sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Laura Smith : My Bonny


Encontrei por acaso esta adaptação da canção tradicional "'Bring Back My Bonny To Me', atribuída a H.J. Fuller. Muita gente da minha geração trauteou esta melodia e, tal como esta cantora canadiana, quanto à letra, sabia pouco mais do que o refrão. Laura Smith diz que o resto das palavras apareceu naturalmente um dia, pois a melodia é tão bonita que a canção se cantou para ela...
 É uma interpretação com corpo e alma. Belíssima. Arrepia.  


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo vai começar - Deputado Federal Chico Alencar - PSOL/RJ

O mundo vai começar - Deputado Federal Chico Alencar - PSOL/RJ



O mundo vai começar
Chico Alencar - O Dia - 20/12/2012

O mundo vai mesmo acabar em 2012? Como não há meteoro que vá nos destruir até o fim do ano, alguns explicam que terminará ‘este mundo’ e entraremos em outra etapa da Humanidade... Então, que tal aproveitar o embalo do ‘fim do mundo’ para pôr fim a tanta coisa ruim que existe à nossa volta e dentro de nós? 2013 só não vai acontecer para os que falecerem. Mas, assim como conforta acreditar na vida depois da morte, é preciso conferir se acreditamos na vida antes dela.

Uma regra para o bem viver é colocar a serenidade no lugar da ansiedade, a doença do século, que nos torna irritadiços e infelizes, querendo sempre mais do que nossos braços alcançam e nosso estômago pede. Vamos curtir o paladar do bem mastigado, controlando a voracidade.

Cuidado com isso de vida “normal”: é preciso não ser normal em demasia. É hora de abrir a inteligência, pois a visão crítica nos faz crescer. Coloquemos entusiasmo, alma, em tudo o que se fizer. Afinal, esperança não vem de esperar, mas de um verbo inventado por Paulo Freire, ‘esperançar’.

Todo exercício saudável, até de respiração, prepara melhor que uma obsessiva e vaidosa malhação. Não basta, porém, o preparo individual. Ao nosso lado está o Outro, a nos lembrar do necessário espírito coletivo. Para que todos tenham vez, é preciso praticar a gentileza e jogar fora a estupidez.

Reforcemos a simplicidade de ser, livres de toda empáfia. Será que é a TV quem nos assiste e o computador quem digita nossos caminhos? A relação presencial é mais rica do que a virtual. No mundo das máquinas, indaguemo-nos sempre: estou mesmo integrado à natureza, da qual me sei parte, ou não passo de um consumista, sem nenhuma arte? Saibamos concluir a construção desse mundo novo com o que tem o dom de transformar: nossa capacidade de amar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Zuco 103 - Jussara (Lilian Vieira)



Imagens de obras de arte que podem ser encontradas nas estações de metro por esse mundo fora.

O sentido do Natal

 Revejo esta história de Natal  admirada, divertida e encantada com a simplicidade, pureza e humor da encenação e da representação. O que estas crianças conseguem, exprimir o sentido do Natal, não é fácil nestes tempos de artificialidade sufocante ( Uff!!).
 Brilhante! 
 É o postal de Boas Festas que gostaria de pendurar nas árvores de todos aqueles que visitam este blogue. Desejo- lhes um BOM NATAL e espero que entrem com o pé (possível) direito em 2013.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

What is art?- Robert Beverley Hale





Robert Beverly Hale (1901 -November 14, 1985) was an artist, curator of American paintings at the Metropolitan Museum of Art, and instructor of artistic anatomy at the Art Students League of New York and the Pennsylvania Academy of Fine Art. He was also the author of the well-known book "Drawing Lessons from the Great Masters" as well as the translator of the classic anatomy text "Artistic Anatomy" by Dr. Paul Richer.

Erykah Badu - ON & ON

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Arte poética -Vitorino Nemésio


Arte poética


A poesia do abstracto?
Talvez.
Mas um pouco de calor,
A exaltação de cada momento,
É melhor.
Quando sopra o vento
Há um corpo na lufada;
Quando o fogo alteou
A primeira fogueira,
Apagando-se fica alguma coisa queimada.
É melhor!
Uma ideia,
Só como sangue de problema;
No mais, não,
Não me interessa.
Uma ideia
Vale como promessa,
E prometer é arquear
A grande flecha.
O flanco das coisas só sangrando me comove,
E uma pergunta é dolorida
Quando abre brecha.
Abstracto!
O abstracto é sempre redução,
Secura.
Perde;
E diante de mim o mar que se levanta é verde:
Molha e amplia.
Por isso, não:
Nem o abstracto nem o concreto
São propriamente poesia.
A poesia é outra coisa.
Poesia e abstracto, não.

Vitorino Nemésio

domingo, 16 de dezembro de 2012

Les Luthiers - Loas al Cuarto de Baño

Les Luthiers (http://www.lesluthiers.com/) é um grupo de comédia musical Argentino que  descobri há pouco tempo e me tem encantado pela sua versatilidade, imaginação e humor refinado. O seu reportório é variadíssimo: tocam tudo o que se possa imaginar: tango, samba, blues, jazz, clássico, etc. Fazendo jus ao nome ( do francês "fabricantes de instrumentos musicais") o grupo faz os instrumentos , alguns muitíssimo sofisticados, que usa nos seus recitais. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Clair De Lune - Claude Debussy (Fantasia - Walt Disney)


(Esta é uma cena  apagada de Fantasia de Walt Disney)
Fantasia surgiu quando a Disney começou a produzir O Aprendiz de Feiticeiro como um curta metragem independente. O resultado ficou tão caro, que o estúdio decidiu seguir o conselho do maestro Leopold Stokowski e criar uma antologia de de curtas metragens  para recuperar os gastos originais.
Na época de seu lançamento, em 1940, Fantasia não teve uma boa recepção e alguns críticos disseram que  estava à frente de seu tempo, além de ser considerado muito surreal para a maioria das pessoas. Somente no final dos anos 60 é que o filme recebeu o respeito e admiração que merece.
A Disney regravou toda a trilha sonora de Fantasia para o relançamento do filme em 1982. Isso foi feito porque a trilha original de 1940 estava velha e muito limitada em termos de fidelidade sonora. Já para o relançamento de comemoração dos 50 anos do filme, em 1990, a Disney decidiu recuperar a trilha original, limpando-a o máximo possível. A limitação de fidelidade não pôde ser corrigida, mas a trilha restaurada continuou sendo usada nas versões atuais do filme.
No relançamento de 1982, a orquestração original de Mussorgsky para "Noite na Montanha" foi usada em vez da versão conduzida por Leopold Stokowski.
Durante a produção do filme, os animadores não receberam instruções para a colorização das cenas. Walt Disney os instruiu a usarem as cores que quisessem no início. Para o segmento da mitologia grega, a composição musical escolhida originalmente foi "Cydalise", de Pierne. Mais tarde, Walt Disney decidiu que ela não era expressiva o suficiente para a história, então escolheu a "Sinfonia Pastoral", de Beethoven, para substituí-la.
Inicialmente, um segmento com a música "Clair de Lune", de Claude Debussy faria parte de Fantasia. Ele chegou a ser animado, mas foi cortado da versão final.
O plano original de Walt Disney era relançar Fantasia a cada ano com um segmento musical diferente. Naturalmente, a idéia provou ser muito ambiciosa e não foi levada adiante. Mesmo assim, alguns segmentos chegaram a ser desenhados para essa série de relançamentos. Entre as músicas escolhidas estavam: "O Cisne de Tuonela", de Jean Sibelius; "A Cavalgada das Valquírias", de Richard Wagner; "O Vôo da Abelha", de Rimsky-Koraskov; e "Convite para Valsa", de Carl Maria Weber (este seria estrelado por Peter Pegasus, do segmento "Sinfonia Pastoral").
Originalmente, um segmento com a música "Clair de Lune", de Claude Debussy faria parte de Fantasia. Ele chegou a ser animado, mas foi cortado da versão final.
A música de "O Aprendiz de Feiticeiro" foi a única não gravada pela orquestra da Filadélfia. Ela foi gravada por uma orquestra formada para uma gravação no antigo Pathe Studios, em Culver City, Los Angeles, por volta de 1938, 1939. Todas as outras composições foram gravadas pela orquestra da Filadélfia, na Filadélfia.


Claude Debussy
Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918) foi um músico e compositor francês.
A música inovadora de Debussy agiu como um fenômeno catalisador de diversos movimentos musicais em outros países. Na França, só se aponta Ravel como influenciado, mas só na juventude, não sendo propriamente discípulo. Influenciados foram também Béla Bartók, Manuel de Falla, Heitor Villa-Lobos e outros. Do Prelúdio à Tarde de um Fauno, com que, para Pierre Boulez, começou a Música moderna, até Jogos, toda a arte de Debussy foi uma lição de inconformismo. Por causa de sua importância foi dado o nome de Debussy a uma cratera do planeta Mercúrio, com mais de 80 km de diâmetro. A cratera foi formada possivelmente pela colisão de um meteoro e é caracterizada por sulcos que, a partir dela, se estendem por vários quilômetros, o que seria uma metáfora da influência do músico.

Referências
http://www.animatoons.com.br/movies/f...
http://en.wikipedia.org/wiki/Clair_de...)
http://www.youtube.com/user/TepidShar...

ANDRE SARBIB - THIS IS IT - LA VALSE DES LILAS ( Michel Legrand)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sonny Boy Williamson - Nine below zero

"The colour of  this music is blue"
(voyprod on youtube)


Tereza Pizarro Beleza alerta para a existência de uma "revisão constitucional clandestina"



                                  
A diretora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, Teresa Pizarro Beleza, alertou hoje para a existência de uma "revisão constitucional clandestina" em curso, criticando algumas decisões do Tribunal Constitucional (TC).

Durante a conferência de comemoração dos 50 anos do Instituto Ciências Sociais, que hoje decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, Teresa Pizarro Beleza lançou o alerta: "Está em curso uma revisão constitucional clandestina".

 "Há a ideia de que, em situação de necessidade, vale tudo, inclusivamente passar por cima da Constituição. Mesmo do lado do Tribunal Constitucional, julgo que há decisões ou, pelo menos, votos que são criticáveis e que devem ser cuidadosamente analisados e criticados", defendeu a jurista.

À Lusa, Teresa Pizarro Beleza deu como exemplo a retirada de alguns direitos dos funcionários públicos, como aconteceu com os cortes dos subsídios de férias e de natal.

A especialista considera que existe um discurso que tenta olhar para alguns direitos como sendo "regalias" dos funcionários públicos. Sem discussão, alerta a jurista, essas mudanças poderão, no futuro, pôr em causa os direitos de todos.

A professora da Universidade de Direito teme que, por trás desta argumentação, exista o objetivo de "levar as pessoas a aceitar a ideia de que existe um grupo privilegiado, que são os funcionários públicos, e que é preciso começar a cortar nas regalias deles".

O problema, alertou, é que "as pessoas não se percebem que daqui se passa para cortar a toda a gente. Porque o princípio da igualdade, em vez de funcionar a favor das pessoas discriminadas, acaba por estender essa diminuição de direitos a toda a gente".

"Quer a classe política, quer o próprio Tribunal Constitucional, quer a generalidade dos cidadãos e cidadãs estão dispostos a aceitar uma alteração profunda da sociedade portuguesa que vai no sentido contrário aos valores fundamentais que estão na Constituição: da liberdade, igualdade, dignidade. E penso que é importante as pessoas tomarem consciência dessa situação", alertou.

Nota: Dada a sua relevância, reproduzo aqui  um artigo que foi escrito ao abrigo do acordo ortográfico (AO90) , aplicado pela agência Lusa, com o qual  não concordo e que , aliás,no Brasil já foi metido na gaveta  Brasil.*

Scala & Kolacny Brothers - With Or Without You (U2 Cover)

A Liberdade - Manoel de Oliveira


"Hoje a liberdade é tida como um direito absoluto. Mas não há liberdade absoluta. A liberdade não é sequer um direito. A liberdade é um dever, um dever fortíssimo. A liberdade é o respeito pelo próximo. O Espinoza dizia: nós supomo-nos livres porque ignoramos as forças que impedem os nossos actos. De maneira que há forças que nos são estranhas, não somos nós. Eu sinto-me um joguete, uma marioneta. Sou conduzido por forças que ignoro. Eu sinto isso, eu pressinto isso"
 Tema - Liberdade  Fonte: Notícias Magazine (DN) / 20040509

                                    Manoel de Oliveira

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Proper Posture 1947


Extraordinário!

Batida - Cuka feat.Ikonoklasta (English Subtitled) from Fazuma on Vimeo.

Fernando Namora, in 'Marketing'




Marketing


Aqui a meu lado o bom cidadão

escolheu Sagres

que é tudo tudo cerveja

a pausa que refresca

a longa pausa de um longo cigarro King Size.

atenção ao marketing.

Eu não gosto de cerveja

mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja

sobretudo da Sagres

para não contrariar os fabricantes de cerveja.

atenção ao marketing.

Ninguém contraria os fabricantes de cerveja

ninguém contraria os fabricantes do Opel e da Super Silver

nem os fabricantes de alcatifas para panaceias

nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios

nem as mensagens de natal dos estadistas

nem os negociantes de armas da Suíça

nem o homem de capa negra que virou as costas ao Palmolive.

Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma

a ver as processões passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos

que são agora selvagens e voam numa Harley.

Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim

que é uma alta onda ou uma onda alta

sem esquecer as fitas do John Waine e a chama viva do Butagás

e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana

numa fatia de pão.bu

atenção ao marketing.

Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens dos peões

louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos

e dos blousons noirs que não usam Lux

e não compram um frigorífico a prestações

e com o meu escudo invisível

portejo-me dos vírus subversivos

sou um bom cidadão sou um bom cidadão

obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.

Dantes tinha problemas era o odor corporal

e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas

e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia

e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente os corpos que

[merecem ser amados...

Obedeço ao marketing não contrario.

Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula

que é o da cor do sol

ninguém pisa os riscos brancos do tráfego

nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio

concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard

ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas

e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde

no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.

Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac

não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama

quando me dizem vamos dormir.

atenção ao marketing.

Sagres é uma boa cerveja

e eu acabarei por gostar da Sagres

como gosto do Rexina.

Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas

todas as bebidas da televisão têm vitaminas

mesmo as do programa literário que é detergente

e eu uso-as e sou um cidadão perfeito

e até já consigo adormecer com hipnóticos

depois de tomar o Tofa descafeinado

e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas

para me banhar na Torralta

cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.

Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos

com um pó azul de que não me lembra o nome

não me lembra mas a culpa já não é minha

porque na mesma noite

massajado com Aqua Velva

fiz a barba com Gillette, e Schick e Nacet

e fui não sei aonde sempre com a mesma lâmina

e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)

a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba

antes de eu descer no aeroporto

onde me esperava um agente do marketing.

Os produtores viram-me à descida do avião

primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren

ou o Onassis mas era eu

e gostaram da minha barba bem feita.

(Da barba bem feita

ou do casaco Dralon que não se amarrotara

durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)

Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha

pois na mesma noite

fui o homem de não sei quê que marca o rumo

por vestir regras ou camisas ou calças que não enrugam

e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações

e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada

e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino

e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura

e fiz-me mecânico de automóveis

só para que o cavaleiro da armadura branca

me tocasse com a sua lança mágica

e me pusesse branco branco branco

três vezes branco como as páginas do Reader’s

de cérebro irrepreensivelmente lexivizado

pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos

e passado a ferro com um ferro eléctrico automático

que talvez fosse – ou não? – uma enceradora Philips.

Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias

que eu devo ao marketing

e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos

nas palavras de pressão

de todo o bom cidadão.

E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial

Sical Sical que é um luxo verdadeiro

Por pouco dinheiro.

Vitonizadi esterilizado comprando e concorrendo

esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio

esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave

esqueci-me do rio e dos barcos

e da saudade de pedra do Fernando Pessoa

e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.

Concorra concorra foi isso que não reparei

que uma rapariga cortou as veias

talves fosse com uma Diplomatic

que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.

No programa só havia bombeiros

nem uma rapariga a cortar as veias (não era a Caprília)

nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.

Se mágoa sentia era a de ter esquecido

dar murros no espião da Missão Impossível

(atenção ao marketing)

e já não saí de casa para ver o rio

só pelo gosto de me aquecer com um Ignis.

E na mesma noite noite boa noite branca

fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal

depois da Salus e da Schweppes

fumei quilómetros e quilómetros de prazer

quilómetros e mais quilómetros – há um Ford no meu futuro –

mais facturas mais fomes mais prazer

e agora já não sei qual dos cigarros com filtro

me soube melhor.

Foram todos foram todos de certeza

pois se me dizem que preciso de Omo

do Ajax do Estoril do Dralon

do esquentador e das alcatifas sem nódoas

não me preocupo não te preocupes

o Meraklon não preocupa ninguém

mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias

não me preocupo não me preocupo

digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort

e hei-de virar-me do avesso para os possuir.

Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.

Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.

E na mesma noite

vi umas bombas que caíam muito ao longe

numa lonjura mais longe que a Lua

onde as pessoas podiam estar quietas a fumar Marialvas

e a lavarem-se com Rino que lava lava lava

lava três vezes mais lava ou mata que se farta

e me ajuda a ser bom cidadão.

atenção ao marketing.

Vi uns homens a inaugurarem estátuas

e vi fardas e paradas e conferências

e crianças a sorrir

para os homens sorridentes que inauguravam estátuas

e vi homens que falavam e pensavam por mim

a escolherem por mim o bom e o mau

de modo a que eu não possa ser tentado

a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.

Deitado no conforto de um Lusospuma

vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo

bem longe nas ruas de Estocolmo

mesmo a pedirem uns safanões

dos homens que acariciam crianças

e têm todas as verdades na mão

só para que eu seja um bom cidadão.

É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.

Preciso e gosto de uma data de coisas

e só agora o sei.

Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.

Ninguém contraria o marketing por muito tempo.

Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer

o bom cidadão.

E tudo graças ao marketing.


Fernando Namora

domingo, 9 de dezembro de 2012

Cantares ao Desafio - Alto Minho, Portugal

Augusto Canário & Amigos no programa "Chakall e Pulga" da SIC 

Vira do Minho de Carolina Serpa Marques



















Carolina Serpa Marques nasceu no Porto em 1966.
Em 1989 terminou a Licenciatura em Direito na Universidade Católica do Porto e desde 1991 leciona na Universidade Lusíada do Porto.
Dedica-se à pintura como autodidata, executando retratos por encomenda.
Em 2010 é selecionada como finalista do Prémio Carmen Miranda.
Expôs individualmente na Galeria dos Benfeitores da Santa Casa da Misericórdia do Porto - Outubro de 2010, Trinc’Arte, Porto-Junho 2011, Clik, Porto- Dezembro 2011 e Janeiro2012, Vivacidade- Espaço Criativo- Fevereiro 2012. Participou em exposições coletivas  na  Fundação  Eng.º António  de  Almeida,  Porto  (1995),  Museu  Municipal  Carmen  Miranda, Marco de Canavezes (2010) e Casa das Artes de V.N Famalicão (2012). Encontra-se representada na coleção da Santa Casa da Misericórdia do Porto e em coleções particulares, em Portugal e no estrangeiro.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer- A vida é um sopro



" Meu nome é Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares. Me chamam de Oscar Niemeyer, não sei porquê..."
(Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907 — Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2012)


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Acordo Ortográfico - Miguel Esteves Cardoso



 O Acordo Ortográfico


Dantes, cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem.

Os Portugueses, no fundo, assinaram um Pacto Ortográfico que soube a Pato. Ninguém imagina os Espanhóis, os Franceses ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima dos misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária.

A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade própria. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça, como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem de estupidez que pretender que todos aqueles que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. É ridículo, é anticultural e é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões.

As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira deles é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os Brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos. E não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas.

Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas realmente sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar a política da língua com a língua da política.

O que vale é que, neste mesmo momento, muitos Portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater esta inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização.

Miguel Esteves Cardoso

Odetta Live in concert 2005, "House of the Rising Sun"


Esta é uma velha canção folk (ninguém sabe quem a fez), que conta a  triste vida  de uma prostituta de Nova Orleães ; por isso é tradicionalmente cantada por uma mulher. 
Há muitas e boas versões de  "Rising Sun Blues" ( "The House of the Rising Sun" ou apenas "House of the Rising Sun" ).Por exemplo as dos The Animals ,Bob Dylan, Nina Simone , tiveram muto sucesso. Mas esta interpretação é diferente. Tocante. Excelente! Acrescentando dor e tristeza à sua  voz, Odetta  deu  a esta canção  tudo o que ela sempre pediu: ALMA !