sábado, 31 de dezembro de 2016

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Fado Português(Alain Oulman/José Régio ) - Sofia Ribeiro & Bartolomeo Barenghi

 O poema de José Régio foi musicado por Alain Oulman para ser cantado originalmente por Amália Rodrigues.




Fado Português
O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

FABRICA DE BRAÇO DE PRATA: TRAGÉDIA (1953)

Às 13h49 do dia 24 de Novembro de 1953 a Fábrica de Braço de Prata, na época produtora de material de guerra, foi violentamente destruída por uma explosão de que resultaram 12 mortos e 200 feridos.

Este vídeo foi realizado pelo blogue Jazz no País do Improviso (www.jnpdi.blogspot.com) com o objectivo de trazer até ao presente este evento que actualmente é desconhecido pela grande maioria do público que assiste a concertos de jazz na Fábrica de Braço de Prata.

Saiba mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1brica_de_Bra%C3%A7o_de_Prata





Traduzir-se


    Uma parte de mim
    é todo mundo:
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.
    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.
    Uma parte de mim
    pesa, pondera:
    outra parte
    delira.
    Uma parte de mim
    almoça e janta:
    outra parte
    se espanta.
    Uma parte de mim
    é permanente:
    outra parte
    se sabe de repente.
    Uma parte de mim
    é só vertigem:
    outra parte,
    linguagem.
    Traduzir-se uma parte
    na outra parte
    – que é uma questão
    de vida ou morte –
    será arte?
Ferreira Gullar, Na Vertigem do Dia. 1980

Tom Jones - What'd I Say (1969) *HD*HQ*

"Hey ho hey ho hey ho hey!"
Well ....I say : He Knows how to shake that thing. What a groovy soul man  he was!

sábado, 17 de dezembro de 2016

Miguel Guilherme diz "Pois" de Alexandre O’ Neill e "A Família" de Mário-Henrique Leiria ( homenagem ao actor António Feio)

Miguel Guilherme  é um actor brilhante e  um fenómeno raro em Portugal  da arte de bem dizer poesia . Não a recita apenas, interpreta-a, dá-lhe corpo.
Este é um dos poucos vídeos que na internet demonstram o que acabo de dizer.





POIS


O respeitoso membro de azevedo e silva

nunca perpenetrou nas intenções de elisa

que eram as melhores. Assim tudo ficou

em balbúrdias de língua cabriolas de mão.



Assim tudo ficou até que não.



Azevedo e silva ao volante do mini

vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois

e pensa pensa com os seus travões

Ah cabra eram tão puras as minhas intenções



E a elisa passa rindo dentadura aos clarões.


Alexandre O'Neill   ( 1972)


A FAMÍLIA

Vamos à pesca
disse o pai
para os três filhos
vamos à pesca do esturjão
nada melhor do que pescar
para conservar
a união familiar
a mãe deu-lhe razão
e preparou
sem mais detença
um bom farnel
sopa de couves com feijão
para ir também
à pescaria do esturjão
e a mãe e o pai
e os três filhos
foram à pesca
do esturjão
todos atentos
satisfeitíssimos
que bom pescar
o esturjão!
que bom comer
o belo farnel
sopa de couves com feijão!
e foi então
que apanharam
um magnífico esturjão
que logo quiseram
ali fritar
mas enganaram-se na fritada
e zás fritaram o velho pai
apetitoso
muito melhor
mais saboroso
do que o esturjão


vamos para casa
disse o esturjão.

Mário-Henrique Leiria


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Alice Coltrane - Turiya And Ramakrishna

"....like poetry from the mind...."
Alice Coltrane — harp, piano
Joe Henderson — alto flute, tenor saxophone
Pharoah Sanders — alto flute, tenor saxophone, bells
Ron Carter — bass
Ben Riley — drums

domingo, 20 de novembro de 2016

Chega de Saudade - Ryuichi Sakamoto, J&P Morelenbaum.avi

"Segundo uma lista da empresa Today Translations feita com opiniões tradutores profissionais, a palavra portuguesa Saudade é a sétima do mundo mais difícil de ser traduzida. Os americanos e ingleses chegam perto com a expressão “I miss you”, que significa “sinto a sua falta”, mas que não exprime o sentimento específico gerado por essa ausência, que a palavra portuguesa tão bem representa"
Que coisa linda, que coisa louca.....




(" Voltei ao Brasil" - Album magistral - aquela canção- continua...ou não....)

sábado, 5 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DITOS PARLAMENTARES

 Uma Preciosidade.
Muito obrigada,Helena Burnay

 
"(…) Estou consolado pela demonstração que acaba de ser feita diante dos nossos olhos, demonstração no sentido de que realmente não é exata a afirmação de que a mulher portuguesa não tem o sentido das oportunidades e de que está contrafeita quando toca problemas presos à técnica jurídica. (…)

Estou encantado por ver a colaborar com o espírito disciplinado de homens, que sabem ter disciplinado o espírito, o espírito não menos disciplinado de senhoras que o têm disciplinado como os homens que melhor disciplina têm."

Deputado Mário de Figueiredo, sobre uma intervenção da Deputada Maria Guardiola na Assembleia Nacional, 
Diário das Sessões, 8 de abril de 1935.
É  também o momento histórico-político em que a intervenção se insere que que a torna dignas de realce:"A16 de dezembro de 1934, nas primeiras eleições em que mulheres foram eleitoras e elegíveis, afinal uma aspiração das feministas e sufragistas da 1ª República, a médica e professora Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho, a advogada Maria Cândida Bragança Parreira e a docente Maria Baptista
dos Santos Guardiola tornaram-se, por indicação expressa de António de Oliveira Salazar (1889-1970), nas primeiras deputadas à Assembleia Nacional integrando as listas da União Nacional (UN), único partido do regime. Eram 3 em 90 eleitos e
tinham, respetivamente, 63, 57 e 39 anos."
(Estudos sobre as mulheres e biografias no feminino - João Esteves)

  

Liszt - Consolation Nr. 3 - Daniel Barenboim

 When somebody plays with the heart we feel it and  beauty becomes even more beautiful...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Muddy Waters & The Rolling Stones - Hoochie Coochie Man (Live At Checkerboard Lounge)

 E vêm-me à memória aquelas noites em que se cantavam e tocavam blues horas a fio e este era, para mim,"o tal do gostinho especial".
 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Tributo a Joseph Pilates - O Filme (Trailer Oficial em Português)



Website Oficial: http://josephpilatestribute.com/

Snarky Puppy feat. Magda Giannikou - Amour T'es Là

Impossible d'ecouter sans sourire.





Bouquets des roses

Chansons qui parlent que d’une chose

Amour, amour

Tremblement de terre

Collier qui porte mon bonheur

Amour, toujours

Amour, t’es là?

Amour, je cherche ton schéma

Amour, c’est toi?

Amour, pourquoi tu te caches de moi



Rêve des bisous

Deux mots, qui caressent le cou

Amour, amour

Monde à l’envers

Qui va porter mon bonheur

Amour, toujours

Amour, t’es là?

Amour, je cherche ton schéma

Amour, c’est toi?

Amour, je sais pas vraiment

Amour, pourquoi?

Amour, pourquoi tu te caches de moi?



Chaque matin je me lève, je me lève très tôt

Pour aller au boulot

Ce matin j’ai l’impression

Quelqu’un va repondre à ma question

Amour, t’es là?

Amour, je cherche ton schéma

Amour, c’est toi?

Amour, je sais pas vraiment

Amour, t’es fou

Amour, je te cherche, t’es où?

Amour, pourquoi, amour

Pourquoi, tu te caches de moi?

sábado, 1 de outubro de 2016

Carminho- Disse-te Adeus ( Fado Marcha Raul de Pinto)

  "La cantante, la inmensa voz que interpreta este Fado se llama Carmo Rebelo de Andrade, pero todos se le refieren muy cariñosamente al llamarle Carminho (sería Carmencita, se fuera española). Es adorarable y empieza, poco a poco, a ser adorada. Además, se lo merece." Um vídeo de 2009 que encontrei há tempos e é uma preciosidade, assim como o são estas palavras escritas em espanhol.  Não sei quem é o autor, mas tinha toda a razão como se veio a comprovar.
Pensei que seria muito bom ter aqui a Carminho, que é do Fado e a cantá-lo é sublime, para celebrar o Dia Mundial da Música. 

Autor do video - Maria Joana


Fado Marcha de Raul Pinto


"Disse-te adeus"

Disse-te adeus não me lembro
Em que dia de Setembro
Só sei que era madrugada
A rua estava deserta
E até a lua discreta
Fingiu que não deu por nada

Sorrimos à despedida
Como quem sabe que a vida
É nome que a morte tem
Nunca mais nos encontrámos
E nunca mais perguntámos
Um p'lo outro a ninguém

Que memória ou que saudade
Contará toda a verdade
Do que não fomos capazes
Por saudade ou por memória
Eu só sei contar a história
Da falta que tu me fazes

Manuela de Freitas

The "El Sistema" music revolution - Jose Antonio Abreu


El Sistema ("O Sistema") é um modelo didático musical, idealizado e criado na Venezuela por José Antonio Abreu, que consiste em um sistema de educação musical pública, difuso e capilarizado, com acesso gratuito e livre para crianças e jovens adultos de todas as camadas sociais.

( leia mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/El_Sistema)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Dalcroze Eurhythmics Exercises


"Dalcroze Eurhythmics, also known as the Dalcroze Method or simply eurhythmics, is one of several developmental approaches including the Kodaly MethodOrff Schulwerk and Suzuki Method used to teach music to students.
 Eurhythmics was developed in the early 20th century bySwiss musician and educator Émile Jaques-Dalcroze.
Dalcroze Eurhythmics teaches concepts of rhythm, structure, and musical expression using movement, and is the concept for which Dalcroze is best known. It focuses on allowing the student to gain physical awareness and experience of music through training that takes place through all of the senses, particularly kinesthetic.
Eurhythmics often introduces a musical concept through movement before the students learn about its visual representation. This sequence translates to heightened body awareness and an association of rhythm with a physical experience for the student, reinforcing concepts kinesthetically. Eurhythmics has wide-ranging applications and benefits and can be taught to a variety of age groups. Eurhythmics classes for all ages share a common goal – to provide the music student with a solid rhythmic foundation through movement in order to enhance musical expression and understanding"

Read more inWikipedia, the free encyclopedia







segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Whole Body Hamstrings | Mug of Movement

Just love this!  

- I can't try it , I have no eggs for breakfast.
-It is not an excuse . ..Smell anything else.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

PARA ESCREVER O POEMA


O poeta quer escrever sobre um pássaro:
e o pássaro foge-lhe do verso.

O poeta quer escrever sobre a maçã:
e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.

O poeta quer escrever sobre uma flor:
e a flor murcha no jarro da estrofe.

Então, o poeta faz uma gaiola de palavras
para o pássaro não fugir.

Então, o poeta chama pela serpente
para que ela convença Eva a morder a maçã.

Então, o poeta põe água na estrofe
para que a flor não murche.

Mas um pássaro não canta
quando o fecham na gaiola.

A serpente não sai da terra
porque Eva tem medo de serpentes.

E a água que devia manter viva a flor
escorre por entre os versos.

E quando o poeta pousou a caneta,
o pássaro começou a voar,
Eva correu por entre as macieiras
e todas as flores nasceram da terra.

O poeta voltou a pegar na caneta,
escreveu o que tinha visto,
e o poema ficou feito

Nuno Júdice
(In A matéria do poema , Dom Quixote)

domingo, 14 de agosto de 2016

Summertime- Al Jarreau feat Alita Moses at the Montreux Jazz Festivall 2015

The scatting...Wonderful!

Keith Jarrett - Summertime

 He is making love with that piano.. Beautiful.

Jazzafari e Carlos Mendes - In Summer

 Pai e filho cantam juntos... No Verão.
Encantada.
Victor Zamora (piano) e Carlos Barretto (contrabaixo)


Biréli Lagrène & Sylvain Luc - Sunny

Now I feel ten feet tall

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Eleve-se e chegue longe (Lift and reach), diria Joseph Pilates

Ontem  foi um dia em que estava  lua... não perdi o sobretudo , mas as chaves todas, sobretudo aquela que me permitiria dar uma aula "normal"
 No entanto  a Elsa , que treina comigo há dois anos e conhece  estas minhas fases, dispôs-se com a maior das boas vontades a ter aula no "sitio" dela, um estúdio de cerâmica e restauros.
 Ao calor do dia   juntava-se o do forno que,  àquela hora da tarde, costuma estar sempre ligado.
Não havia colchão, nem nada que o substituísse. Aquele chão,  de mosaico, é muito duro.

Há pessoas com uma força de vontade incrível e que não cedem às contrariedades .E a Elsa é uma delas . Tem artroses congénitas em várias( muitas) articulações que,  ainda em criança,  se manifestaram primeiro nos joelhos a que já foi operada duas vezes. Este ano já teve várias crises, mas esta mulher, cujo trabalho requer , além da criatividade, força e agilidade, não desiste : faz natação e treina Pilates como se de nada sofresse, como se as dores  não fossem as delas .
A Elsa, como se pode ver pela fotografias ,  é uma atleta,  compreende o exercício, a importância dele e executa-o admiravelmente.
 São exemplos deste que nos incentivam , que nos fazem querer continuar e melhorar. E quando a Elsa diz
  "Sabes? Isto faz-me falta"  eu fico  muito, mas muito contente.
 Sim, ontem perdi as chaves, mas em compensação  guardei  alguns momentos do treino. Fiquei a ganhar.





quinta-feira, 21 de julho de 2016

Lira ( canção tradicional dos Açores)

Morte que mataste Lira,
Morte que mataste Lira,
Morte que mataste Lira,
Mata-me a mim, que sou teu!
Morte que mataste lira
Mata-me a mim que sou teu
Mata-me com os mesmos ferros
Com que a lira morreu

A lira por ser ingrata
Tiranamente morreu
A morte a mim não me mata
Firme e constante sou eu
Veio um pastor lá da serra
À minha porta bateu
Veio me dar por notícia
Que a minha lira morreu


Na voz de Adriano Correia de Oliveira , uma das  melhores vozes masculinas da música portuguesa,



Na nova versão de Lúcia Moniz e Pierre Aderne,

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Rui Veloso | Máquina Zero

 Este vídeo é uma preciosidade.
 Sobre ele escreve Nana Sousa Dias :

"Isto foi em 1983 e não em 1993. Além do Rui Veloso, está o Paleka (bateria), Manuel Paulo (teclados), Manuzé (baixo), Luís Moreira (trompete) e eu (saxofone tenor). A gravação deste vídeo foi só rir! Até o representante da editora (Valentim de Carvalho) , o David Ferreira, foi obrigado a participar pois era o único que tinha umas calças largas que caíam sozinhas, o resto da malta estava de jeans. As calças que se vêem a cair aos pés, são do David..."

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Jean Cocteau à propos du jazz

mna mna muppet show

 Just love it, no question about it

Norma Winstone - Distance

"There are no signs in the distance  that lies in between us.
 How can we know where to go?
Anyone's guess, Trust less and less what we know,
There is a city of unfathomed streets below,
 Where it is best not to go, not to know,
Keep our distance."




A importância do futebol para Albert Camus

Li em Em FOLHA SECA , o sítio do jogo bonito:

Quando em 1949 aterrou no Brasil, onde foi fazer uma série de conferências em várias cidades, Albert Camus fez um pedido: “Levem-me a ver um jogo de futebol.”

Aquele desejo seria coisa pouco comum para outro reconhecido intelectual do século XX, mas não para o escritor franco-argelino.
“Em Camus não havia nenhum vestígio dessa personagem odiosa que é a celebridade itinerante. Não parecia um homem de letras. Era um homem da rua, um simples homem”, contou Manoel Bandeira, poeta pernambucano que conviveu com ele aquando da sua visita ao Recife.
Camus era um pied noir (“pé negro”, nome pelo qual eram conhecidos os franceses nascidos na Argélia). Nasceu a 7 de novembro de 1913, há exatamente 100 anos, na cidade argelina de Mondovi, hoje Dréan, e viveu a infância na pobreza. O seu pai, francês, pereceu na batalha de Marne, na I Guerra Mundial, e muito jovem teve de trabalhar com o tio, como tanoeiro, para ajudar ao sustento da família. Na verdade, ele só conseguiu chegar à universidade graças ao auxílio dos professores.

E foi no Racing Universitário de Argel que Camus teve contacto com o futebol. Entre 1928 e 1930, foi guarda-redes na equipa que mais tarde sagrar-se-ia bicampeã norte-africana. Um título que Camus não comemorou, já que aos 17 anos teve de abandonar o desporto após lhe ter sido detetada uma tuberculose.

Seguiu o caminho como escritor, foi para Paris, combateu a ocupação nazi na II Guerra, como jornalista na redação do jornal Combat. Publicou a sua primeira grande obra de ficção, O Estrangeiro, em 1943, esteve próximo do partido comunista e com o movimento anarquista e em 1957 ganhou o Nobel da Literatura, três anos antes de falecer em Villeblevin, vítima de um acidente de viação.

A carreira consagrada como filósofo, jornalista e escritor não impediu ainda assim Camus de regressar às origens. “Prefiro futebol a uma peça de teatro, sem hesitações”, terá respondido um dia ao seu amigo Charles Poncet. Nas suas memórias, ficaram como nunca gravados aqueles momentos passados nas duas épocas como guarda-redes do Racing Universitário de Argel. A tal ponto, que para a posteridade, tal como as suas obras, ficou célebre uma frase sobre o que ficou a dever ao desporto e aprendeu naquele pequeno clube da sua adolescência: “Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol.”
Em FOLHA SECA , o sítio do jogo bonito

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sittin' On The Dock Of The Bay | Playing For Change

"Look like nothing's gonna change
Everything still remains the same"

Just love this song I listened, once more, one hour ago .
In my childhood I used to hear the original and unforgettable Otis Redding version. This time I choose the great cover of Playing For Change and the voices and soul of Roger Ridley​ and Grandpa Elliott.
Looking at the lyrics of the song and the name of this wonderful movement ( Playng For Change) you may think about contradiction... nonsense...Well, I don't know... But for sure, sometimes , extremes meet .  And when it happens can be more than funny.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Manuel Queiró-Pintura



                                            
                                                  2016 ( óleo  sobre tela)
© todos os direitos reservados

domingo, 8 de maio de 2016

Sting: How I started writing songs again

"I think it's appropriate to say the obvious that there's a symbiotic and intrinsic link between storytelling and community, between community and art, between community and science and technology, between community and economics. It's my belief that abstract economic theory that denies the needs of community or denies the contribution that community makes to economy is shortsighted, cruel and untenable.
The fact is, whether you're a rock star or whether you're a welder in a shipyard, or a tribesman in the upper Amazon, or the queen of England, at the end of the day, we're all in the same boat."
Sting’s early life was dominated by a shipyard—and he dreamed of nothing more than escaping the industrial drudgery. But after a nasty bout of writer’s block that stretched on for years, Sting found himself channeling the stories of the shipyard workers he knew in his youth for song material. In a lyrical, confessional talk, Sting treats us to songs from his upcoming musical, and to an encore of “Message in a Bottle.”

domingo, 1 de maio de 2016

O gato remeumeu ( interpretado pelas Cantadeiras do Vale do Neiva) , a minha minha Mãe e eu...

 Também devo à minha Mãe o facto me ter posto a ouvir música, praticamente, desde o dia em que nasci. Foi marcante, moldou muito a minha personalidade, não tenho dúvida.

 Fui educada no
 interior do Minho.  Vivíamos em Freixo, uma terra com dois largos : o da Igreja (muito perto estava a escola primária) e o da Feira, à volta do qual havia uma "Casa do Povo", casas como a nossa, uma farmácia, duas mercearias, alguns (nessa altura talvez dois ), cafés, talho, loja de ferragens, relojoaria e pouco mais... Aí havia feira de quinze em quinze dias e paravam as "carreiras" que mais tarde nos levariam, aos que continuaram a estudar,  para a escola em Ponte de Lima e liceu em Viana do Castelo (nessa altura já só ia a casa  uma vez por semana.)
De vez em quando passava por lá a carrinha da Biblioteca Itenerante ( grande Gulbenkian!)
Lembro-me de não haver luz eléctrica na aldeia.

O rádio ficava todo o dia ligado ao pé do berço. Sempre houve música por todo o lado, até na casa de banho.
 O meu Pai era mais para os livros. Sendo "duro" de ouvido ,dizia que  tocava campainha muito bem... No entanto era engenhocas , gostava de máquinas e também deste ambiente, que era alegre, lúdico e pedagógico. Colaborava, aranjando boas e modernas "aparelhagens", mandando vir colecções musicais pelo correio.... Sem ele e o seu engenho nada teria sido possível.
Mas é à minha Mãe e à sua sensibilidade musical que devo (e os meus irmãos também) não só o gosto, mas também a curiosidade por variadíssimos tipos de música e sonoridades.

Vêm-me à memória as viagens de carro para a praia em que, muito pequenos, todos cantávamos e só eu desafinava... A minha Mãe fazia-me tomar consciência disso, deixando-me fula, é claro, mas também me ensinava e emendava. Água mole em pedra dura "taratara" , um dia deixei de estragar o coro da ida à praia ( ó que bonita!), ou o "coiro" passou a coro....

 E não me esqueço das cassettes que mais tarde lhe gravava para o carro, depois de horas, dias, de selecção cuidadosa . Durante anos houve essa " brincadeira" entre nós...

Uma das canções que cantávamos ,embora de forma ligeiramente diferente e pior com certeza mas, pelo menos, a duas vozes ( depois... já não sei se era a Mãe quem fazia o "rabo"), era esta :




Mãezinha


A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos…
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maio sossego, às horas em
que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha."


António Gedeão, in Linhas de Força



quarta-feira, 27 de abril de 2016

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril e Liberdade de Expressão

O 25 de Abril foi muito importante, porque sem ele não haveria facebook, blogues e afins .... a possibilidade de dizer BODEGAS como esta, ou outra completamente diferente.
A quantidade de coisas que hoje se podem dizer é quase infinita, se exceptuarmos a LEVE CENSURA do política e socialmente correcto, daquele(s) e daquela(s), etc. .........(por aí adiante que agora estou sem paciência ) .
Tenho o direito de pensar e escrever que tamanha LIBERDADE reduz a EXPRESSIVIDADE. A quantidade raramente gera qualidade, menos é mais, quanto menos, melhor .
Ou seja: tudo que o cada um de nós diz ( e somos muitos ) rindo ou chorando, com ou sem cravo na mão, mesmo que seja do agrado de vários outros, não serve o conjunto que é o povo português .
Se a LIBERDADE DE EXPRESSÃO é sempre fundamental, convém não a desbaratar, desvirtuando-a. Há momentos em que ela é crucial para unir as pessoas, devolver ao povo ( que somos todos , embora alguns se julguem ..."sei lá!") essa força que ele, em democracia, confiou ao poder politico.
Ora não é verdade que há tanto tempo atravessamos momentos desses? Atrevo-me, porque posso, a perguntar.
LCB

sexta-feira, 15 de abril de 2016

The Doors and John Lee Hooker - Roadhouse Blues

I don't know, how, where, who did this, but  sounds amazing!
They will play together, all night long... forever.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Desafinado Quarteto Jobim Morelenbaum


Se você insiste em clasificar meu comportamento de anti-musical , eu mesmo mentindo devo argumentar  que isso é bossa nova , isso é muito natural.

One For My Baby

Baryshnikov so, sooooo ....



It's quarter to three,
There's no one in the place 'cept you and me
So set 'em' up joe
I got a little story I think you oughtta know

We're drinking my friend
To the end of a brief episode
So make it one for my baby
And one more for the road

I know the routine
Put another nickel in that there machine
I'm feeling so bad
Won't you make the music easy and sad

I could tell you a lot
But you gotta to be true to your code
So make it one for my baby
And one more for the road

You'd never know it
But buddy I'm a kind of poet
And I've got a lot of things I want to say
And when I'm gloomy, won't you listen to me
Till it's all, all talked away

Well, that's how it goes
And joe I know you're gettin' anxious to close
So thanks for the cheer
I hope you didn't mind
My bending your ear

But this torch that I found
It's gotta be drowned
Or it soon might explode
So make it one for my baby
And one more for the road

DINIS MACHADO em REDUTO QUASE FINAL



                 Qual é o lado mais cómico disto?

   
    Uma das primeiras grandes revelações da minha infância, ao surpreender as coisas, foi verificar que me interrogava, invariavelmente, assim: qual é o lado mais cómico disto? Os desfiles militantes, as cerimónias religiosas, os cumprimentos obsequiosos e constrangedores, os adereços excessivos da autoridade, as exigências rígidas da hierarquia, os compromissos artificiosos. E eu: qual é o lado mais cómico disto? Daí a fazer esta pergunta interior em qualquer situação dramática, foi um passo. A doença , a brutalidade , a estupidez , a intolerância, a maldade pura, a alucinação despótica - até o leito do sofrimento, o leito da morte. E eu : qual é o lado mais cómico disto ?


    Andava nessa altura a rir-me muito com as caras burlescas do cinema, não sabia que Shakespeare e Bergman existiam, ainda não tinha lido alguns livros trágicos e patéticos - e se soubesse que devia ter a faculdade de me rir de mim próprio, sabia-o sem o saber. Quando uma vez caí, a patinar no passeio com botas cardadas, e parti o dente da frente, fiz a pergunta calada e sacramental, enquanto as pessoas olhavam para mim:
- Qual é o lado mais cómico disto?
     Quando a infância começou a ser perturbada por desetendimentos mais amplos com o real, insisti na defesa da minha alegria, do meu prazer de viver. E até na dor que retirava dos que amava ( dos meus avós, das minha velhas tias, por exemplo), e até na morte, que sempre me surpreendia, protegia-me com essa frase defensiva, essa armadura de sol, de chuva e de subir a escada a quatro e quatro.
    Creio que os cómicos do cinema me compreendiam melhor do que ninguém. Habitavam o coração do desastre com a desenvoltura, o corpo de borracha e a paciência dos grandes missionários da naturalidade.

quarta-feira, 30 de março de 2016

terça-feira, 29 de março de 2016

About Autism

Temple Grandin: autism in first person

The biopic of Grandin


A fascinating novel
The Curious Incident of the Dog In the Night-time
by
Mark Haddon

3428108"Chistophe Boone é o narrador deste magnífico romance, tem apenas 15 anos e sofre de autismo. Chistopher possui uma memória fotográfica, é excelente a Matemáticas e a Ciências, mas o que mais lhe custa compreender é «tão somente» a espécie humana. Detesta o amarelo e o castanho e ser tocado por alguém. Sozinho, morto, no meio do jardim, com uma forquilha atravessada. Este assasinato despertá-lo-á para uma longa odisseia que o irá ajudar a descobrir qual o seu verdadeiro papel no mundo. Um livro extraordinariamente bem escrito, comovente, repleto de um humor irónico e tocante."

segunda-feira, 28 de março de 2016

Blues da morte de amor


já ninguém morre de amor, eu uma vez

andei lá perto, estive mesmo quase,

era um tempo de humores bem sacudidos,

depressões sincopadas, bem graves, minha querida,

mas afinal não morri, como se vê, ah, não,

passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,

emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,

ah, sim, pela noite dentro, minha querida.

a gente sopra e não atina, há um aperto

no coração, uma tensão no clarinete e

tão desgraçado o que senti, mas realmente,

mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,

eu nunca tive queda para kamikaze,

é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,

saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,

e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.

há ritmos na rua que vêm de casa em casa,

ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.

mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha

no lusco-fusco da canção parar à minha casa,

o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,

minha querida, toda a gente do bairro,

e então murmurarei, a ver fugir a escala

do clarinete: — morrer ou não morrer, darling, ah, sim.



Vasco da Graça Moura

 Poezz Jazz Na Poesia Em Língua Portuguesa
(organização de José Duarte e Ricardo António Alves, Edição Almedina, Maio de 1964)

Joana Gama // Für Alina (Arvo Pärt)

(*****)

Derek and Clive are muppets

Hilarious

quinta-feira, 24 de março de 2016

terça-feira, 22 de março de 2016

A poesia popular do Minho

"Os lenços de namorados pelo que neles se escrevia bordando, pelo seu simbolismo e significado sentimental apresentam-se como a mais genuína forma de poesia popular utilizada pelas raparigas do Minho em idade de casar."
 Hoje é o dia mundial da poesia
Eu sei que é preciso muita imaginação, mas faz de conta que o que se vê em baixo é um desses lenços....
LCB

segunda-feira, 21 de março de 2016

Sofia Ribeiro e Gui Duvignau- "Era um redondo vocábulo". (Choir version) de José Afonso

Nunca gostei tanto desta canção.
Arrepia, esta  interpretação. E,  mais uma vez,  a voz com alma  de  Sofia Ribeiro está aqui. Mas não é a única e o entrosamento de tons e sons é excelente .
Alguém sabe quem mais canta aqui?


Voz - Sofia Ribeiro  e .......????
Gui Duvignau -contabaixo vocal, será?
 João Salcedo- Piano vocal, será?

A legenda do youtube está certamente errada.

sábado, 19 de março de 2016

Ó Paizinho....

 Hilariante, o diálogo entre o Pai , o alfaite  Caetano ( António Silva)  e a Filha Alice( Beatriz Costa) que é obrigada - "Paizinho eu vou fazer isto contrariada..."- a  cantar  "A Agulha e o Dedal,  da célebre  revista o  Pastel de Bacalhau" .
Brilhante, a  interpretação deste dois grandes actores. Oitenta e três anos depois esta cena continua a interessar e a fazer rir muita gente. É obra!

"A Agulha e o Dedal",  do filme "A Canção de Lisboa" (1933), o primeiro filme sonoro português, realizado em pleno Estado Novo por José Cottinelli Telmo.


 Para quem quiser explorar o tema , transcrevo  dois comentários públicos que me parecem relevantes e a letra da canção intercalada com algumas das "deixas " desta cena. 
 
 "
Estreou a 7-11-1933 em Lisboa. A estreia no Porto aconteceu, em simultâneo, nos cinemas Trindade e Olympia a 21-11-1933. Era apenas uma cópia. O filme começava e era projectado com desfasamento nos dois cinemas para que as bobines passassem de um cinema para o outro, As bobines tinham cerca de 10 minutos. Quando acabava uma bobine num dos cinemas, era rebobinada e alguém levava a bobine ao outro cinema. Eram outros tempos."António Tavares(http://tavares1951.no.sapo.pt/) 
"Comédia ponto. E bem feita. As alusões ao Estado Novo? Conferir o realizador, José Cottinelli Telmo. O arquitecto-chefe por trás da Exposição do Mundo Português em 1940. De resto, também lá estava o amigo Almada Negreiros, quem fez os cartazes.."( Rui Rocha)

A Agulha e o Dedal


Vem cá doida agulha, tão meiga e tão fina
Vem dar-me os teus lábios de açúcar pilé
Dedal não me apanhas, sou esperta e ladina
E mais retorcida que as de croché ("coroché")


Ai chega, chega, chega
Chega, chega ó minha agulha
Afasta, afasta afasta
Afasta o meu dedal ("didal")
Brejeira, não sejas trafulha
Ó bela vem coser o avental...

(-
Paizinho eu não lhe disse que esta do "a-a" ,  que não a dava?
 -AAAAAAA!!!!
-Isso é o Paizinho que tem um vozeirão...)


...do amor.
Ai chega, chega, chega
Chega, chega ó minha agulha
Afasta, afasta, afasta
Afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha,
Ó não, és a mais bela fresca agulha em Portugal!

(Homem: Voz de cana rachada!
- Vê paizinho, ao que me sujeito, vê?
- Vejo aquele sujeito, vejo, mas não perde pela demora!)


Eu sei que não me amas por não ser de prata
E que me desprezas por ser só de cobre
Dedal tu não chores, bem sei que és de lata
Também eu passajo na fralda do pobre

Ai chega, chega, chega
Chega, chega ó minha agulha
Afasta, afasta afasta
Afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha
Ó  bela vem coser o avental...

( -Esta agora ainda foi pior, paizinho ...
-Deixa lá  o avental e continua , filha ,ai!
)


...do amor.

Ai chega, chega, chega
Chega, chega ó minha agulha
Afasta, afasta, afasta
Afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha
Ó não, és a mais bela fresca agulha em Portugal!



Vim cá deixar mais esta cena... Não resisti, pronto.

domingo, 13 de março de 2016

Manuel João Vieira - A arte explicada aos mais pequenos.



O guia da arte contemporânea,  por si só uma obra de arte.

( dedicado ao Manel em agradecimento pela troca de impressões.....hmmmmm ...acaloradas que temos tido.)

NORAH JONES - I've Got to See You Again

Melt......


(Drummer + Guitar solo= (***** )

Lido e sublinhado...

(...) A verdade é que a curiosidade e o interesse por algumas pessoas não implica, talvez antes pelo contrário, a tolerância para com as multidões de pessoas ou até proximidade excessiva em relação às pessoas por quem sentimos curiosidade(...)

Paulo Varela Gomes- Era uma vez em Goa

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Samba e o Tango (Sofia Ribeiro & Andres Rotmistrovsky)

Há Portuguesas ( e Portugueses, claro) que valem ouro.
É o que se pode concluir quando se ouve Sofia Ribeiro a cantar.
Uma Joia, esta interpretação .



Sílvia Pérez Cruz i Cástor Pérez - Veinte años

Precioso, este vídeo.
Pai e filha  cantam juntos  ...    o cenário , comportamentos  e contrastes em realce  : um café típico de bairro , a idade e aparência dos figurantes,   além da cantora, as outras (poucas) mulheres aparecem de fugida, o jogo de cartas que continua, entretanto, como se se pudesse ficar indiferente ao que de extraordinário ali se passa ...   No entanto o aplauso  final mostra que não: é o reconhecimento de um momento emocionante, inesquecível  (eu sei lá! quantos adjectivos poderia encontrar para o qualificar), único .


O que vem da alma , nota-se e  arrebata.
A maior parte de nós não gosta, e isso acontece cada vez mais , de mostrar a alma... Também é verdade que não a mostra quem quer. Um tema que daria pano para mangas ...
A alma a que me refiro é a da Arte , aquela
 que se sente de imediato e arrebata. 
Silvia Perez Cruz tem esse dom: quando canta, encanta.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Freddie King - Ain't Nobody's Business (Live At The Sugarbowl 1972)


....And  if you like the  blues...  here it is  The Man ....Stunning,  this vídeo!  

Lenda do Rio Lima

Era uma vez um rio. Nascera, sem pressa, entre espessas penhas, numa serra galega, e, sem pressa, foi descendo um vale ameno, bordado de salgueiros e veigas viridentes, avistado, débil pela distância, dos altos montes revestidos de pinheirais, e onde, nos cimos, se abrigavam o refúgio e a agressividade de velhos castros.
Era azul e liso. Não tinha nome, ainda.
O povo que lhe usava as águas, para a rega, a pesca e a sede, era rude, selvagem, mal sabendo talhar na pedra o machado da lenha; a faca lascada para dilacerar a rês, destinada ao fulgor das brasas; a ponta de lança para a defesa e o ataque contra a violência que lhe roubava o gado e lhe raptava a mulher.
Pela calma do entardecer, a tingir de vermelho os céus do mar próximo, o pastor, recoberto de peles de fera, conduzia os rebanhos até às areias finas das margens, a beberem frescura na limpidez do rio, longa, longamente...
Mas esta paz de paraíso não tardou a ser perturbada pelo passo duro e cadenciado do soldado estranho.
A Roma imperial enviara as suas legiões aos campos agrestes da Ibéria, vencendo batalhas, edificando estradas lajeadas, as pontes, os aquedutos, as muralhas guerreiras, os templos para os deuses, os anfiteatros e as arenas para os prazeres da arte e do desporto. Elas invadiam, implacáveis, o bucolismo da paisagem doce, empunhando a agudeza da lança e o escudo de coiro lavrado, entre o arruído dos pesados carroções e o tropear febril dos cavalos.
E, um dia, eis que o arreganho destas legiões chega junto à margem sul do rio de que vos falo, com seus pendões rubros, constelados de águias, sacudidos por uma brisa mansa. E estaca, rendido, deslumbrado!
No arrebatamento da visão, toda a soldadesca excitada supõe estar diante daquele rio Lethes, o Rio do Esquecimento, um rio sem par de que lhe falavam as lendas e as narrativas do seu país.
E do Esquecimento, porquê?
Porque se dizia que quem ousasse atravessá-lo, enfeitiçado pela sua beleza, logo esqueceria a pátria, a família, o próprio nome.
Tomado de pavor pelos avisos desta condenação, todo o exército se recusou a mergulhar, naquelas águas encantadas, a poeira das sandálias, obrigadas a calcar o vau
da passagem que o levaria, sem perigo, à margem oposta.
Em vão os comandantes lhe davam ordem de avançar. Em vão o chefe supremo, Décio Júnio Bruto, lhe ameaçou a desobediência com a prisão e a morte.
Ninguém se movia dali, paralisado pela emoção e pelo medo. Mas Décio Júnio Bruto teve uma decisão feliz. Apeando-se do seu ginete, atravessou, lento, as águas feiticeiras, com o escudo a proteger-lhe a cabeça, a curta espada desembainhada na firmeza da mão.
E, mal atingiu o areal da margem direita, vencendo o rumorejar do arvoredo, o gorjeio mavioso dos rouxinóis, começou a bradar pelos seus homens, hirtos, perfilados à sua frente, como estátuas estáticas, proferindo, de cada um deles, o nome exacto, sem revelar esforço de memória.
Só desta forma convenceu os seus soldados que, afinal, o rio que lhes corria aos pés não era o Lethes do esquecimento, apesar da sua beleza, apesar do seu fascínio.
Então, todo o exército atravessou, sem hesitar, as águas claras e brandas, e seguiu para novas paisagens, novos montes e vales, novos rios, embora nenhum deles tão deslumbrante.
E aquele rio que, por um momento de paixão e de temor, fora baptizado de Lethes, continuou a correr, sem pressa, até ao desenlace da foz. O rio tem, hoje, o nome de Lima.
E, tal como outrora, ei-lo que fascina, pela sua beleza, quem dele se abeira, lhe escuta o leve fluir, já ladeado, agora, pela riqueza e nobreza das igrejas e santuários milagreiros; pelos escuros solares armoriados e a brancura alegre dos casais; pelo bulício de antigas povoações com suas elegantes pontes arqueadas sobre barcos pesqueiros; e, por todo o horizonte, as torres, os pelourinhos, as cruzes...
Rio do Esquecimento? 

Não.
Rio da Lembrança.
Lembrança viva destas terras amoráveis, por onde desliza e que parece beijar.


António Manuel Couto Viana
Lendas do Vale do Lima
Ilustração de  António Vaz Pereira



 
,
Ponte de Lima, Valima, Associação de Municípios do Vale do Lima, 2002

Camille "Suis-moi" - C à vous -

S’parle
C’est si bon quand on s’parle!
Si haut ici-bas...
Padadadi poudoupa papadidouda




Suis-moi", extrait de la bande originale de l'adaptation en film d'animation du "Petit prince".
24 Juin 2015

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Manuel António Pina, os gatos , os poemas , o provérbio....


"(....)Dou-me bem com os gatos* porque eles, os animais em geral, estão muito próximos do Ser. Como estão alguns personagens literários. Relaciono-me com eles com alguma melancolia, porque "quem me dera ter a tua inconsciência, e a consciência dela" - como escreve Pessoa." - ( excerto do artigo publicado a 26/4/2009, na Pública) 


*Tinha oito.


"
À noite todos os poemas são pardos"- M.A.P.
(como os gatos, lá diz o provérbio....)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Jon Batiste Performs 'Blackbird'

In honor of the release of The Late Show EP and the 52nd Anniversary of The Beatles' performance at the Ed Sullivan Theater, Jon Batiste performs "Blackbird."





terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Adoniran Barbosa e Elis Regina 1978 (completo)




Encontro de Adoniran Barbosa e Elis Regina.
Músicas: "Iracema", "Um samba no Bexiga" e "Saudosa Maloca".
Bar da Carmela
Bairro: Bixiga
Cidade: São Paulo
1978

Encontraram-se num Boteco ( o que eu gosto desta palavra...) do Bairro do Bixiga (  formado por emigrantes italianos e  um dos mais tradicionais de São Paulo).
Tudo, mas tudo neste vídeo me emociona e faz sorrir: os lugares, a decoração, a época e ,sobretudo, os personagens... Enormes na sua simplicidade alegria , admiração mútua, empatia...
É pena que a conversa entre os dois se perca nas traduções necessárias para quem não fala Português, pois trata-se de um documento histórico absolutamente precioso para todos quantos      têm interesse pelos costumes e pela música  do Brasil.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

David Garrett – "Carnevale di Venezia" of Niccolo Paganini

O meu chapéu tem três bicos
Tem tês bicos o meu chapéu
Se não tivesse três bicos
O chapéu não era o meu.....


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Make You Feel My Love - Bob Dylan (Video Charlie Chaplin - City Light)

The storms are raging on the rollin' sea
And on the highway of regrets
The winds of change are blowing wild and free
You ain't seen nothin' like me yet.



 Peter Head on piano


 * There are thousands covers of this song, most of them following Adele cover...But this is a Bob Dylan song and no one sings Dylan like Bob did....that's the way I feel it*

sábado, 23 de janeiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Brian Eno - By This River

You talk to me
as if from a distance
And I reply
With impressions chosen from another time, time, time,
From another time.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Edifice - meaningful partnership through dance

Edifice is about relationships built very much like a house. Isolated forms bend, flow and connect to create a unified mass. A structure that shelters and nurtures those within.


"I think showing a woman allowing a man to not have to always be strong and dominant all the time, but to be able to be vulnerable and supported is really beautiful." ( Jillian Adel )

Directed, shot and edited by Rogerio Silva
Choreographed and performed by Carmine De Amicis and Harriet Waghorn
Music by Alaskan Tapes "Then Suddenly, Everything Changed 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

sábado, 2 de janeiro de 2016

Moves To Combat Holiday Stress - Kristi Cooper


 Kristi Cooper it's a wonderful Pilates and well known Pilates teacher,
Her simplicity and the way she explains the exercises are remarkable. She is "sooo" expressive, no boring , funny, imaginative, informal. Her workouts are just great and challenging.

When I see her classes on Pilates Anytime, I always think she is talking to me. She motivates me to practice.
Awesome!!

 

Memórias das Infâncias



Gostávamos muito de doce de framboesa

e deram-nos um prato com mais doce de framboesa

do que era costume

mas

a nossa criada a nossa tia-avó no doce de framboesa

para nosso bem

porque estávamos doentes

esconderam colheres do remédio

que sabia mal

o doce de framboesa não sabia à mesma coisa

e tinha fiapos brancos

isso aconteceu-nos uma vez e chegou

nunca mais demos pulos por ir haver

doce de framboesa à sobremesa

nunca mais demos pulos nenhuns

não podemos dizer

como o remédio da nossa infância sabia mal !

como era doce o doce de framboesa da nossa infância !

ao descobrir a mistura

do doce de framboesa com o remédio

ficámos calados

depois ouvimos falar da entropia

aprendemos que não se separa de graça

o doce de framboesa do remédio misturados

é assim nos livros

é assim nas infâncias

e os livros são como as infâncias

que são como as pombinhas da Catrina

uma é minha

outra é tua

outra é de outra pessoa

 Adília Lopes
(O Decote da Dama de Espada
s )


*Lá em casa também havia imensas( crescem como mato ,quase não precisam de cuidados) e quase todos gostavámos de doce de framboesa.... mesmo que não gostássemos, comíamos . Todos os dias. Havia tanto... tinha que se lhe dar vazão.

Não nos deu a veia. .. Aliás a Adília Lopes é única .

Com o passar do tempo e a chegada dos netos, as pessoas tornam-se mais tolerantes, amaciam. Assim também lá em casa: o doce deixou de ser impingido .


Um dia, à hora do lanche , entre uma criança de quatro anos e a sua avó:
- Quer compota, Manel?
- Sem pota, Vó , obrigado.

Que me lembre, foi este o diálogo mais poético que, entre nós, aconteceu a propósito de framboesas.
LCB