Neil in 1966. A version of the song performed by Harry Nilson became a hit in 1969.
The song appeared in notable moovies like Midnight Cowboy in 1969 and  Forrest Gump, 1994 .






  Great songs are always covered by several artists .
I love those versions , mabe more than original, each one in a different way and in a different mood.




Everybody's talking at me
I don't hear a word they're saying
Only the echoes of my mind

AFONSO DOS REIS CABRAL- O MEU IRMÃO( excerto)



   “ De cima do monte, o Tojal tem o tamanho de uma mão. É um daqueles lugares que Portugal deixou morrer, mas agora, com o descalabro – e de certa forma foi para nos afastarmos dele- que fugimos durante alguns dias -, talvez as pessoas voltem às tocas para lamber as feridas. O descontentamento sobe pelas paredes, rebenta com o betão, mas não sai do sítio. Implodimos mais do que explodimos e tudo fica na mesma, a não ser, claro, as nossas circunferências, que são desfeitas. Vivemos como sacos de carne podre muito bem fechados e contidos mas a morrer por dentro. As manifestações não são mais do que uma ruptura nessa morte, como os afogados que ainda tentam respirar antes de a água os engolir.
  (…)
   Quando isto acabar, quando a crise tiver outro nome, sobreviveremos cada um para o seu canto, cada um mais estropiado do que o outro. Depois aos poucos, voltará tudo ao normal um certo belo dia em Lisboa, daqueles que Lisboa tem, como já ninguém se lembra do descalabro e até está uma brisa agradável, alguém arranjará como nos lixar outra vez.
   Mas, enfim, que sei eu? Não passam de considerações à vista de uma aldeia abandonada.”


  * lendo apenas esta passagem não se imagina qual é o tema do  livro - a relação entre dois irmãos , um deles com o síndrome de       Down -, nem a singularidade notável com que é  tratado.
    Também do ponto de vista literário este romance é especial. A forma invulgar como o autor ( nascido em 1990) intercala no texto os pensamentos do narrador, que fala com os seus próprios botões (a tal nuvem, em cima da cabeça do personagem, da banda desenhada), o uso inspiradíssimo de imagens, metáforas e comparações, dão a esta obra a expressividade e  "tonalidade lírica" que a tornaram merecedora do prémio Leyca 2014.
Gostei muito de o ler.

( e pronto, fiz  uma redacção .
Era assim que se chamava há, muitos e durante, anos - sem atrás , mas a fio -  a composição nos exercícios escritos da disciplina de  língua  portuguesa. Talvez erradamente, talvez não... Diferente , com certeza.)
 

sábado, 28 de outubro de 2017

Affection - Cigarettes After Sex




Sometimes we talk
All night long, we don't shut up
And when it's late
We'll say we're still wide awake so
We love to talk
About how you'll come up to visit me
And we'll rent a car
And we'll drive upstate

Mayra Andrade & Trio Mocotó - Berimbau


O berimbau(português de Angola) ou hungo(português  de Angola) é um instrumento de corda de origem angolana, também conhecido como berimbau de peito em Portugal ou como hungu em Angola e em grande parte do continente africano.
Este instrumento foi levado pelos escravos angolanos para o Brasil, onde é utilizado para acompanhar uma dança/luta acrobática chamada capoeira.


(Saiba mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Berimbau)


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sei Lá /a Vida Tem Sempre Razão

Não faças planos para a vida, porque podes estragar os planos que a vida tem para ti. (Agostinho da Silva) 


Letra: Vinícius de Morais
Música: Toquinho

GUICHÊ / 1


Quando o burocrata trabalha é pior do que quando destrabalha.
Antes quero esperar, aquém guichê, que ele discuta toda a bola ou pedal
(que tem para discutir
com os destrabalhadores dos seus colegas;
antes quero esperar pelo meu burocrata
do que ter a desilusão de o ver trabalhar para mim mal eu chegue.
Isso custa-me pés e cotovelos, cãibras e suspiros, repentinos ódios vesgos,
projectos de cartas a directores de vespertinos,
mas se o meu burocrata assomasse à copa do papel selado
e me convidasse, acto contínuo, a dizer ao que vinha pelo higiefone,
da boca não me sairia um pedido, mas um regougo,
e eu teria de ceder a vez
ao cigarro que me queimasse a nuca.
É preciso exercer a paciência e cultivar a doçura no canteiro do rosto,
enquanto o burocrata destrabalha.
Geralmente não serve de nada pigarrear ou dizer com voz-passadeira «Fazmòbséquio».
Levantar-se-iam, além guichê, as sobrancelhas de, pelo menos, três sujeitos.
Melhor será começar pelo globo que pende do tecto
e que é um olho vazado sobrepujando a cena.
Melhor será observar como a mosca dos tinteiros
nele pousa as patinas escriturárias.
Depois (lição de coisas!) baixar os olhos para o calendário mural
e ver quantas cruzes a azul ainda faltam para liquidar o mês.
A seguir, circunnavegar o olhar para ir enquadrar noutra parede
um calendário perpétuo parado um mês atrás.
Também aqui há zelo e desmazelo.
Também aqui falta o tempo e sobra o tempo.
Por certo é o mantenedor do calendário em dia
o que está a vir para estes lados.
Já olhou para mim. Sorrio-lhe. Passou.
Volto ao globo e, geografia cega,
pergunto aos meus botões «Onde será Paris?».
Mas não é o terráqueo. É um abafador
que trago desde a infância e não abafou népia.
Curvo-me, enfio a cabeça pelo guichê e, num assomo,
comando em voz clara e alta: TODOS AOS SEUS LUGARES!
Quebrei o encanto!
Os burocratas que destrabalhavam correm pra mim à uma.
Trémulo de prazer, pergunto a um deles «É o senhor o meu?»

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Havemos de ir a Viana - Sofia Ribeiro & Juan Andrés Ospina

Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.



Letra  Pedro Homem de Melo
Música : Alain Oulman
Versão original: Amália Rodrigues


terça-feira, 19 de setembro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

SongBird Duo- O Meu Amor existe( Jorge Palma)

Luis Figueiredo ( autor do arranjo musical de "Amar Pelos Dois", Eurovisão) - piano
João Hasselberg- bass





Taylor Stone pilates gif


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sábado, 8 de julho de 2017

Pelvic Floor Optimal Posture Review ( Hab it)

  It is important to know that this is not a woman-thing :

Both men and women have a pelvic floor. In women, the pelvic floor is the muscles, ligaments, connective tissues and nerves that support the bladder, uterus, vagina and rectum and help these pelvic organs function. In men, the pelvic floor includes the muscles, tissues and nerves that support the bladder, rectum and other pelvic organs.
Pelvic floor dysfunction occurs in both men and women and includes problems such as: urinary and fecal incontinence, pelvic pain, sexual dysfunction and infertility.


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Max(Maxiamiano de Sousa) imita Instrumentos

 Max, que nunca foi devidamente valorizado, era um artista brilhante e muito completo: compunha , cantava e tinha um  enorme sentido de humor .
 
Anos 70....  Tudo isto é  Jazz . Genial.



(...)
«Quando tinha uma ideia, ele ia a correr para o gravador e punha-se a debitar para lá umas notas e uns acompanhamentos, umas harmonias, porque não sabendo uma nota de música ele era homem de dizer, inclusivé ao grande maestro Jorge Machado, “eu imaginei isto assim: na,na,na tran!”. Ele construía isto tudo na sua cabeça, era uma coisa que estava na genética dele, porque já fazia desde miúdo».
Max tinha as ideias, mas José António Sousa (filho) lamenta que, por vezes, era mal acompanhado. «Ele não tinha dinheiro para pagar um escritor de música para escrever as composições e por isso chamava um maestro qualquer que escrevia o que meu pai dizia, depois aparecia o nome desse maestro junto ao nome do meu pai, quando aquilo era só do Max», revelou o filho do artista.
Por isso, quando Max começou a trabalhar com o maestro Jorge Machado a carreira do artista madeirense deu uma volta de 180 graus. José António Sousa salienta que o seu pai «teve a sorte de trabalhar com um homem digno e tenho que fazer justiça àquele grande maestro que já nos deixou. Ele disse ao Max que nunca na vida iria pagar mais um tostão por debitar uma obra». E o maestro passou para a pauta todas as ideias que Max tinha, a partir de uma determinada altura da sua vida.
(...)Max «não desenhava uma letra, era a mulher com uma quarta classe que lhe passava para o papel os poemas e depois ele assobiava para o guitarrista e alguém que percebia de música passava para a pauta (...)»
(ler mais em https://maximianodesousa.wordpress.com/)

Lou Donaldson - 'Whiskey Drinkin' Woman'


MUSICIANS :
Lou Donaldson, Dr. Lonnie Smith, Lionel Loueke, Kendrick Scott

Brian Eno on why he can't slow down


sábado, 17 de junho de 2017

Salvador Sobral & Júlio Resende - Regret (Alexander Search- FERNANDO PESSOA)

 Tão bonito....


"Numerosos são os exemplos de afinidade entre as obras que os pré-heterónimos possuíram e os textos que foram criando, um dos mais flagrantes sendo o poema «Regret», assinado por Search, proprietário de The Poetical Works of Lord Byron "
(  vale a pena ler mais em:
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/bdigital/index/assinaturas3.htm)


REGRET

I would that I were again a child

  And a child you sweet and pure,
That we might be free and wild
In our consciousness obscure;
That we might play fantastic games
 Under trees silent and shady,
That we might have fairy-book names,
I be a lord, you a lady.

And all were a strong ignorance
And a healthy want of thought,
And many a [prank?], many a dance
Our unresting feet had wrought;
And I would act well a clown's part
To your childish laughter winning,
And I would call you my sweetheart
  And the name would have no meaning.

Or sitting close we each other would move
With tales that now gone are sad;
We would have no sex, would feel no love,
Good without fighting the bad.
And a flower would be our life's delight
And a nutshell boat our treasure:
We would lock it in a cupboard at night
As in memory a pleasure.

We would spend hours and days like a wealth
Of goodness too great to cloy,
We would deep enjoy innocence and health
Knowing not we did enjoy...
Ah, what bitterest is is that-alone
Now one feeling in me I trace -
That knowledge of what from us hath gone
 And of what it left in its place.

Alexander Search ( Fernando Pessoa)


sábado, 10 de junho de 2017

Cameron Shayne - Budokon Yoga® - Japanese Symphony Rehearsal 2013

 This is beautiful every day in every way.

Traumerei by Horowitz Moscow ' 86



*History Stories: deep feelings

"This piece of music was played on the radio at the end of WWII. The studio didn't know what to play...it was over. Millions were dead. The guns were silent. So they played this piece. I'd guess from the date of this performance, and the white hair of that gentleman, that he might have been one of the young soldiers or just kids, who heard that silence, then this piece on the radio. I'm old enough to remember the silence in the US, and we were LUCKY, just 250,000...so I know why he was in tears. (Comment posted 7 years ago by ffurgy. Im just reposting it because no one seems to know where the tears come from...)" - lecheparavaka
 about  ffurgy's words on Youtube                



"A Change is Gonna Come" Brian Owens and Thomas Owens

Soul to soul

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Imogen Heap - Hide and Seek ft. London Contemporary Voices | Mahogany Live

Blood and tears
They were here first
Mm, what'd you say?
Mm, that you only meant well
Well of course you did
Mm, what'd you say?
Mm, that it's all for the best
Of course it is
Mm, what'd you say?
Mm, that it's just what we need
You decided this
Mm, what'd you say?
Mm, what did she say?


Contemporâneos - VIDEOCLIP no Chiado

(- What  are they saiyng? -For word wise is enough.) 
Brilhariantes! 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Paulo de Carvalho- Abracadabra

   Finalmente encontro esta canção no Youtube. A letra é brilhante ( tal como a de "Executivo" que está disponível há mais tempo).
   A voz será sempre, para mim, o instrumento musical número um (seguida do piano) .
   Paulo de Carvalho é uma das melhores vozes masculinas que conheço e é, talvez, o mais multifacetado , completo e avançado intérprete português de sempre. Ao vivo é espantoso.  Há anos vi-o num concerto com o Ivan
Lins que me ficará toda a vida na memória. Arrepiou-me.
   Poderia ficar horas a falar deste  cantor, a publicar músicas de todos os géneros interpretadas por ele,  ditas, (que bem ditas) e improvisações várias.
  Já esteve aqui pelo menos uma vez ( este blogue espelha muita trapalhice, o que é perfeitamente natural), há muito tempo que penso assim.
  Depois dos acontecimentos que se seguiram ao Festival da Canção ( sim, o Salvador Sobral é um grande novo caso na música, ao vivo é extraordinário e tem muita graça, tenho o CD há meses, sei-o  quase de cor, tenho trabalhado muitas vezes a ouvi-lo), alguns delirantes, estas afirmações podem parecer uma parvoíce impulsiva tardia , uma daquelas coisas "
quixagero".
  Mas não há quem me tire do encanto.
  Por isso acho que e
ste vídeo é uma preciosidade por todas as razões e mais algumas.


Aqui está tudo bem!
Aqui está tudo tão bem!
O sol é mesmo de ouro,
a lua é toda de prata.
E quando chove
só caem diamantes!


Aqui não há semáforos,
aqui só há chupa-chupas.
E até as bengalas dos velhos
são feitas de chocolate.
Ai, como é bom, tão bom,
vivermos aqui!


Abracadabra!
Abrem-se as portas.
Abrem-se os olhos de espanto.
Não vejo o lado de fora!
Quem me tira do encanto?


Isabel Bahia



Isle of Man by Jonathan Grubb


(Brett Miller -Pilates Intel)

"I am very fortunate to live on a wonderful, scenic and peaceful island called the Isle of Man. However, when Joseph Pilates spent 3½ years on the island from late 1915 to early 1919, he was strictly confined within the largest internment camp built for First World War “enemy aliens” and would not have enjoyed quite the same benefits of island life as I do today.

Knockaloe Internment Camp, where Joseph was held (along with my own great-grandfather) has been “well described by a visitor as being like a glorified chicken run. Not only were the huts suggestive of enlarged hen-houses, but the aimless wandering of the men round and round the compounds, in dust or in mud, according to the weather, brought to mind the scratchings of cooped chickens in their already well-scratched-over soil.” (“St Stephen’s House, Friends’ Emergency Work in England 1914 to 1920” by Anna Braithwaite Thomas and others)

Approximately 23,000 men were held at the camp within an area covering only 22 acres (this is less than 17 football/soccer fields). At the outbreak of the war, Britain was a very different place than it is today and attitudes to German, Austrian, Italian and Turkish (described at that time as “enemy aliens”) were very strong. Joseph arrived by boat on the island in the dark of night when locals were less likely to see the new internees. He was then transported by steam train to the camp, to awake the next morning enclosed within his new barbed wire-surrounded home.

How did Joseph deal with the challenges he faced during that time? Lolita San Miguel (first generation Pilates teacher certified by Joseph Pilates) recounted to me that Joseph did not speak much of his time on the island. However, she remembered that when she did ask him about it, he always said that he was actually very glad for the time he spent on the Isle of Man as it gave him the time and opportunity to work on his method, which he may not have otherwise had.

Joseph displayed an admirably positive attitude in the midst of a very tough situation. His confinement was overshadowed with no knowledge of the future outcome or duration of the war, coupled with severely restricted food and resources. The living conditions were not pleasant and men were dying around him, not only from illness, but as Joseph observed, from lack of hope and stimulation in life. However, Joseph used the time as an opportunity to develop his method towards radically improving the lives of the sick, injured and increasingly hopeless men around him.
 
Knockaloe Camp was divided into four camp areas (camps 1-4) and movement between camps was prohibited unless special permission was granted by the Camp Commandant. Each camp had its own hospital unit. Joseph Pilates was held in camp 4 therefore he may well have worked in the hospital unit of camp 4, but it is also possible (although not proven) that he could have been granted permission to work in other camp hospitals.
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After looking through the many digital images of unnamed internees at the Isle of Man Museum, I stumbled across a photograph which shows an internee hospital orderly with army and civilian medics either side of him. The internee in the picture bears a remarkably strong resemblance to Joseph Pilates and was taken outside camp 2 hospital. In that day, the norm was to wear a moustache, although Joseph never did. The wave of the man’s hair and his stance is notably similar to pictures of Joseph outside his internment. If the internee in the picture is Joseph, then he clearly worked in the different camps, and was well respected to have been the only internee in the picture.

There is little evidence to substantiate the stories that surround Joseph’s time at Knockaloe. However, there are some significant and key statements reported as being made by Joseph himself. To my knowledge, none of those statements were ever disputed by any of the many men who were interned and lived through those challenging times alongside him.

Within an article by Doris Hering which appeared in Dance Magazine, February 1956 (p.76) entitled “They All Go to Joe’s”, referring to Joseph’s time in the camp: “There he encountered people who were disabled as a result of wartime diseases and incarceration. He began devising machines to help in their rehabilitation.”

In 1962, Robert Wernick interviewed Joseph Pilates for Sports Illustrated magazine where Joseph stated that “the full principles of Contrology were revealed to him during World War I”. The article went on to state “[Joseph] began demonstrating these exercises to the dejected figures around him, and since they had nothing else to do, they began to do the exercises too. Awkwardly and timorously at first, but under his firm supervision they became more and more confident, more and more bouncy, like cats. They ended the war in better shape than when it started.”

The letter to Joseph Pilates which appeared in Return to Life through Contrology included the following excerpts: “To our friend, Mr Pilates, professor and instructor of physical education, always willing”; “the most unselfish during four and a half truly horrible years”; and “relying on his training we ought to feel fit, physically and spiritually, to the end”.

Could he have used springs from beds to develop rehabilitation equipment? Yes, of course he could. I have tested the theory and it works. Whilst no evidence exists that the hospital bed frames had springs which Joseph could have utilised, there is no evidence either to the contrary. Every Victorian/Edwardian era bed I have seen, especially those referred to as a ‘hospital bed’ have had springs attached at one or both ends of the bed frame.

Life at Knockaloe Camp is being fully researched and documented by a charitable trust (
www.knockaloe.im) and their important research is helping to bring the story to life. The charity intends to have a museum and visitor centre opened by April 2018 where there will be a lasting record of what life was like in the camp, detailing the hardships and the life internees endured. Within the visitor centre, it is fitting that there will be a special section about Joseph Pilates in the place where he not only developed the foundations of the Pilates Method, but he was stirred deeply by the needs of men suffering around him. He led men who were waning physically, mentally and emotionally to move and be active; enabling them to survive, recover and make the most of the bodies and minds they had while freedom, food, hope and contact with the outside world remained restricted.

The life-enhancing benefits we experience and share each day, when we practice or teach Pilates, are thanks to an incredible German-born man, who faced some of the most serious hardships during his life - not only in childhood, but also as an adult. It is a story of triumph over adversity and of will, determination and strength of spirit as well as of mind and body which should be remembered as part of our Pilates Heritage.



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Jonathan Grubb was born in England in 1962 and has lived on the Isle of Man since he was two years old. His great grandfather Jakob Grub was interned on the Isle of Man until 28 August 1919 in the same camp as Joseph Pilates.
In his younger days Jonathan was a keen amateur sportsman and particularly excelled at football (soccer), representing the Isle of Man in international games on numerous occasions. An anterior cruciate ligament injury sustained towards the end of his playing days led him to discover Pilates and he has been a passionate practitioner ever since. He has traveled to various countries to attend conferences and courses and been fortunate to be mentored by very experienced local teachers.

Having previously been an advanced instructor for several years in the Wu family style of tai chi chuan, Jonathan is currently studying to become a Pilates teacher with MKPilates and his teaching has been enthusiastically welcomed in classes throughout the island already. More on the story of Knockaloe Internment Camp can be found at knockaloe.im

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Manuel Queiró


                                                   2017







 2017


Subsídios para a biografia de Dinis Machado -António Lobo Antunes

O Dinis Machado, que foi toda a vida um miúdo do Bairro Alto, nos modos, nas partilhas, na roupa, que escreveu um livro maravilhoso, 
“O que diz Molero”, e praticamente, depois disso, não escreveu mais nada

– Porque é que não escreves, Dinis?
– Não me apetece
foi abordado uma vez, e eu a assistir, por um homem que lhe pediu cigarros na rua. 
O Dinis tirou o maço da algibeira, abriu a prata, examinou o interior a contar baixinho, somando o que lá estava dentro, e acabou por responder, de cara triste
– Eh pá não posso, só tenho dezoito
afastando-se a puxar-me o braço enquanto o homem se amargurava com pena dele só ter dezoito. A avó do Dinis dirigia uma casa de prostituição onde ele comia em miúdo com as raparigas que lá trabalhavam e das quais falava, é evidente, com o maior respeito. Levei-o para minha casa
(eu nessa época estava sempre a levar gente para casa)
onde ele ainda viveu longos meses, obriguei-o a escrever na mesa em que eu escrevia, alimentado a tabaco e a água das pedras, de vez em quando pedia-me
– Ó Tónecas
(nunca ninguém me tinha chamado Tónecas)
– Vai ao Santini buscar um gelado para a gente que é peitoral
eu lá lhe trazia o medicamento, de morango ou baunilha, que ele tomava numa repugnância de óleo de fígado de bacalhau
– Não é que me apeteça mas a saúde está primeiro
tirava o lenço do bolso, puxava da garganta uma escarreta que provava os efeitos benéficos do tratamento
– Já está a dar resultado, Tónecas
e lá voltava, enfastiado, ao papel, continuando um texto chamado “Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel García Márquez”, Alfredo Marceneiro que nós encontráramos uma noite no seu Bairro Alto, sentado na berma do passeio, perdido de bêbado, e para qual o Dinis avançou a abraçá-lo
– Você é um génio.
O outro olhou-o sem o ver, oculto atrás de uma névoa de tinto, com o Dinis inclinado para ele
– Você é um génio
o Dinis
– Sabia que é um génio, você?
enquanto eu tentava puxá-lo
– Larga o homem que ele nem sequer te ouve
o Dinis insistia, inabalável
– Sabia que é um génio não sabia?
e foi um castigo para o arrancar dali
– Temos de tomar conta do Marceneiro que isto está cheio de cámones
lá o arrastei com ele protector
– E se algum cámone grosso lhe dá uma azevia na pantufa, já viste?
a procurar cámones fardados de marujos pelas redondezas
– Temos de encontrar o meu irmão Zéca que é presidente do Lisboa Clube Rio de Janeiro
uma associação desportiva que se dedicava sobretudo ao boxe, na esperança de achar um peso-pluma que ficasse junto a Alfredo Marceneiro em funções de guarda-costas, o irmão Zéca pequenino, gordo, de bigode, tipo Dupont e Dupond, pertencente a essa categoria de carecas que puxam o cabelo da orelha esquerda até à orelha direita
(agora toda a gente rapa a cabeça)
não estava, tinha ido acompanhar um peso-mosca com futuro a um combate qualquer em Alhos Vedros
(ainda haverá combates em Alhos Vedros, pelo menos foi esse o nome que um porteiro, a escarrar sobre o ombro, nos disse, Alhos Vedros, nunca vi escarrar tão bem neste mundo)
o Dinis insistia que, sem guarda-costas, se achava na obrigação de cumprir, ele mesmo, essas funções, e lá acabei por o trazer para casa, argumentando que não podia deixar o “Discurso a Gabriel García Márquez” a meio, ele
– O Marceneiro é mais importante do que qualquer livro
até o conseguir enfiar em casa diante do papel, prometendo-lhe um suplemento de gelado se ele se portasse bem. Sentou-se a contra-gosto
– Com a preocupação com o Marceneiro como é que queres que me concentre?
a olhar a parede em frente
(quem não gosta de olhar paredes vazias às duas da manhã?)
até a primeira frase lhe aparecer no bestunto, ajudando-o a esquecer o fadista, os cámones, o mano Zéca e o Lisboa Clube Rio de Janeiro. Felizmente havia um resto de Santini no frigorífico, o Dinis de caneta suspensa
– Se calhar estou um bocado grosso não achas?
e eu não achava nada, ocupado com a ideia do peso-mosca, em Alhos Vedros, a preparar um um-dois e um gancho da esquerda fatais que levariam o Bairro Alto aos cumes da fama em todo mundo, isto é à outra margem do rio onde uma aurora penosa, de outono, ia começar daqui a nada.

( revista Visão-25.05.2017) 

Glenn Gould - J.S. BACH, English Suite No1 in A major, Sarabande

"Sarabanda (do francês Sarabande, por sua vez derivada do espanhol zarabanda) é uma dança em compasso ternário (geralmente 3/4 ou 3/2) e andamento lento."

Tim Page - Living the Classical Life: Episode 28

Tim Page is a Pulitzer-winning music critic, the leading authority on the American author Dawn Powell, an omnivorous consumer of music in all forms, a film buff and a professor at the University of Southern California.

He is also an articulate, acutely self-aware struggler with Asperger’s Syndrome, a symbiotic biographer of the late Glenn Gould, and a lovely man who collects friends with the greatest of ease.

sábado, 27 de maio de 2017

A administração do tempo -Dinis Machado

 O excerto de um belíssimo texto  de Dinis Machado  sobre "a questão do tempo (...) aquela que estipula melhor  o que há de esquivo e penoso na efemeridade humana" .

Um relógio velhinho, velhinho, de aspecto curioso e particularmente vigilante. Nunca é  esquecido: muito estimado e tratado a tempo e horas.
Ilude, parece que tem vida ... Dizem que há quem tenha perdido a noção do tempo, por se  ter demorado a admirar o movimento contínuo daqueles olhos ao som dos ponteiros sempre a andar, a andar, sempre ...
 



"Olho o anúncio do relógio Omega. A vida não pára, fonte e foz, passar é a sua vocação - e o relógio fixa, ancorado no tempo, alheio a tudo: nove horas e treze minutos. Ou tem o mecanismo  escangalhado, ou esqueceram-se dele. Não administrado, ausente é a sua filosofia de pequenas rodas dentadas; ferrugenta e gasta, completamente inútil, a memória que não tem."
(Dinis Machado - Gráfico de Vendas com Orquídea
e outras formas de arrumar conhecimentos - 20 textos de 1977 a 1993- Lisboa, 1999, edições Cotovia ) 



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Bobby McFerrin Walking on the beat

 "Keep to the beat when you go to work, and when you well work, stay on the beat."
Beautiful!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Leonard Cohen - Sound Of Silence ( Paul Simon, 1964)


Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence


In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence


Fools, said I, you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you
But my words, like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence


And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, the words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls
And whispered in the sounds of silence
Paul Simon

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Gil Hedley, The Heart Dance

The body as an expressive, living, beating, and active being.
Just love it!



*Gil Hedley, Ph.D., founder of Integral Anatomy Productions, LLC, and Somanautics Workshops .

domingo, 14 de maio de 2017

AMAR PELOS DOIS -Salvador Sobral

 
 A simplicidade é a genuína sofisticação.



Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi p’ra te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada p’ra dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois

Luísa Sobral

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dino d' Santiago - Jorge & Andresa - feat Familia Pereira (live)

Dino d' Santiago - Jorge & Andresa
Claudino Pereira, Lígia Pereira, Elísio Pereira - Voz
Batuque - Andresa e Jorge Pereira


HÁ MAIS DE MEIA-HORA


Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo).
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da «Enciclopédia Britânica».
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito!
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

ÁLVARO DE CAMPOS ( 1935)
In Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944

segunda-feira, 1 de maio de 2017

I might just stay away - Salvador Sobral

due to sound of your voice
and all the accidental things that can happen
i might just stay away,
before i find what my heart is after
due to the look in your eyes
and all the accidental things they can see
i might just stay away
before they even look at me

'cause someday
when i grow old
i'll be so glad
that i was strong and didn't
fall for those lips
fall for those eyes,
fall for the love of my life

Luisa Sobral




Composer: Luísa Sobral
Lyricist: Luísa Sobral
Singer : Salvador Sobral

sábado, 22 de abril de 2017

Violin Limelight: Charlie Chaplin and Buster Keaton ( violin and piano)

Magistral




Charlie Chaplin (Sir Charles Spencer, 18891977) and Buster Keaton( Joseph Frank Keaton Jr, Piqua , 1895- 1966) were two of the most prominent actors of the Silent Film Era. Both actors were also directors and made funny and popular films in their time.

Charlie Chaplin was also a composer , played both cello and violin left-handed, and he had both his violin and cello restrung and rebuilt.

Read more:
Difference Between Charlie Chaplin and Buster Keaton | Difference Between http://www.differencebetween.net/miscellaneous/entertainment-miscellaneous/difference-between-charlie-chaplin-and-buster-keaton/#ixzz4evhS3IHY


segunda-feira, 17 de abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Roberta Sá, António Zambujo e Yamandú Costa | "Eu Já Não Sei"

  Esta canção parece  ter como autores Domingos Gonçalves da Costa( letra) e Carlos Rocha( música), mas, também há quem diga que é de Manuel Fernandes... Eu ( já) não sei.
               
  Foi a a minha Mãe quem me deu a conhecer  António Zambujo, há  anos, quando me deu o seu primeiro CD . Apreciadora do fado tradicional e muito crítica em relação às "modernices"  que estragam a canção nacional,  estava no entanto maravilhada com os "trinados deste rapaz".   Ouvi-o durante meses nas viagens de carro e esta é, desse álbum, um dos temas da minha eleição. 
Há, além do canto , muito mais encanto do que o que existia em versões  antigas como a de Alberto Ribeiro ou a de Carlos Ramos, um fadista que conheço quase desde que nasci. Bem sei que os tempos são outros, os meios imensos, a liberdade de interpretação enorme, mas é notável a forma como António Zambujo consegue tornar as canções tão sentidas, tão suas ... Realmente macia e intimista, a marca inconfundível que deixa por onde passa. ( há  quem não goste .. Já sei)    
  Roberta Sá e Yamandú Costa são também dois músicos admiráveis e é também por causa deles que esta versão  é uma preciosidade .
   Um encontro  simples e pouco elaborado  (outras das razões porque gosto de A. Zambujo), que é um exemplo do que em todo o lado se faz e em Portugal,  embora se dêem já alguns passos, é tudo muito avaro, pequenino, talvez de acordo com o tamanho do nosso País... ou não.
  "Há brilhos e brilhos e o teu pode  não ficar bem com o meu, sei lá..."
   Ora... Todos sabemos que fazem um brilharete os artistas  que se juntam , trocam experiências e dão ao mundo o prazer de as ouvir e ver
.  

 

sábado, 8 de abril de 2017

Messias and the Hot Tones - "Happy Loner" LIVE

Arrepia , Messias....

Trem Das Onze

Trem das Onze é uma canção de autoria de Adoniran Barbosa, sendo a sua mais famosa obra. Foi lançada em 1964 e feita em conjunto com Demônios da Garoa. Premiada, foi classificada como uma das melhores canções brasileiras de todos os tempos.


Adoniran Brabosa era genial . As sua canções , letras e vida ,encantam-me.   
"A linguagem da poesia de Adoniran é caracterizada por um vocabulário com muita informalidade, mas não é uma informalidade qualquer, é uma variação linguística sociocultural marcada pelo regionalismo, linguajar popular e pelas gírias. Muitas vezes sem nenhum prestígio social, porém é este modo errôneo, inculto e popular de ser que configurou a maneira de estar... certa e agradar a todos! Foi com essa característica que Adoniran Barbosa manifestou sua arte, quebrando paradigmas e preconceitos linguísticos."
Leia Mais em:
http://obviousmag.org/a_hora_e_a_vez/2015/04/a-genialidade-linguistica-nas-cancoes-de-adoniran-barbosa.html#ixzz4dh5uVJBD

E polémico:
Vinícius de Moraes disse que "São Paulo era o túmulo do Samba". Adoniran  responderia o famoso "Chora na Rampa Negão".
 "Tem paulista no samba!"







 A interpretação de Maria Gadu e Caetano Veloso é linda, apesar de se ter perdido todo o conteúdo irónico original. 

"Será que ele não tinha outro trem mesmo, ou botou  desculpa?"
 

  Há sempre outro trem ,meu bem....