domingo, 28 de abril de 2013

Carmen Souza canta " Os Bravos" de Zeca Afonso

Carmen Souza é uma cantora e compositora,  nascida em Lisboa em 1981 numa família cabo-verdiana. (https://www.facebook.com/carmensouzaofficial)




Arranjo- Carmen Souza e Theo Pas'cal
Carmen Souza - Voz
Theo Pas'cal -Contrabaixo
Jonathan Idiagbonya - Piano
Sebastian Scheriff - Percursão




Os Bravos
Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem
Para a tua companhia

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Com o meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem
Foi um mansinho coelho

As ondas do mar são brancas
Bravo meu bem
E no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem
P'ra morrer no meio delas


Zeca Afonso

sábado, 27 de abril de 2013

João Pedro Pais canta " Vejam Bem" de Zeca Afonso

Introdução: "Verdes Anos" de Carlos Paredes
Brilhante!




Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar

Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento
Na areia
Dorme à noite
Ao relento
Do mar


E se houver
Uma praça
De gente
Madura
E uma estátua
De febre
A arder


Anda alguém
Pela noite
À procura
E não há
Quem lhe queira
Valer

Vejam bem
Daquele homem
A fraca
Figura

Desbravando
Os caminhos
Do pão


E se houver
Uma praça
De gente
Madura
Ninguém vai
Levantá-lo
Do chão


Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar


Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento de areia
Dorme à noite
ao relento do mar


Zeca Afonso

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fausto Bordalo Dias e José Afonso -Não canto porque sonho

Do álbum "P'ro que der e vier", letra de Eugénio de Andrade e música de António Pedro Braga e Fausto Bordalo Dias.


Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
teu sorriso puro,
a tua graça animal.

Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
mesmo bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho.

Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
ao vê-los nus e suados.

Eugénio de Andrade

Cristina canta "Menino d'oiro" de Zeca Afonso ( letra e música)



O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro.



Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

Quantos sonhos ligeiros
p'ra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
Nasceu p'r'amar
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

O meu menino é d'oiro
É d'oiro é de oiro fino ....

Venham altas montanhas
Ventos do mar ....

quarta-feira, 24 de abril de 2013

De Abril , canções mil.....

Por estes dias  publicarei, principalmente, interpretações de canções portuguesas  de que gosto especialmente , cujos autores ou/e letras  foram  marcantes no panorama  musical, político e social  pós 25 de Abril de 1974. Tentarei mostrar que a música  dessa época não se resume às canções de intervenção e que, por outro lado, há hoje em dia quem, nesta área,  recrie, modernize, promova e dignifique magistralmente os conteúdos originais , sem revivalismos e nostalgias que  me parecem estéreis.  Realmente a música e a poesia são linguagens universais, para todos e de todos. As emoções e sensação de bem- estar  que provocam permanecem  ao longo dos tempos e  são independentes de conjunturas polítco-económicas e socais. 


Hoje,  24 de Abril de 2013, começo com " Há uma música do povo" adaptação do poema de Fernando Pessoa que transcrevo na íntegra. A música é de  Mário Pacheco, filho do guitarrista António Pacheco que acompanhou alguns dos maiores fadistas portugueses ( estou a lembrar-me  de Hermínia Silva com o seu célebre  "anda Pacheco!").
Esta  melodia é normalmente cantada como fado, sendo muito conhecida a versão de Mariza. 

 O arranjo e trompete  de João Moreira são belíssimos e a  interpretação de Paula Oliveira, cheia graves e profundidade, arrepia. Recriação em jeito de jazz que envaidece a enorme alma portuguesa.      



Há uma música do povo
Há uma música do povo,

Nem sei dizer se é um fado

Que ouvindo-a há um ritmo novo

No ser que tenho guardado...

Ouvindo-a sou quem seria

Se desejar fosse ser...

É uma simples melodia

Das que se aprendem a viver...



E ouço-a embalado e sozinho...

É isso mesmo que eu quis ...

Perdi a fé e o caminho...

Quem não fui é que é feliz.



Mas é tão consoladora

A vaga e triste canção ...

Que a minha alma já não chora

Nem eu tenho coração ...



Sou uma emoção estrangeira,

Um erro de sonho ido...

Canto de qualquer maneira

E acabo com um sentido! 


Fernando Pessoa

sábado, 20 de abril de 2013

Movement

Feldenkrais rolling like a baby
Natural Movement...



Movement Research: FloorWork and Libertango

Technical movement

Jorge Mautner e Moska - Maracatu Atômico


Maracatu Atômico é uma música composta por Nelson Jacobina Jorge Mautner, lançada em 1974 por Jorge no álbum homônimo Jorge Mautner . No mesmo ano, Gilberto Gil regravou para o álbum Cidade do Salvador . 
Vinte e dois anos depois o grupo   Chico Science & Nação Zumbi, expoentes do manguebeat, a regravaram mais uma vez . A canção  tornou-se o segundo single do  álbum Afrociberdelia.
Em 2010 Nação Zumbi regravou para a trilha sonora do filme Senna.




O bico do beija-flor, beija a flor, beija a flor
Toda fauna-flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico

Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê

Atrás do arranha-céu tem o céu tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva, tem a chuva tem a chuva,
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de
Comê-las

Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê

No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor,
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas tão negras e tão afiadas esqueceu
De pôr

Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê

No fundo do para-raio tem o raio, tem o raio,
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro é todo negro
Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu
Apego

Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê

O bico do beija-flor, beija a flor, beija a flor,
Toda fauna flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico

Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê...

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Serge Gainsbourg - Chez Les Ye-Ye

Espantoso!
Menção especial para o  bailarino Jean- Pierre Cassel: encantada, eu.
   




singing - Serge Gainsbourg
dancing - Pierre Cassel

domingo, 14 de abril de 2013

Jorge Bacelar

Não fosse a Internet e nunca teria descoberto a obra de Jorge Bacelar. É caso para dizer que navegar (é preciso) pode ser precioso!
Murtosa Tube no Facebook


Venho falar-vos do Tempo



 Gente da minha terra
Música: "A Gente Não Lê" de Carlos Tê / Rui Veloso, do álbum "Fora de moda".


Poesia da ria
 Voz: Dulce Pontes- Amor a Portugal


"todo o tempo é
agora
toda a geografia é
aqui

a luz é admirável
e tu

esquece o mais

o instante
o lugar
o estares
povoam-te

estás vivo
sente-lo
como nunca

não existes apenas
o real fere-te
sangras vida

és o sol"


ahcravo (António José Cravo) 

art of motion TriggBeach 2013


  Hoje em Portugal como na Austrália: sol, praia, pilates. Bem-estar.    Estar bem.

Quadrilha - Carlos Drummond de Andrade


QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim qua amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 12 de abril de 2013

While The World Sleeps - Rishi Kaneria

Índia: the soul of a nation

While The World Sleeps from Rishi Kaneria on Vimeo.



Narration Part I: Nehru's speech on the eve of India's Independence.
Narration Part II: Nehru's speech on Gandhi's death.

Music: "Journey to the Line" by Hans Zimmer.

Filmed and edited by Rishi Kaneria.

A Tryst With Destiny:

"Long years ago we made a tryst with destiny, and now the time comes when we shall redeem our pledge, not wholly or in full measure, but very substantially. At the stroke of the midnight hour, when the world sleeps, India will awake to life and freedom. A moment comes, which comes but rarely in history, when we step out from the old to the new, when an age ends, and when the soul of a nation, long suppressed, finds utterance. It is fitting that at this solemn moment, we take the pledge of dedication to the service of India and her people and to the still larger cause of humanity."

quinta-feira, 11 de abril de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

Soberanias ....

" (...) Por vezes julgo que Darwin se enganou e que, na verdade, o homem descende do porco, dado que, em oito de cada dez hominídeos , haverá um chouriço à espera de ser enchido(...) " - em "O Prisioneiro do Céu de Carlos Ruiz Zafón".

A forma como o PM chutou a água do capote, e nos disse, apontando o dedo, que "agora( só agora!) é que vão ver o que é mau", transformou o meu mau humor domingueiro numa espécie de pessimismo visceral.
Para O PM o governo é o único orgão de soberania funcional e estrutural. Todos os outros deviam ser apenas ornamentais , pendurados nas paredes deste Estado de Direito Democrático e Social, já sem telhado e de chão apodrecido pela intempérie que insistentemente teima em deitá-lo abaixo.
Para o PM, o Tribunal Constitucional , cujo acórdão foi assinado por 13 juízes, deveria ter fechado olhos (a figura que representa a Justiça até tem os olhos vendados...), ter deixado passar. Era esse o papel que lhe competiria, não o de garante e fiscalizador do cumprimento da Constituição.
Que exemplo este ( sim senhor.... ), que nos é dado por quem afirma que nos governa, mas nos desgoverna.
Atitudes que ,como esta, revelam autoritarismo, inversão de valores fundamentais ,desresponsabilização, indignam-me, enjoam-me, revolvem-me as vísceras.