segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bom Natal, Joyeux Noel, Merry Cristmas!

 Uma Canção , três versões:

Lou Rawls - Merry Christmas Baby (Capitol Records 1967)



Ramsey Lewis Trio - Merry Christmas Baby (Argo Records 1961)
 



sábado, 20 de dezembro de 2014

NATAL CHIQUE



 Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio

Xutos & Pontapés - "Minha Casinha" (Uma Noite de Natal - 1988)


!i******!i

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Bobby Mcferrin - Moondance

 O original é de Van Morrison, muito bom , mas esta versão é... uma joia.

domingo, 14 de dezembro de 2014

A Incapacidade de Ser Verdadeiro (Carlos Drummond de Andrade)


  Declamação por AntónioAbujamra : a arte de bem dizer poesia.
 
"O Abujamra tem o dom de deixar lindo o que já era bonito demais!!


Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:

- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
Carlos Drummond de Andrade. Deixa que eu conto. São Paulo: Ática, 2003

Sodade - Kepa Junkera & Dulce Pontes


 Espantosa interpretação, imagens belíssimas.

Interessante a discussão  à volta da palavra Sodade,  Saudade em português , quando se trata de a traduzir para outras línguas...



The Walkmen - Lisbon


 Só as imagens são  de Lisboa.... mas a canção é agradável. Aqui fica.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Senhora da Boa Morte pela Escola de Cordas da Correlhã

 Sim, foi o Cante Alentejano que foi declarado património de Humanidade. Fico contente, claro, é  bom para Portugal, aprendi imenso nestes últimos dias.
No Minho e noutras regiões de Portugal  há cantares,  tocares, dançares  fabulosos , alguns dos quais  já tenho publicado nestas bandas.... o que não há , parece,  é interesse real das  instituições em promove-los. Que pena!
Aqui fica mais uma amostra.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

African Healing Dance with Wyoma

A Arte no seu melhor
Feliz integração corpo-mente-sensualidade
Lindo!


Lindo!


How To Fix A Flat Back (animation)

Lordose é uma das curvaturas da coluna vertebral (para dentro). Quando vista de frente a coluna é recta, porém quando a observamos de lado ela possui quatro curvaturas fisiológicas, duas voltadas para trás e duas para frente. As curvaturas que possuem a concavidade voltada para trás chama-se lordoses. Dentre as lordoses temos a cervical, que fica na região do pescoço, e a lombar, mais perto do abdômen. Quando há alguma alteração nestas curvaturas dizemos que existe um problema de lordose.

As curvaturas que são voltadas para a frente chamam-se cifoses. Estas são estruturas primárias do corpo humano, já que seu desenvolvimento se dá ainda no período embrionário. As lordoses são secundárias, pois só são adquiridas quando a pessoa aprende a manter a coluna erecta. Estas curvaturas secundárias possuem grande mobilidade e são consideradas extremamente importantes para o movimento.

Qualquer espécie de alteração nestas regiões da coluna vertical influi no organismo como um todo e pode levar a quadros patológicos. Um aumento na curvatura da lordose recebe o nome de hiperlordose. A redução desta, de hipolordose ( Flat Back)


Este vídeo simples e eficaz ensina a corrigir a hipolordose de forma simples e eficaz .
 Excelente, a sugestão de pensarmos na bacia como um balde cheio de água,  tão usada nas aulas de pilates.


sábado, 18 de outubro de 2014

Fado Triste - Vitorino

Belíssima canção da música portuguesa.
Embora aqui Vitorino cante para o álbum "Dia de Concerto" do grupo Rio Grande, o tema pertence ao álbum "Canção do Bandido"  onde se pode ler que "A Canção do Bandido" é o retrato fiel de quem sempre viu na música emoções e não modas..-"
Revejo-me nesta palavras. Música sem emoção não é.



Letra e musica de Vitorino

Shanelle Gabriel — Why I Love You on Def Jam Poetry

 Espantosa , a forma como esta mulher diz... fiquei rendida.



Canned Heat - On The Road Again

 Especialíssimo!
 
Jantar de rapazes, a pouca calma de sempre, euforia, cansaço, irritação de fim de dia .... e eis que um deles atira ao outro: 
- Cala-te! Pareces a peixeira de Aljubarrota!

Lorenzo Jovanotti Cherubini - Lugar Comum (Sergio Mendes)

Refrescante


domingo, 12 de outubro de 2014

Benjamen Zander - Leadership on Display

Heavily edited version of Benjamen Zander's 2008 Pop!Tech presentation for use in a university "Leadership" course.

With charismatic, subject expert, motivational leadership, Benjamen Zander transforms 15-year-old cellist Nikolai from a nervous and self-conscious student to a 'performer' before our very eyes.

 Inspiring ,Amazing, Wonderful , Beautiful.!
 Just love Benjamin Zendler and his work
(Quem não vir não sabe o que perde....) 






A propósito:

http://oculosdomundo.blogspot.pt/2012/01/o-maestro-jose-atalaya-da-minha.html





sábado, 11 de outubro de 2014

Do Tempo da Outra Senhora: Efemérides de Outubro (Nova versão)

 Um blogue com muito interesse:
Do Tempo da Outra Senhora: Efemérides de Outubro (Nova versão): 11 de Outubro A 11 de Outubro de 1895, pelas 5 da tarde, chega a Santiago do Cacém o primeiro automóvel a circular em Port...

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Jobim/De Moraes - Chega de Saudade - Rosa Passos/Yo-Yo Ma

Uma das minhas canções favoritas da Bossa Nova.....
Instrumental, voz,  interpretação... Que bonito que isto é!
    

A Briga



Afirmas que brigámos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
E vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo – é minha – a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
Não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
Que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
É meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?
De quem é esta briga? Não me lembro.

Rosa Lobato de Faria

domingo, 5 de outubro de 2014

Corinne Bailey Rae - Que Sera Sera -


Pela segunda vez publico uma versão  deste tema, cantado originalmente por Doris Day, que  me toca especialmente.



When I was just a little girl
I asked my mother, what will I be
Will I be pretty, will I be rich
Here's what she said to me.

Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.

When I was young, I fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will we have rainbows, day after day
Here's what my sweetheart said.

Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.

Now I have children of my own
They ask their mother, what will I be
Will I be handsome, will I be rich
I tell them tenderly.

Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pois é

" É só pelos momentos em que estás na Lua que vale a pena viveres na Terra."
  In sexus veritas, de Pedro Chagas Freitas.

domingo, 28 de setembro de 2014

Stormy Weather - Hugo Diaz

 As redes sociais criam laços fortes entre gente que  não se vê, nunca esteve junta e, com muita probabilidade nunca se verá... Foi o que aconteceu entre mim e o Carlos Ramos, uma  das primeiras pessoas a juntar-se a mim neste blogue.
 Um dia resolveu " aparecer " como Stormy Weather (havia quem lhe chamasse My..) Nessa  altura mandei-lhe  a melodia com esse nome, interpretada pelo Hugo Diaz . O Carlos , que sabia e gostava imenso de música,  respondeu-me :
 - Gostei mesmo! Quase tão bom quanto o Toots!
 Nem a propósito, hoje  temos tempestade por cá.... Mas O My está nas calmas por lá.. 


STORMY to (Stor)
MY




Eu fiz um acordo com o tempo...

Nem ele me persegue, nem eu fujo dele...
Qualquer dia a gente se encontra e,
Dessa forma, vou vivendo
Intensamente cada momento...

Mário Lago

sábado, 13 de setembro de 2014

Gospel Music-Neal Roberson-Black Músic-Soul Gospel-

 This is man is an amazing singer, a great performer
 The happiness in their faces...Just love it!

Alain de Botton: A kinder, gentler philosophy of success

"What is a snob? A snob is anybody who takes a small part of you and uses that to come to a complete vision of who you are.That is snobbery.
The dominant kind of snobbery that exists nowadays is job snobbery(...)"What do you do?" And according to how you answer that question, people are either incredibly delighted to see you, or look at their watch and make their excuses.
Now, the opposite of a snob is your mother Not necessarily your mother, or indeed mine, but, as it were, the ideal mother,somebody who doesn't care about your achievements."

 

And so on.
Interesting thoughts on the concept of success.
 Intelligent, simple , funny. A great speaker .

sábado, 23 de agosto de 2014

Provincianos por Mae Preocupada

Lido em Mãe Preocupada, um blogue que não pára de me surpreender. Muito bom.http://maepreocupada.blogspot.pt/2014/08/provincianismo.html


Provincianos
O provinciano não é o que está encafuado no interior do país, não vive na ignorância e no espanto do google e dos QR Codes, não cheira a mofo nem a fumeiro, não é o que se mete num taxi para ver o mar, aquele a quem cai o queixo quando vê o Centro Cultural de Belém, a livraria Lello, as esplanadas mais cotadas nos guias e revistas, não é o que se ficou pela quarta classe, o que usa os animais para aliviar tensões ou parou no tempo da outra senhora. O provinciano português, tão mal disfarçado que chega a enternecer, tão antigo e presente que pode assustar, é o que comete a proeza linguística de compor por justaposição a arrogância e a subserviência, tem prazer em estender o pé para que lhe engraxem as botas enquanto se curva para as lamber a outros, e este modo empertigado de ajeitar a roupinha para logo a seguir a tirar e se virar de costas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Danças e cantaes do Minho- Cantadeiras do Vale do Neiva

  Nem só de concertinas,chulas e viras é feito o folclore  minhoto. Nesta região canta-se muito e bem , de forma muito própria. Vulgarmente desvalorizados como se tratassem de  gritos e vozes esganiçadas, os cantares do Minho são afinadíssimos nos seus tons agudos e ricos nas palavras. Pena é que não sejam mais divulgados ( ao contrário do que acontece  relativamente ao que se canta noutras regiões , nomeadamente o Alentejo) e que pela  internet pululem vídeos de registo de som e imagem de péssima qualidade. É uma coisa que me custa a compreender . 
Por isso hoje publico  em primeiro lugar um  filme realizado há muito tempo .
 Nas palavras de José  Luís da Rocha Paris  a quem agradeço esta oportunidade " Este vídeo (...)foi filmado em Vila Praia de Ancora há muitos anos pelo menos 15 anos. Mesmo 17 anos. Por um lado foi Jean-Pierre Bertrand quem o filmou e por outro lado eu próprio. Infelizmente nessa altura a minha câmera que era muito boa não chegava para dar toda a luz a essas cantadeiras do Neiva"
 




Mas  as Cantadeiras do Vale do Neiva existem ainda hoje e, na minha opinião, são um dos melhores grupos de cantares do Minho da actualidade.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Music Gallery - John Clayton - The Walking Bass

Não passo um dia sem te desejar



Nice, ano IV, 30 de Março de 1796

Não passo um dia sem te desejar, nem uma noite sem te apertar, nos meus braços; não tomo uma chávena de chá sem amaldiçoar a glória e a ambição que me mantêm afastado da vida da minha vida. No meio das mais sérias tarefas, enquanto percorro o campo à frente das tropas, só a minha adorada Josefina me ocupa o espírito e coração, absorvendo-o por completo o pensamento. Se me afasto de ti com a rapidez da torrente de Ródano, é para tornar a ver-te o mais cedo possível. Se me levanto a meio da noite para trabalhar, é no intuito de abreviar a tua vinda, minha amada.


E no entanto, na tua carta de 23, tratas-me na terceira pessoa, por Senhor! Que mazinha! Como pudeste escrever-me uma carta tão fria? E depois, entre 23 e 26 medeiam quase quatro dias: que andaste tu a fazer, porque não escreveste a teu marido?... Ah, minha amiga, aquele tratamento do “senhor” e os quatro dias de silêncio levam-me a recordar com saudade a minha antiga indiferença. (…) Isto é pior que todos os suplícios do Inferno. Se logo deixaste de me tratar por tu, que será então dentro de quinze dias?! Sinto uma profunda tristeza, e assusta-me verificar a que ponto está rendido o meu coração. Já me queres menos, um dia deixarás de me querer completamente; mas avisa-me, então. Saberei merecer a felicidade…

Adeus, mulher, tormento, felicidade, esperança da minha vida, que eu amo, que eu temo, que me inspira os sentimentos mais ternos e naturais, tanto como me provoca os ímpetos mais vulcânicos do que o trovão. Não te peço amor eterno nem fidelidade, apenas a verdade e uma franqueza sem limites. No dia em que disseres: “Quero-te menos”, será o último dia do amor. Se o meu coração atingisse a baixeza de poder continuar a amar sem ser amado, trincá-lo-ia com os dentes.

Josefina: lembra-te do que te disse algumas vezes: a natureza faz-me a alma forte e decidida. A ti, fez-te de rendas e de tule? Deixaste ou não de me querer? Perdão, amor da minha vida. A minha alma está neste momento dividida em várias direcções e combinações, e o coração, só em ti ocupado, enche-se de receios…
Enfada-me não te chamar pelo teu nome, mas espero que sejas tu a escrevê-lo.
Adeus. Ah, se me amas menos, é porque nunca me amaste. Tornar-me-ias então digno de lástima.


Napoleão

P.S. – A guerra este ano está irreconhecível. Mandei distribuir carne, pão, e forragens à minha cavalaria prestes a pôr-se em marcha. Os soldados patenteiam-me tal confiança que não tenho palavras para descrever-te. Só tu me causas desgostos. Só tu, alegria e tormento da minha vida. Um beijo aos teus filhos, de quem não me dás notícias. Ai, não! – levar-te-ia a escrever o dobro, e as visitas das dez da manhã não teriam o prazer de te ver. Mulher!!!


* há versões mais curtas e ligeiramente diferentes desta casta. Esta é a mais completa que encontrei . Não é, no entanto, garantido que todo o seu conteúdo seja autêntico

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sólo quiero caminar

Tremenda versión de la cación de Paco de Lucía 'Sólo quiero caminar' incluido en el trabajo '10 de Paco'.
Jorge Pardo, Chano Domínguez, Javier Colina, Tino de Geraldo y Conchi Heredia 'Chonchi' al cante.

Raimundo Amador El Blues de los niños

 Ai Mamaita!!!!

"A true Flamenco-Blues-Rock man. All Heart and Soul." 

Fools Fall in Love- Jonh Pizzarelli

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Nick Cave - Into My Arms



I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candles burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Petra Magoni e Ferruccio Spinetti - Bach aire

 Alma....
 

"Al Jarreau wrote this splendid texte for Musica Nuda Duet "

One song of Love is never done,
 / Never long /
 Before the love that brings the dawn /
 Before the love that brought the sea /
 And the sunlight together /
 In splendor when first life was born /
 One song of Love is never done, /
 Never long /
 Before the love that brings the dawn /
 Before the love that brought the sea /
 And the sunlight together /
 In splendor when first life was born //
 Under the wandering sky /
 Or wander your heart to find /

domingo, 13 de julho de 2014

The Band Wagon - Fred Astaire and Cyd Charisse

Por causa desta cena de dança que sempre me fascinou , encontrei um blogue, http://blog.corewalking.com/the-beauty-of-core-stability/  de    cuja  leitura recomendo, pois tece considerações assertivas a respeito da importância de um core, centro de força ou musculatura do tronco forte e estável  para que  braços e pernas possam  mover-se  de forma leve ,ampla e graciosa.  Afirmação que, sendo ilustrada com uma belíssima cena de dança e excelentes bailarinos , pretende chamar a atenção para as  actividades quotidianas de todo e qualquer ser humano, realizadas  cada vez mais de forma automática e inconsciente através de movimentos fechados,rígidos  ou "doridos" curtos  pesados e deselegantes.....( uuuiiii!)
   Exercitar e fortalecer a musculatura do tronco é primordial e uma questão de bom senso.
Exercício é movimento e movimento é vida . Movimentos com qualidade , significam qualidade de vida e bem-estar (aaaahhhh....)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro

O nosso vinho era bom. No paladar, na cor, no equilíbrio do gás, sem cristais, engarrafado com direito a rótulo, a gravata de ráfia e a lacre, timbrado com as armas dos antepassados. Era o melhor ganho que a terra nos dava e qualquer ameaça às nossas latas carregadas, carinhosamente enxertadas, podadas e sulfatadas, fazia explodir a ira de meu Pai. Era ele que enxertava e que podava, que levava dias de Abril e Maio a ver os gomos, o desenvolvimento dos gomos. Depois os cachos e o desenvolvimento dos cachos. A catar ladrões pelas videiras acima e a instruir a canalha que vigiava as vacas, que em vez de andarem a pasmar, fossem tirando os ladrões às videiras. Cada enxerto pegado era coisa de se ir ver. Naqueles dias ainda frios de Dezembro e Janeiro, que era a época da poda, passava o tempo em cima do cavalete e tinha uma tesoura especial. Aliás, toda a ferramenta dos seus trabalhos era especial e não tinha permissão para andar na baila. A cesta da enxertia era um tesouro, a ver em exclusivo com os olhos. E trabalhos que metessem videiras eram altos cargos a pedir protocolo.




Meu Pai fumava muito e só de pensar que outro cancro o podia levar de vez, me dava horas de insónia e sessões de choro na cama. Todos os anos, o jeito de ele podar, fazia-lhe gretar o dedo anelar. Ao almoço, inspeccionava a ferida, deitava-lhe mercúrio-cromo e vinha, do toutiço às orelhas, carregado de cisco da vinha. Gostava de o sacudir. Gostava daquele cheiro dele, a tabaco versus lavanda, misturado com o cheiro lá de fora impregnado na lã da camisola. Sabes quantos cigarros fumei desde manhã? Quatro. A podar fumo menos. Nesse tempo fumava um tabaco de enrolar, acabado de lançar pela nossa Tabaqueira. E eu, que morria que ele morresse, pensava com os meus botões que o tabaco o ia matar e seria mesmo bom que demorasse muito a podar a quinta toda, que os homens sábado e domingo não o pudessem vir ajudar, que sempre fumava menos e assim fintava a morte.



A nossa vinha era “do tarde”. Com o ribeiro a tornear a quinta, num baixo e muito irrigada, fazia a terra mais fria e lenta. Ou seja, a nossa agricultura brotava sempre mais tarde que a dos outros e vinha mais exuberante. Fomos, durante anos, quem mais milho produziu por hectare no concelho. Éramos os últimos a lavrar, a semear, a colher. Na reunião anual com a Adega Cooperativa acertávamos as datas mais finais para entregar as uvas. Como não tínhamos caseiro, não havia partilha de cachos, nem discussão de meias ou de terços. Para mim, coisa ruim. Tinha tido a sorte, num ano em que um tio, por ausência, me incumbiu de lhe tomar conta da vindima e de verificar a partilha. Com direito a ordenado, foi um ver se te avias a contar cestos – um para eles, dois para nós – e a marcar com a navalha, na chibata de oliveira. Mas lá em casa, a sina ditava que vindimasse, que acarretasse, que apanhasse bagos do chão, ou que ficasse à moenga. À escolha. Apanhar bagos nunca me entusiasmou. Quando ganhei corpo, gostava de carregar ao ombro, como os homens, ou de mostrar a força na manivela da moenga e na alavanca da prensa. As raparigas fortes eram mais acarinhadas.



Sem sombra de dúvida que colheita empolgante era a vindima. Permitia toda a espécie de gente: homens, mulheres e crianças. Merendava-se bem, reinava a alegria e enchia-se a barriga de uvas diversas: morangas, dedo de dama, e ainda havia uma videirinha trazida do Douro, por graça, que dava umas uvas muito doces. Nada disso entrava nos balseiros que iam para a Adega. Deus nos livre de traçar o vinho. E a tarefa pedia traje a rigor: chapéu, boina ou lenço à cabeça, uma camisa velha e dois farrapos: pr’á rodilha e pr’ò “purso”. A rodilha pede um pano grosso, para calçar o cesto sem trilhar a cabeça. O pulso, pede um lencinho da mão, em jeito de ligadura, que impeça as pingas de escorrerem pelo braço até ao sovaco e o incomodativo cola-descola. Ainda que “quanto mais colar, maior é o grau”. Mas isso era medido à entrada da Adega e não nos competia a nós, simples jornaleiros, aferir açúcares.



Quando o vinho verde entrou nas bocas do Mundo e a Adega Cooperativa tudo fazia para chamar a si as colheitas e cobrir as encomendas, muitos deixaram de ter o trabalho em casa. Caíram em desuso os lagares, acabaram as noites de pisadas e o cheiro de brolho fermentado. Ficava o suficiente para o consumo do ano, em alguns casos, e o resto seguia nas carrinhas dos tractores para a Cooperativa, onde os sócios se abastecem à vontade, descontando no ano seguinte e dispensando-se o uso de dinheiro. Um luxo. Na vila, à boca da ponte, os miúdos esperavam os tractores para se empoleirarem no taipal traseiro e apanharem a boleia até à Adega. Sempre enchiam o bandulho e armavam um pagode a atirar bagos a quem passava. Era a única fila de trânsito que conhecíamos, feita de tractores e meia dúzia de carros de bois, noite e dia, desde o fim de Setembro até meados de Outubro. Era a aldeia a vir à vila, sem ideia de ir ao tasco ou à missa, e a vila orgulhosa dos seus lavradores, desejando-lhes muitas pipas. E era, também, o meu momento de glória.



Meu Pai ia à vida dele e confiava-me o tractor. Puxas à frente, desengatas e desligas. A emoção era tal que quase caía numa tentação do diabo: tratá-lo pelo nome. Ok Zé. Ele tão bonito... boa figura, olho cor de sulfato, um fidalgo com coração simples. Gostava de conviver, metia-se nas tascas todas as noites, adorava a gente da sua terra, de os ouvir, de lhes dar coisas, de trocar favores. Vens-me cá podar, afogo-te em vinho e lavro-te o campo grande. Conhecia-os de gingeira. Aos domingos, metia-os no carro e iam lanchar a Tuy. Para alguns, continuava o menino Zézinho. As peixeiras vibravam com ele. Zéziiinho! e quando uma bez me lebou no motão? Cala-te mentirosa. Ai num s’alembra? Ha, ias com as pernas todas à mostra. Isso é que tu gostavas, ordinária... Ai que bããodido. A menina num bá no que diz o paizinho oubiu? Doce, bom mas bruto, cegava de raiva e berrava sem acanho onde quer que fosse. Era justo, mas usava da força para intervir por um amigo, pela Mulher, pelos sobrinhos... menos por mim. Se forem maiores que tu, agarras no que estiver à mão e dás-lhes.



Conheci-o ainda antes de todas as muitas vindimas, peixeiras e lavradores, como topógrafo da Celulose de Angola. Usava bons botins de carneira, passava dias fora de casa, voltava cheio de pó e de saudades e era o herói dos seus ajudantes a quem chamava “os meus capatazes”. Nenhum branco mandava comprar uma grade de cervejas todos os dias para o pessoal beber nas longas horas que passavam no mato. Quando deixamos o Alto-Catumbela, esses homens formaram uma barreira à nossa frente, choraram como crianças e vi o meu Pai abraçar um por um, desfigurado de tanto desespero.

GUI ABREU LIMA
(DaLheGas)
7 de Maio de 2012

sábado, 5 de julho de 2014

Jerry Lewis-The Errand Boy-STEREO-Count Basie-Boss Pantomime

Just Love It!

Cabernet - vidala para mi sombra

Que Bonito!


Vidala para mi sombra -
(Julio Santos Espinoza)

A veces sigo a mi sombra
a veces viene detrás,
pobrecita si me muero
con quién va a andar.

No es que se vuelque mi vino,
lo derramo de intención,
mi sombra bebe y la vida
es de los dos.

Achatadita y callada,
dónde podrás encontrar
otra sombra compañera
que sufra igual.

Sombrita cuidame mucho
lo que tenga que dejar,
cuando me moje hasta adentro
la oscuridad.

Cabernet - vidala para mi sombra

Que Bonito!


Vidala para mi sombra -
(Julio Santos Espinoza)

A veces sigo a mi sombra
a veces viene detrás,
pobrecita si me muero
con quién va a andar.

No es que se vuelque mi vino,
lo derramo de intención,
mi sombra bebe y la vida
es de los dos.

Achatadita y callada,
dónde podrás encontrar
otra sombra compañera
que sufra igual.

Sombrita cuidame mucho
lo que tenga que dejar,
cuando me moje hasta adentro
la oscuridad.

The Squat Song

The Squat Song from Denise Kaufman on Vimeo.

sábado, 28 de junho de 2014

domingo, 8 de junho de 2014

eça

"Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão."
 Eça de Queiróz

sábado, 7 de junho de 2014

Júlio Resende / Amália Rodrigues - GAIVOTA




Gaivota é um fado cantado originalmente por Amália Rodrigues , com letra de Alaxandre O'Neill, música de Alain Oulman.




GAIVOTA

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.

Receita pra lavar palavra suja

Receita pra lavar palavra suja - Viviane Mosé from Ines Cozzo on Vimeo.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Viviane_Mos%C3%A9




Receita pra lavar palavra suja


Mergulhar a palavra suja em água sanitária,

Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.

Algumas palavras quando alvejadas ao sol

adquirem consistência de certeza,

por exemplo a palavra vida.

Existem outras e a palavra amor é uma delas

que são muito encardidas e desgastadas pelo uso,

o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra,

depois enxaguar em água corrente.

São poucas as que ainda permanecem sujas

depois de submetidas a esses cuidados

mas existem aquelas.

Dizem que limão e sal tiram as manchas mais difíceis e nada.

Todas as tentativas de lavar a piedade foram sempre em vão.

Mas nunca vi palavra tão suja

como a palavra perda.

Perda e morte na medida em que são alvejadas,

soltam um líquido corrosivo

—que atende pelo nome de amargura—

capaz de esvaziar o vigor da língua.

Nesse caso o aconselhado é mantê-las sempre de molho

em um amaciante de boa qualidade.

Agora se o que você quer

é somente aliviar as palavras do uso diário,

pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.

O perigo aqui é misturar palavras que mancham

no contato umas com as outras.

A culpa, por exemplo, mancha tudo que encontra

e deve ser sempre clareada sozinha.

Uma mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,

já que desejo sendo uma palavra intensa, quase agressiva,

pode, o que não é inevitável,

esgarçar a força delicada da palavra amizade.

Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.

Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras

sob o risco de perderem o sentido.

A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva

produz uma oleosidade que conserva a cor

e a intensidade dos sons.

Muito valioso na arte de lavar palavras

é saber reconhecer uma palavra limpa.

Para isso conviva com a palavra durante alguns dias.

Deixe que se misture em seus gestos

que passeie pelas expressões dos seus sentidos.

Á noite, permita que se deite,

não a seu lado, mas sobre seu corpo.

Enquanto você dorme

a palavra plantada em sua carne

prolifera em toda sua possibilidade.

Se puder suportar a convivência

até não mais perceber a presença dela,

então você tem uma palavra limpa.

Uma palavra limpa é uma palavra possível.

VIVIANE MOSÉ

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Hadden Sayers - Back to the Blues (feat. Ruthie Foster)


Music to the soul...  

Retratos De Uma Cidade Branca



Retratos De Uma Cidade Branca

Onde estão os meus amigos?
Remotas memórias
Saltitam
Pululam
Cheiros / odores / miragens
O café
O sorriso
Olá como está!
E outras encenações
A novidade
A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal

Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha / navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha / copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos / vinhos de Torres
Jogging de Marvila

Domingo
Especialmente domingo
Barbeados / dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio / moderno / kitch / mau gosto
12 cordas / mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos / enjaulados
Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso

E a Lisnave / petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas
E eu impotente / cinemascope / 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente

Paga-se a saudade com cartão de crédito

Táxi
Leva-me para onde está o meu amor
Táxi
Leva-me para lá de mim
Táxi
Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios.
Sam The Kid

Quando Chega uma Carta Tua


Quando chega uma carta tua todas as divagações acabam, e acordo para a vida. Todos os problemas estranhos deixam de ter importância, os misteriosos quadros de doenças se desvanecem, e acabam-se as teorias vazias «de acordo com o estado presente da ciência», como elas são chamadas. Então o mundo fica tão acolhedor, tão alegre, tão fácil de compreender. A minha doce querida não é uma ilusão, ela não tem que ser comprovada por testes químicos; de facto ela pode ser observada a olho nú. Ainda bem que ela não tem nada a ver com doenças – e espero que continue – excepto por ter sido suficientemente imprudente para tomar um médico para amante. Oh Marty, é muito mais gratificante ser um ser humano em vez de um armazém de certas experiências monótonas. Mas ninguém se pode permitir a ser um ser humano por uma hora a não ser que tenha sido uma máquina ou um armazém por onze horas. E aqui chegámos, onde começámos.

Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 9 de Outubro 1883 (excerto)



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Oh my love ♪ Jacky Terrasson & Cécile McLorin Salvant ♪♫ deaprojekt

Beautiful!.
It's made my day today.



Oh my love for the first time in my life
My eyes are wide open
Oh my love for the first time in my life
My eyes can see

I see the wind
Oh, I see the trees
Everything is clear in my heart
I see the clouds
Oh, I see the sky
Everything is clear in our world

Oh my love for the first time in my life
My mind is wide open
Oh my lover for the first time in my life
My mind can feel

I feel the sorrow
Oh, I feel dreams
Everything is clear in my heart
I feel life
Oh, I feel love
Everything is clear in our world

John Lennon

terça-feira, 20 de maio de 2014

Atirei o pau ao gato- Eugénia Melo e Castro


Miau!!!!



(..... a completar depois....)

AQUELE CASAL

Aquele casal, o marido me honra com suas confidências:
- Ultimamente, a Elsa anda um pouco estranha. Não sei o que é, mas não me agrada a sua evolução.
- Como assim?
- Deu para usar estampados berrantes, de mau gosto, ela que era tão discreta no vestir.
- É a moda.
- Pode ser o que você quiser, porém minha mulher jamais se permitiu esses desfrutes.
- Deixe Dona Elsa ser elegante. Não há desfrute em seguir o figurino.
- Se fosse só o figurino. São as maneiras, os gestos.
- Que é que tem as maneiras, os gestos?
- A Elsa parece uma menina de quinze anos. Ficou com os movimentos mais leves, um ar desembaraçado que ela não tinha, e que não vai bem com uma senhora casada.
- Posso dar opinião? As senhoras casadas não perdem a condição feminina, e pode até realçá-la por uma graça experiente.
Fixou-me suspeitoso:
- Que é que está insinuando?
- Nada. A mulher casada desabrochou, não é mais um projeto, pode revelar melhor o encanto natural da personalidade.
- Pois fique com suas teorias, que eu não quero saber de minha mulher revelar seu encanto a ninguém.
- Perdão, eu…
- Já sei. Estava querendo desculpar a Elsa.
- Desculpar de quê?
- De tudo que ela vem fazendo.
- Eu ignoro tudo, e adivinho que não há nada senão…
- Senão o quê?
- Aquilo que o dicionário chama de ente de razão, uma fantasia completamente destituída de razão.
- Acha então que estou maluco?
- Acho que está sonhando coisas.
- E a flor que ela trouxe ontem para a casa é sonho? Me diga: é sonho?
- Que é que tem trazer uma flor para casa?
- Veio do oculista e trouxe uma rosa. Acha direito?
- Por que não?
- Eu apertei, ela me disse que foi o oculista que deu a ela. Estava num vaso, ela achou bonita, ele deu.
- E daí?
- Então uma senhora casada vai ao oculista e o oculista lhe dá uma rosa? Que lhe parece?
- Que ele é gentil, apenas.
- Pois eu não vou nessa gentileza de oculista. Não há rosas nos consultórios de oftalmologia. E que houvesse. Tem propósito uma coisa dessas? Ela acabou chorando, dizendo que eu sou um bruto, um rinoceronte. Engraçado. Minha mulher vem com uma rosa para casa, uma rosa dada por um homem, e eu não devo achar ruim, eu tenho que achar muito natural.
- Desde quando é proibido uma senhora ganhar flor de uma pessoa atenciosa? Que sentido erótico tem isso?
- Tem muito. Principalmente se é rosa. Ora, não tente negar o significado das ordens florais entre dois sexos. O oculista não podia dar essa flor, nem ela podia aceitar. O pior é que não deve ter sido o oculista.
- Quem foi, então?
- Sei lá. Numa cidade do tamanho do Rio, posso saber quem deu uma rosa a minha mulher?
- Vai ver que ela comprou na loja de flores da esquina, e disse aquilo só para fazer charminho.
- Ela nunca fez isso. Se fez agora, foi para preparar terreno, quando chegar aqui uma corbelha de antúrios e hibiscos.
- Não diga uma coisa dessas.
- Digo o que penso. Estou inteiramente lúcido, só me conduzo pelo raciocínio. Repare no encadeamento: os vestidos modernos; os modos (só vendo a maneira dela se sentar no sofá); a rosa, que ela foi correndo levar para a mesinha de cabeceira do quarto. Cada uma dessas coisas é um indício; reunidas, são a evidência.
- Permita que eu discorde.
- Discorda sem argumentos. A Elsa não é mais a Elsa. Demora mais tempo no espelho. Fica olhando um ponto no espaço, abstrata. Depois, sorri. Estou decidido.
- A quê?
- Vou segui-la daqui por diante. Contrato um detetive. E logo que tenha a prova, me desquito.
- Não vai ter prova nenhuma, juro. Ponho a mão no fogo por Dona Elsa.
- Pensei que você fosse meu amigo. Fiz mal em me abrir. Vamos mudar de assunto que ela vem chegando. Mas repare só que os olhos de Capitu que ela tem, eu nunca havia reparado nisso!
Esquecia-me de dizer que meu amigo tem 82 anos, e Dona Elsa, 79.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Pascal Quignard

Les poissons sont de l’eau à l’état solide.
 Les oiseaux sont du vent à l’état solide.
 Les livres sont du silence à l’état solide.

Tiago Bettencourt - Só Nós Dois





Do Albúm/ Livro: Tiago na Toca e os Poetas
Poema e Música de Joaquim Pimentel


Só nós dois é que sabemos
O quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor, forte, profundo...
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo.

Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua
Vem ser minha, eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta.

Só nós dois é que sabemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
As torturas dos desejos
Vamos viver o presente
Tal-qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só Deus sabe o que será.

domingo, 11 de maio de 2014

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
                                                                       [braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os trabalhadores unidos vão ser todos despedidos.

O homem do sindicato voltou com a conversa dos direitos. Foi decidido em plenário ignorarmos a doutora e continuarmos a ir trabalhar todos os dias. Sim, agora as reuniões passaram a plenários. A gente pequena está eufórica. Sentem-se a melhor classe operária do mundo. Coitados. Até lhes começamos a achar graça. Sentados, muito direitos, muito atentos, a tentar processar, com os dois neuroniozinhos que Deus lhes deu, os palavrões dos direito e da luta que o homem do sindicato e os amigos que apareceram para animar a revolta vão gritando dos fundos do refeitório. Pela primeira vez alguém lhes dirige a palavra e não é para lhes dar uma piçada. Vivem momentos históricos. Os trabalhadores unidos vão ser todos despedidos.
(…) Achamos curioso estarmos em greve se estamos todos despedidos. Não sabíamos que era possível estarmos no olho da rua e ao mesmo tempo protestarmos pela falta de condições de trabalho que não existe. É que nem estamos a protestar contra os despedimentos, estamos ainda na fase de reclamações contra os salários em atraso. (…) No último plenário ainda confirmámos com o grande líder se não era preciso termos trabalho para reclamar a falta de pagamentos. Disse-nos que eram detalhes técnicos irrelevantes e o que o que interessava eram os direitos dos trabalhadores.
 
  mas quem não tem trabalho tem direitos sobre o trabalho que não tem?
   os trabalhadores têm sempre direitos
  E quando não têm trabalho também são trabalhadores?
  São, pois, são trabalhadores oprimidos.
  oprimidos por quem?
  por quem os despediu
  e isso não faz deles desempregados?
  um trabalhador de verdade nunca está desempregado
  e quando tá sem trabalho?
  está a ser injustiçado pela classe patronal, que só pensa no lucro, mas nem por isso deixa de     ser quem é, quem nasce trabalhador morre trabalhador
é como se fosse uma deficiência, atão. 

Em
Maria dos Canos Serrados - Ricardo Adolfo

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Gene and Niki Harris

Down Home Blues

Calçada de Carriche

Luísa sobe, 
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
António Gedeão


 
musica de José Nisa
orquestração de José Calvário
Voz de Carlos Mendes

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Richie Havens Sings "Freedom"


I Love Freedom



It was August 15, 1969 when Richie Havens played the first notes of what would become a three-day celebration , the Woodstock.
A democracia portuguesa teve início a 25 de Abril de 1974 e, 40 anos depois há quem diga que, ainda está em construção… Pois não falta por aí quem lhe queira retirar o alvará e embargar obra. 

Revolution - The Beatles

Liberdade

Os Homens não o podem ser se não forem livres.
(Salvador Espriu)

sábado, 5 de abril de 2014

FERRO-VELHO

Terraços inúteis, varandas
das traseiras, arrecadações,
escadas de caracol, marquises
desbotadas, antigas estufas,
barracas, vasos partidos,
paredes abertas, telhas,
ferro-velho, andares vazios,
degraus sem uso, o fosso
do elevador, fechaduras
de portões, gatos, cadeiras,
um sol sem préstimo,
ervas daninhas, um triciclo,
humidade, silêncio, azulejos,
sábado à tarde e o meu corpo.

Pedro Mexia

quinta-feira, 27 de março de 2014

Alexander Technique Video

O Homem :
-Maus hábitos » posturas pobres.
 -A luta contra a gravidade,  tensão e enfraquecimento muscular, a tendência para "afundar-se".

- A ligação corpo/mente e a importância da reeducação postural,  o processo de  ( re)aprendizagem e a necessidade de praticar , praticar, praticar.................. até  à (re)automatização do movimento.
  

"We are a culture that exists in slumping pattern"

João Villaret - "A Procissão", de António Lopes Ribeiro




 A Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.



Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.

António Lopes Ribeiro

terça-feira, 25 de março de 2014

Love me like a man - Geneviève Paris, live, Montreal 1976

STING LIVE - Perfect Love Gone Wrong

Escrever as entrelinhas -Clarice Lispector

Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o 
que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa 
se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra 
fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva 
então é escrever distraidamente.
 (LISPECTOR, 1980, p. 21; 1984, p. 120) 


sábado, 22 de março de 2014

Pinheiro por intenso

Em http://grilus-falantis.blogspot.pt/:


Acabei de chegar da PSP onde fui prestar declarações na qualidade de testemunha de uma sessão de pancadaria aqui no Bairro Azul. Fui recebido por um agente muito simpático, que passou com distinção na cadeira de "Falar Axim", parte integrante do currículo do curso de Polícia, a par de outras bem difíceis como a cadeira de "Palavras Complicadas", onde se aprende a usar termos como "desacato", "transeunte", "inopinadamente" e "tudo para fora da zona de segurança".

Antes de ouvir o meu testemunho, o agente estava ao telefone a dizer o seu email a alguém:

"Agá... Pê... Pinheiro... Arroba... Pê Exe Pê... Ponto... Pêtê..."

Pediram para repetir, e ele:

"Agá... Pê... Pinheiro por intenso... Arroba..."

Depois lá chega a altura de começar a prestar declarações, e eu disse que não tinha visto como começaram as agressões, daí não saber quem tinha iniciado a agredir quem. Não houve problema, o agente Pinheiro deu uma ajuda:

"Pois claro, o xenhor só diz o que viu... Ora imagine que eu estou na rua a levar caxetada, já com o nariz de lado e a xangrar da boca, no chão, hum? E eu agarro num pau e digo «olha, tenho que me proteger, vou lixar este indivíduo antes que ele me mate, num é?» e desato à paulitada no agrexôr. Ora agora imagine que o xenhôr vem a paxar e vê-me a bater no pau... Errr, quer dizer, a bater COM o pau. No indivíduo. Como é? Quem tem a culpa...? Ixo é o juíz que depois dexide..."

E foi aqui que tudo se complicou. Eu que estava a aguentar heroicamente há tanto tempo sem me rir , tenho agora que lidar com a imagem do agente Pinheiro (por intenso, claro) a ser agredido e a ripostar como? Batendo no pau...

Ser testemunha ocular é uma coisa muito mais difícil do que parece.
Publicado 30th October 2013 por tiagugrilu

Domingos Pereira Mendes, José Manuel Silva e Manuel da Soalheira - "Desgarrada"

A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria: um projecto  brilhante.
Na senda do folclore minhoto mais uma desgarrada, ou cantar ao desafio.
 Um filme que prima pela  intenção, cuidado da realização, qualidade do som , linguagem "contida"e boa dicção dos cantadores-personagens. Além disso, ou talvez por isso, tem graça.
É, na minha opinião, uma amostra especialmente interessante, que documenta bem esta forma de expressão musical  tão característica do Alto Minho.
 Ó i ó ai ..."Assim a tradição não morre, isto faz parte da cultura que temos no nosso País".
   
      Domingos Pereira Mendes, José Manuel Silva e Manuel da Soalheira - "Desgarrada" from MPAGDP on Vimeo.

Instrumentos
Voz e Acordeão

Gravado em Pevidém, Guimarães, Braga, Norte (Ave)
Março de 2011

Realização: Tiago Pereira
Som: Sara Morais

sexta-feira, 21 de março de 2014

Desafios ( trailer)

Excerto do  documentário de "Ao NORTE". Até agora, foi só o que encontrei. Bem  que gostava de ver o filme completo! 


Desafios - Trailer from Ao Norte on Vimeo.

SINOPSE
A tradição das cantigas ao desafio tem uma grande importância no Alto Minho. São uma forma de crítica em verso, em que o cantador ataca o seu par até um deles não ter resposta e se dar por vencido. Há festas, romarias e convívios que não dispensam a concertina e os cantadores.Desafios traz-nos o mundo das cantigas ao desafio através da intervenção de alguns dos mais conhecidos cantadores do Alto Minho, onde se destacam Delfim e Carminda, de Arcos de Valdevez, José Cachadinha, de Ponte de Lima, Armando Marinho, de Ponte da Barca e Augusto Canário, de Viana do Castelo.

FICHA TÉCNICA
realização: Carlos Eduardo Viana;
produção: Associação AO NORTE, para o Museu do Traje de Viana do Castelo;
produção executiva: Rui Ramos; direção financeira: António Passos;
imagem: Nuno Cristino Ribeiro com Joaquim Gomes, João Gomes, Nuno Santiago e Eurico Barros;
som: Alexandre Martins com André Cardoso e Carlos Portela:
montagem: António Soares; pós-produção áudio: Miguel Arieira;
correção de cor: Carlos Filipe Sousa;
intervenientes: Armando Marinho (cantador), Delfim Amorim (cantador), Artur Fernandes (músico), José Cachadinha (cantador), Arnaldo Saraiva (professor e escritor), Abílio Sá Lima (radialista), Augusto Canário (cantador) e Carminda Amorim (cantadeira); outros cantadores: Irene Passos, de Vila do Conde, Irene, de Gaia, José Manuel, do Vale, Maria Celeste, de Ponte da Barca, Rosa Maria, de Ponte da Barca, Carlos Ribeiro, de Guimarães, Naty, de Póvoa de Lanhoso e Soalheira, de Guimarães.

(HD, 83’, 2013)

QUE VERGONHA, RAPAZES - Alexandre O'Neill


 (dia mundial da poesia)



QUE VERGONHA, RAPAZES!


Que vergonha, rapazes! Nós práqui,

caídos na cerveja ou no uísque,

a enrolar a conversa no “diz que”

e a desnalgar a fêmea (“Vist’? Viii!”)



Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito

é esta videirunha à portuguesa,

que às vezes me sorgo no meu leito

e vejo entrar quarta invasão francesa.



Desejo recalcado, com certeza...

Mas logo desço à rua, encontro o Roque

(“O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!”)

e desabafo: - Ó Roque, com franqueza:



Você nunca quis ver outros países?

- Bem queria, Snr. O’Neill! E... as varizes?



(De Ombro na Ombreira - 1969)

terça-feira, 18 de março de 2014

Fauré: Cantique de Jean Racine Op 11


 Que bonito! 
A melhor interpretação do Cântico de Jean Racine (
Gabriel Fauré 1845-1924) que conheço.
 Quem toca, quem canta , quem  é o maestro? Alguém sabe?

"Concert de l'Orchestre de Paris, Paavo Järvi (direction) Éric Picard (violoncelle), Chen Reiss (soprano), Matthias Goerne (baryton), Choeur de l'Orchestre de Paris, Philippe Aïche (violon solo)."

 Obrigada , Pedro.

domingo, 16 de março de 2014

Camille - Ta Douleur


 Arte em todos os sentidos...


Lève toi, c'est décidé
Laisse-moi te remplacer,
Je vais prendre ta douleur
Doucement sans faire de bruit,
Comme on réveille la pluie,
Je vais prendre ta douleur,
Prendre, ta douleur
Je vais prendre ta douleur.
Elle lutte, elle se débat,
Mais ne résistera pas,
Je vais bloquer l'ascenseur,
Je vais prendre ta douleur,
Saboter l'interrupteur,
Je vais prendre ta douleur.
Mais c'est qui cette incrustée ?
Cet orage avant l'été
Sale chipie de petite soeur
Je vais tout lui confisquer
Ses fléchettes et son sifflet
Je vais lui donner la fessée...
Je vais prendre ta douleur,
La virer de la récré
Je vais prendre ta douleur.
Mais c'est qui cette héritière,
Qui se baigne, qui se terre,
Dans l'eau tiède de tes reins ?
Je vais la priver de dessert
Lui faire mordre la poussière
De tous ceux qui n'ont plus faim...
Je vais prendre ta douleur,
De tous ceux qui n'ont plus rien
Je vais prendre ta douleur.
Dites moi que fout la science
A quand ce pont entre nos panses ?
Si tu as mal là où t'as peur
Tu n'as pas mal là où je pense !
Qu'est-ce qu'elle veut cette conasse ?
Le beurre ou l'argent du beurre ?
Que tu vives ou que tu meures ?
Faut qu'elle crève de bonheur
Ou qu'elle change de godasses
Faut qu'elle croule sous les fleurs
Change de couleur ...
Je vais prendre ta douleur,
Je vais jouer au docteur
Je vais prendre ta douleur.
Dites moi que fout la science
À quand ce pont entre nos panses ?
Si tu as mal là où t'as peur
Tu n'as pas mal là où je chante !
Ah là, Lève-toi!

Pressing Flowers - The Civil Wars

 "Feels"...

X-Ray Spinal Motion by Bluebird Pilates Munich

Amazing!
* There's no radiation, but body painting and a video filter 

sábado, 15 de março de 2014

Where There Is Love Playing For Change

 Playing for Change : um projecto que me encanta.


Onde há amor, deixa-o estar, deixa-o brilhar.

domingo, 9 de março de 2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

PORTUGAL: Parede, Estoril e Cascais em 1927

Filme dos serviços cinematográficos do exército que retrata as praias, zonas e pessoas da Parede, Estoril e Cascais em 1927 (ou em 1924?)

domingo, 2 de março de 2014

MILONGA ( short film)



This short film has the patronage the Embassy of Argentina in Italy.

Regia di Marco Calvise. Con Phlippe Guastella, Maria Victoria Arenillas, Leonardo Felix Elias, Marco Spaziani e Vincenzo De Luca.

Song By Lucio Demare

RAEL ISACOWITZ and PILATES' BREATH PATTERN

   I'm glad to hear it !


O padrão respiratório usado em Pilates ( respiração torácica e lateral) tem uma lógica, um fundamento: permite manter os ombros estáveis e todos músculos abdominais ( superficiais e profundos) activos e, assim(entre outros) almofadar, proteger a coluna vertebral, preservando as suas curvas naturais. Daí que os exercícios sejam ensinados de acordo com esse padrão respiratório.
No entanto tal padrão respiratório é muito difícil de executar. Há que evitar atitudes radicais e histerismos à volta deste assunto , diz RAEL ISACOWITZ , com toda a razão. O que é mesmo importante é RESPIRAR. Se pensarmos bem é o primeiro e o último acto da nossa vida. Logo ,respirar mais profundamente e melhor é fundamental para melhorar a qualidade de vida e alcançar o bem-estar que tantas vezes nos falta.
RESPIRAR É GRÁTIS E DÁ MILHÕES de BENEFÍCIOS.