sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Laura Smith : My Bonny


Encontrei por acaso esta adaptação da canção tradicional "'Bring Back My Bonny To Me', atribuída a H.J. Fuller. Muita gente da minha geração trauteou esta melodia e, tal como esta cantora canadiana, quanto à letra, sabia pouco mais do que o refrão. Laura Smith diz que o resto das palavras apareceu naturalmente um dia, pois a melodia é tão bonita que a canção se cantou para ela...
 É uma interpretação com corpo e alma. Belíssima. Arrepia.  


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo vai começar - Deputado Federal Chico Alencar - PSOL/RJ

O mundo vai começar - Deputado Federal Chico Alencar - PSOL/RJ



O mundo vai começar
Chico Alencar - O Dia - 20/12/2012

O mundo vai mesmo acabar em 2012? Como não há meteoro que vá nos destruir até o fim do ano, alguns explicam que terminará ‘este mundo’ e entraremos em outra etapa da Humanidade... Então, que tal aproveitar o embalo do ‘fim do mundo’ para pôr fim a tanta coisa ruim que existe à nossa volta e dentro de nós? 2013 só não vai acontecer para os que falecerem. Mas, assim como conforta acreditar na vida depois da morte, é preciso conferir se acreditamos na vida antes dela.

Uma regra para o bem viver é colocar a serenidade no lugar da ansiedade, a doença do século, que nos torna irritadiços e infelizes, querendo sempre mais do que nossos braços alcançam e nosso estômago pede. Vamos curtir o paladar do bem mastigado, controlando a voracidade.

Cuidado com isso de vida “normal”: é preciso não ser normal em demasia. É hora de abrir a inteligência, pois a visão crítica nos faz crescer. Coloquemos entusiasmo, alma, em tudo o que se fizer. Afinal, esperança não vem de esperar, mas de um verbo inventado por Paulo Freire, ‘esperançar’.

Todo exercício saudável, até de respiração, prepara melhor que uma obsessiva e vaidosa malhação. Não basta, porém, o preparo individual. Ao nosso lado está o Outro, a nos lembrar do necessário espírito coletivo. Para que todos tenham vez, é preciso praticar a gentileza e jogar fora a estupidez.

Reforcemos a simplicidade de ser, livres de toda empáfia. Será que é a TV quem nos assiste e o computador quem digita nossos caminhos? A relação presencial é mais rica do que a virtual. No mundo das máquinas, indaguemo-nos sempre: estou mesmo integrado à natureza, da qual me sei parte, ou não passo de um consumista, sem nenhuma arte? Saibamos concluir a construção desse mundo novo com o que tem o dom de transformar: nossa capacidade de amar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Zuco 103 - Jussara (Lilian Vieira)



Imagens de obras de arte que podem ser encontradas nas estações de metro por esse mundo fora.

O sentido do Natal

 Revejo esta história de Natal  admirada, divertida e encantada com a simplicidade, pureza e humor da encenação e da representação. O que estas crianças conseguem, exprimir o sentido do Natal, não é fácil nestes tempos de artificialidade sufocante ( Uff!!).
 Brilhante! 
 É o postal de Boas Festas que gostaria de pendurar nas árvores de todos aqueles que visitam este blogue. Desejo- lhes um BOM NATAL e espero que entrem com o pé (possível) direito em 2013.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

What is art?- Robert Beverley Hale





Robert Beverly Hale (1901 -November 14, 1985) was an artist, curator of American paintings at the Metropolitan Museum of Art, and instructor of artistic anatomy at the Art Students League of New York and the Pennsylvania Academy of Fine Art. He was also the author of the well-known book "Drawing Lessons from the Great Masters" as well as the translator of the classic anatomy text "Artistic Anatomy" by Dr. Paul Richer.

Erykah Badu - ON & ON

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Arte poética -Vitorino Nemésio


Arte poética


A poesia do abstracto?
Talvez.
Mas um pouco de calor,
A exaltação de cada momento,
É melhor.
Quando sopra o vento
Há um corpo na lufada;
Quando o fogo alteou
A primeira fogueira,
Apagando-se fica alguma coisa queimada.
É melhor!
Uma ideia,
Só como sangue de problema;
No mais, não,
Não me interessa.
Uma ideia
Vale como promessa,
E prometer é arquear
A grande flecha.
O flanco das coisas só sangrando me comove,
E uma pergunta é dolorida
Quando abre brecha.
Abstracto!
O abstracto é sempre redução,
Secura.
Perde;
E diante de mim o mar que se levanta é verde:
Molha e amplia.
Por isso, não:
Nem o abstracto nem o concreto
São propriamente poesia.
A poesia é outra coisa.
Poesia e abstracto, não.

Vitorino Nemésio

domingo, 16 de dezembro de 2012

Les Luthiers - Loas al Cuarto de Baño

Les Luthiers (http://www.lesluthiers.com/) é um grupo de comédia musical Argentino que  descobri há pouco tempo e me tem encantado pela sua versatilidade, imaginação e humor refinado. O seu reportório é variadíssimo: tocam tudo o que se possa imaginar: tango, samba, blues, jazz, clássico, etc. Fazendo jus ao nome ( do francês "fabricantes de instrumentos musicais") o grupo faz os instrumentos , alguns muitíssimo sofisticados, que usa nos seus recitais. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Clair De Lune - Claude Debussy (Fantasia - Walt Disney)


(Esta é uma cena  apagada de Fantasia de Walt Disney)
Fantasia surgiu quando a Disney começou a produzir O Aprendiz de Feiticeiro como um curta metragem independente. O resultado ficou tão caro, que o estúdio decidiu seguir o conselho do maestro Leopold Stokowski e criar uma antologia de de curtas metragens  para recuperar os gastos originais.
Na época de seu lançamento, em 1940, Fantasia não teve uma boa recepção e alguns críticos disseram que  estava à frente de seu tempo, além de ser considerado muito surreal para a maioria das pessoas. Somente no final dos anos 60 é que o filme recebeu o respeito e admiração que merece.
A Disney regravou toda a trilha sonora de Fantasia para o relançamento do filme em 1982. Isso foi feito porque a trilha original de 1940 estava velha e muito limitada em termos de fidelidade sonora. Já para o relançamento de comemoração dos 50 anos do filme, em 1990, a Disney decidiu recuperar a trilha original, limpando-a o máximo possível. A limitação de fidelidade não pôde ser corrigida, mas a trilha restaurada continuou sendo usada nas versões atuais do filme.
No relançamento de 1982, a orquestração original de Mussorgsky para "Noite na Montanha" foi usada em vez da versão conduzida por Leopold Stokowski.
Durante a produção do filme, os animadores não receberam instruções para a colorização das cenas. Walt Disney os instruiu a usarem as cores que quisessem no início. Para o segmento da mitologia grega, a composição musical escolhida originalmente foi "Cydalise", de Pierne. Mais tarde, Walt Disney decidiu que ela não era expressiva o suficiente para a história, então escolheu a "Sinfonia Pastoral", de Beethoven, para substituí-la.
Inicialmente, um segmento com a música "Clair de Lune", de Claude Debussy faria parte de Fantasia. Ele chegou a ser animado, mas foi cortado da versão final.
O plano original de Walt Disney era relançar Fantasia a cada ano com um segmento musical diferente. Naturalmente, a idéia provou ser muito ambiciosa e não foi levada adiante. Mesmo assim, alguns segmentos chegaram a ser desenhados para essa série de relançamentos. Entre as músicas escolhidas estavam: "O Cisne de Tuonela", de Jean Sibelius; "A Cavalgada das Valquírias", de Richard Wagner; "O Vôo da Abelha", de Rimsky-Koraskov; e "Convite para Valsa", de Carl Maria Weber (este seria estrelado por Peter Pegasus, do segmento "Sinfonia Pastoral").
Originalmente, um segmento com a música "Clair de Lune", de Claude Debussy faria parte de Fantasia. Ele chegou a ser animado, mas foi cortado da versão final.
A música de "O Aprendiz de Feiticeiro" foi a única não gravada pela orquestra da Filadélfia. Ela foi gravada por uma orquestra formada para uma gravação no antigo Pathe Studios, em Culver City, Los Angeles, por volta de 1938, 1939. Todas as outras composições foram gravadas pela orquestra da Filadélfia, na Filadélfia.


Claude Debussy
Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918) foi um músico e compositor francês.
A música inovadora de Debussy agiu como um fenômeno catalisador de diversos movimentos musicais em outros países. Na França, só se aponta Ravel como influenciado, mas só na juventude, não sendo propriamente discípulo. Influenciados foram também Béla Bartók, Manuel de Falla, Heitor Villa-Lobos e outros. Do Prelúdio à Tarde de um Fauno, com que, para Pierre Boulez, começou a Música moderna, até Jogos, toda a arte de Debussy foi uma lição de inconformismo. Por causa de sua importância foi dado o nome de Debussy a uma cratera do planeta Mercúrio, com mais de 80 km de diâmetro. A cratera foi formada possivelmente pela colisão de um meteoro e é caracterizada por sulcos que, a partir dela, se estendem por vários quilômetros, o que seria uma metáfora da influência do músico.

Referências
http://www.animatoons.com.br/movies/f...
http://en.wikipedia.org/wiki/Clair_de...)
http://www.youtube.com/user/TepidShar...

ANDRE SARBIB - THIS IS IT - LA VALSE DES LILAS ( Michel Legrand)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sonny Boy Williamson - Nine below zero

"The colour of  this music is blue"
(voyprod on youtube)


Tereza Pizarro Beleza alerta para a existência de uma "revisão constitucional clandestina"



                                  
A diretora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, Teresa Pizarro Beleza, alertou hoje para a existência de uma "revisão constitucional clandestina" em curso, criticando algumas decisões do Tribunal Constitucional (TC).

Durante a conferência de comemoração dos 50 anos do Instituto Ciências Sociais, que hoje decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, Teresa Pizarro Beleza lançou o alerta: "Está em curso uma revisão constitucional clandestina".

 "Há a ideia de que, em situação de necessidade, vale tudo, inclusivamente passar por cima da Constituição. Mesmo do lado do Tribunal Constitucional, julgo que há decisões ou, pelo menos, votos que são criticáveis e que devem ser cuidadosamente analisados e criticados", defendeu a jurista.

À Lusa, Teresa Pizarro Beleza deu como exemplo a retirada de alguns direitos dos funcionários públicos, como aconteceu com os cortes dos subsídios de férias e de natal.

A especialista considera que existe um discurso que tenta olhar para alguns direitos como sendo "regalias" dos funcionários públicos. Sem discussão, alerta a jurista, essas mudanças poderão, no futuro, pôr em causa os direitos de todos.

A professora da Universidade de Direito teme que, por trás desta argumentação, exista o objetivo de "levar as pessoas a aceitar a ideia de que existe um grupo privilegiado, que são os funcionários públicos, e que é preciso começar a cortar nas regalias deles".

O problema, alertou, é que "as pessoas não se percebem que daqui se passa para cortar a toda a gente. Porque o princípio da igualdade, em vez de funcionar a favor das pessoas discriminadas, acaba por estender essa diminuição de direitos a toda a gente".

"Quer a classe política, quer o próprio Tribunal Constitucional, quer a generalidade dos cidadãos e cidadãs estão dispostos a aceitar uma alteração profunda da sociedade portuguesa que vai no sentido contrário aos valores fundamentais que estão na Constituição: da liberdade, igualdade, dignidade. E penso que é importante as pessoas tomarem consciência dessa situação", alertou.

Nota: Dada a sua relevância, reproduzo aqui  um artigo que foi escrito ao abrigo do acordo ortográfico (AO90) , aplicado pela agência Lusa, com o qual  não concordo e que , aliás,no Brasil já foi metido na gaveta  Brasil.*

Scala & Kolacny Brothers - With Or Without You (U2 Cover)

A Liberdade - Manoel de Oliveira


"Hoje a liberdade é tida como um direito absoluto. Mas não há liberdade absoluta. A liberdade não é sequer um direito. A liberdade é um dever, um dever fortíssimo. A liberdade é o respeito pelo próximo. O Espinoza dizia: nós supomo-nos livres porque ignoramos as forças que impedem os nossos actos. De maneira que há forças que nos são estranhas, não somos nós. Eu sinto-me um joguete, uma marioneta. Sou conduzido por forças que ignoro. Eu sinto isso, eu pressinto isso"
 Tema - Liberdade  Fonte: Notícias Magazine (DN) / 20040509

                                    Manoel de Oliveira

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Proper Posture 1947


Extraordinário!

Batida - Cuka feat.Ikonoklasta (English Subtitled) from Fazuma on Vimeo.

Fernando Namora, in 'Marketing'




Marketing


Aqui a meu lado o bom cidadão

escolheu Sagres

que é tudo tudo cerveja

a pausa que refresca

a longa pausa de um longo cigarro King Size.

atenção ao marketing.

Eu não gosto de cerveja

mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja

sobretudo da Sagres

para não contrariar os fabricantes de cerveja.

atenção ao marketing.

Ninguém contraria os fabricantes de cerveja

ninguém contraria os fabricantes do Opel e da Super Silver

nem os fabricantes de alcatifas para panaceias

nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios

nem as mensagens de natal dos estadistas

nem os negociantes de armas da Suíça

nem o homem de capa negra que virou as costas ao Palmolive.

Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma

a ver as processões passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos

que são agora selvagens e voam numa Harley.

Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim

que é uma alta onda ou uma onda alta

sem esquecer as fitas do John Waine e a chama viva do Butagás

e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana

numa fatia de pão.bu

atenção ao marketing.

Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens dos peões

louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos

e dos blousons noirs que não usam Lux

e não compram um frigorífico a prestações

e com o meu escudo invisível

portejo-me dos vírus subversivos

sou um bom cidadão sou um bom cidadão

obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.

Dantes tinha problemas era o odor corporal

e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas

e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia

e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente os corpos que

[merecem ser amados...

Obedeço ao marketing não contrario.

Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula

que é o da cor do sol

ninguém pisa os riscos brancos do tráfego

nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio

concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard

ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas

e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde

no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.

Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac

não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama

quando me dizem vamos dormir.

atenção ao marketing.

Sagres é uma boa cerveja

e eu acabarei por gostar da Sagres

como gosto do Rexina.

Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas

todas as bebidas da televisão têm vitaminas

mesmo as do programa literário que é detergente

e eu uso-as e sou um cidadão perfeito

e até já consigo adormecer com hipnóticos

depois de tomar o Tofa descafeinado

e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas

para me banhar na Torralta

cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.

Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos

com um pó azul de que não me lembra o nome

não me lembra mas a culpa já não é minha

porque na mesma noite

massajado com Aqua Velva

fiz a barba com Gillette, e Schick e Nacet

e fui não sei aonde sempre com a mesma lâmina

e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)

a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba

antes de eu descer no aeroporto

onde me esperava um agente do marketing.

Os produtores viram-me à descida do avião

primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren

ou o Onassis mas era eu

e gostaram da minha barba bem feita.

(Da barba bem feita

ou do casaco Dralon que não se amarrotara

durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)

Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha

pois na mesma noite

fui o homem de não sei quê que marca o rumo

por vestir regras ou camisas ou calças que não enrugam

e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações

e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada

e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino

e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura

e fiz-me mecânico de automóveis

só para que o cavaleiro da armadura branca

me tocasse com a sua lança mágica

e me pusesse branco branco branco

três vezes branco como as páginas do Reader’s

de cérebro irrepreensivelmente lexivizado

pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos

e passado a ferro com um ferro eléctrico automático

que talvez fosse – ou não? – uma enceradora Philips.

Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias

que eu devo ao marketing

e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos

nas palavras de pressão

de todo o bom cidadão.

E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial

Sical Sical que é um luxo verdadeiro

Por pouco dinheiro.

Vitonizadi esterilizado comprando e concorrendo

esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio

esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave

esqueci-me do rio e dos barcos

e da saudade de pedra do Fernando Pessoa

e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.

Concorra concorra foi isso que não reparei

que uma rapariga cortou as veias

talves fosse com uma Diplomatic

que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.

No programa só havia bombeiros

nem uma rapariga a cortar as veias (não era a Caprília)

nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.

Se mágoa sentia era a de ter esquecido

dar murros no espião da Missão Impossível

(atenção ao marketing)

e já não saí de casa para ver o rio

só pelo gosto de me aquecer com um Ignis.

E na mesma noite noite boa noite branca

fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal

depois da Salus e da Schweppes

fumei quilómetros e quilómetros de prazer

quilómetros e mais quilómetros – há um Ford no meu futuro –

mais facturas mais fomes mais prazer

e agora já não sei qual dos cigarros com filtro

me soube melhor.

Foram todos foram todos de certeza

pois se me dizem que preciso de Omo

do Ajax do Estoril do Dralon

do esquentador e das alcatifas sem nódoas

não me preocupo não te preocupes

o Meraklon não preocupa ninguém

mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias

não me preocupo não me preocupo

digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort

e hei-de virar-me do avesso para os possuir.

Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.

Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.

E na mesma noite

vi umas bombas que caíam muito ao longe

numa lonjura mais longe que a Lua

onde as pessoas podiam estar quietas a fumar Marialvas

e a lavarem-se com Rino que lava lava lava

lava três vezes mais lava ou mata que se farta

e me ajuda a ser bom cidadão.

atenção ao marketing.

Vi uns homens a inaugurarem estátuas

e vi fardas e paradas e conferências

e crianças a sorrir

para os homens sorridentes que inauguravam estátuas

e vi homens que falavam e pensavam por mim

a escolherem por mim o bom e o mau

de modo a que eu não possa ser tentado

a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.

Deitado no conforto de um Lusospuma

vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo

bem longe nas ruas de Estocolmo

mesmo a pedirem uns safanões

dos homens que acariciam crianças

e têm todas as verdades na mão

só para que eu seja um bom cidadão.

É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.

Preciso e gosto de uma data de coisas

e só agora o sei.

Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.

Ninguém contraria o marketing por muito tempo.

Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer

o bom cidadão.

E tudo graças ao marketing.


Fernando Namora

domingo, 9 de dezembro de 2012

Cantares ao Desafio - Alto Minho, Portugal

Augusto Canário & Amigos no programa "Chakall e Pulga" da SIC 

Vira do Minho de Carolina Serpa Marques



















Carolina Serpa Marques nasceu no Porto em 1966.
Em 1989 terminou a Licenciatura em Direito na Universidade Católica do Porto e desde 1991 leciona na Universidade Lusíada do Porto.
Dedica-se à pintura como autodidata, executando retratos por encomenda.
Em 2010 é selecionada como finalista do Prémio Carmen Miranda.
Expôs individualmente na Galeria dos Benfeitores da Santa Casa da Misericórdia do Porto - Outubro de 2010, Trinc’Arte, Porto-Junho 2011, Clik, Porto- Dezembro 2011 e Janeiro2012, Vivacidade- Espaço Criativo- Fevereiro 2012. Participou em exposições coletivas  na  Fundação  Eng.º António  de  Almeida,  Porto  (1995),  Museu  Municipal  Carmen  Miranda, Marco de Canavezes (2010) e Casa das Artes de V.N Famalicão (2012). Encontra-se representada na coleção da Santa Casa da Misericórdia do Porto e em coleções particulares, em Portugal e no estrangeiro.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer- A vida é um sopro



" Meu nome é Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares. Me chamam de Oscar Niemeyer, não sei porquê..."
(Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907 — Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2012)


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Acordo Ortográfico - Miguel Esteves Cardoso



 O Acordo Ortográfico


Dantes, cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem.

Os Portugueses, no fundo, assinaram um Pacto Ortográfico que soube a Pato. Ninguém imagina os Espanhóis, os Franceses ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima dos misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária.

A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade própria. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça, como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem de estupidez que pretender que todos aqueles que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. É ridículo, é anticultural e é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões.

As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira deles é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os Brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos. E não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas.

Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas realmente sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar a política da língua com a língua da política.

O que vale é que, neste mesmo momento, muitos Portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater esta inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização.

Miguel Esteves Cardoso

Odetta Live in concert 2005, "House of the Rising Sun"


Esta é uma velha canção folk (ninguém sabe quem a fez), que conta a  triste vida  de uma prostituta de Nova Orleães ; por isso é tradicionalmente cantada por uma mulher. 
Há muitas e boas versões de  "Rising Sun Blues" ( "The House of the Rising Sun" ou apenas "House of the Rising Sun" ).Por exemplo as dos The Animals ,Bob Dylan, Nina Simone , tiveram muto sucesso. Mas esta interpretação é diferente. Tocante. Excelente! Acrescentando dor e tristeza à sua  voz, Odetta  deu  a esta canção  tudo o que ela sempre pediu: ALMA !  


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Tom Zé - Menina, Amanhã de Manhã - (DVD)







"É considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, tendo participado ativamente do movimento musical conhecido como Tropicália nos anos 1960 e se tornado uma voz alternativa influente no cenário musical do Brasil. A partir da década de 1990 também passou a gozar de notoriedade internacional, especialmente devido à intervenção do músico britânico David Byrne"   http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom_Z%C3%A9   



"A música de Tom Zé é diferente de qualquer música brasileira que ouvi até hoje... Expande incessantemente os limites da canção popular, adotando formas inesperadas, que nos surpreendem e encantam, com percepção aguda dos acontecimentos. Olha a grande cidade com olhos -- e o ouvidos -- de poeta. Descobre beleza em regiões estranhas.  [Sua música] nos dá esperança." David Byrne


LayaProject Tapatam Full Video HQ

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Nunca são as coisas mais simples

 Nunca são as coisas mais simples
Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.

Nuno Júdice

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pilot Evolution:


Brilhante!


Pilot Evolution from Martin Allais on Vimeo.
Direcção de Martin Allais,  produção de Boolab


The objective of the campaign is to promote one of the Pilot brand’s latest models, the Frixion, whose main feature is that it lets you both write and erase. Based on this premise, the main task was to offer an unprecedented reading of the history of evolution in which the pen —a metaphor for divine intervention— provides a solution each time a problem arises, to rectify the situation and allow the species to evolve correctly through each of their stages. “Create, remove, evolve;” concludes the spot, bringing the point home. Created by the agency Grey, the campaign involved combining cell animation and stop motion techniques. Aired in Spain and Portugal, it has 20”, 30”, 60” and 90” versions.
Gold Laus Awarded "Best Animation 2011" Barcelona

terça-feira, 20 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Estou Cansado (Álvaro de Campos)


Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sou uma portuguesa de classe média.Tal como milhares de outros portugueses vivo o período que atravessamos com grandes dificuldades. Nunca vivi acima das minhas possibilidades ,mas a "crise" , a falta de dinheiro apanhou-me e à minha família como a muitas outras que não esbanjaram. No entanto revejo-me nas palavras de Isabel Jonet . Entendo que se refere à necessidade de uma mudança de mentalidade, de hábitos de consumo e de poupança.à distinção prévia entre o absolutamente necessário e o supérfluo, tão difícil nesta sociedade de consumo em que nos habituamos a viver. Por isso percebo mal a crítica e linchamento público a que foi sujeita... só que não quer é que não vê a verdade das suas palavras corajosas. Pegando no exemplo do copo de agua na lavagem dos dentes: Sim, antigamente, houvesse ou não dinheiro, usava-se copo para lavar os dentes... Era quase inata a ideia de não desperdiçar, de poupar, de bem escasso ,por sinal da água que o é cada vez mais. Sim, é complicado para adultos criar hábitos de poupança saudável e inteligente . Por maioria de razão os mais novos, os filhos , que se habituaram a ter tudo ,exigindo tudo como se de um direito absoluto se tratasse, não compreendem, aceitam mal a necessidade imperiosa de mudança radical na forma de como os bens materiais devem ser encarados agora. Eu sei que Isabel Jonet está à frente do banco alimentar e congratulo-me por isso. Gabo-lhe a coragem e a lucidez. Reconheço a sua obra, que aliás fala por si. Por isso não posso deixar passar em branco vários comentários com que me deparei na página da comunidade do Facebook Associação de Palavras, fazer de conta que eles não existiram. É verdade que estes senhores ,com os seus depoimentos, foram atrás da maralha. Em Portugal, o país da vulgarização e esvaziamento do significado do direito de petição, é costume: vai-se para onde vai a maré. Felicito Henrique Monteiro pelo depoimento no Expresso, que dá a voz a milhares de portugueses que, como eu, se sentem indignados pela campanha miserável a que Isabel Jonet está a ser sujeita. Onde está a democracia e a liberdade de expressão a que qualquer cidadão tem direito? É preciso baixar a cabeça e dizer que sim para não ser insultado? Isabel Jonet não baixa a dela e faz muito bem.

James Taylor - You've Got A Friend

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

POEMA EM LINHA RECTA


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus amigos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso, arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas do hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste mundo que me confesse que uma vez já foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos
(heterônimo de Fernando Pessoa)



Declamar um poema não é fácil, mesmo os de Álvaro Campos que são tão expressivos.
Osmar Prado, grande actor brasileiro, interpreta magistralmente o "Poema em Linha Recta" numa cena da popular telenovela "O Clone".  Não encontrei em Portugal ninguém que o fizesse desta forma. Mais: assim se mostra que a cultura é de todos e para todos. Entre nós encontra-se fechada na redoma fria e balofa  da erudição a que só alguns pretendem ter acesso. É pena.      

domingo, 28 de outubro de 2012

Cristina Branco & Blöf - Dansen aan de zee( Dançando à beira mar)

"I've got no idea what they're saying but, God, I love this song. Don't care if it's a song about love, death or breakfast cereal, it still sounds fantastic!"


A música é mesmo linguagem universal. É fascinante  perceber como pessoas que não falam Português ou Alemão "compreendem" ," sentem" a canção, em que alguém se despede do seu amor....

No momento em que Cristina termina o primeiro verso, rompe um enorme aplauso, que é  um impulso de reconhecimento feliz por todo o sentimento, garra, alma que ela  transmite ao cantar tão bem (é mais ou menos isto que se diz na introdução...). 

Arrepia!  


Excerto do documentário "Alto do Minho" de Miguel Filgueiras

Alto do Minho, mais do que um documentário é uma impressão (...) mais do que um filme é um retrato que se mexe (Miguel Filgueiras).


Alto do Minho | Free view segment from MIGUELFILGUEIRAS on Vimeo.

sábado, 20 de outubro de 2012

Que Sera Sera (Disabled children from Thailand)


À procura da canção "Whatever Wil Be ,Whil Be",  interpretada pela primeira vez por Doris Day, encontrei esta espantosa versão, que  me toca e sinto como nenhuma outra. Sublime! 
   
Vale a pena ficar a saber como tudo aconteceu , acedendo a este link:        
http://www.thailand-travelonline.com/thailand-reviews-recommendations/best-of-thailand/best-commercial-ever-que-sera-sera-whatever-will-be-will-be/1483/

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Club Des Belugas feat. Brenda Boykin - Second Sight (Doc-Terry Video Mix...


Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina
Joana V Coração Independente from FICA on Vimeo.


Joana Vasconcelos é a mais reconhecida e apreciada artista portuguesa da sua geração. Com um percurso nacional e internacional de grande relevo, a artista oferece-nos uma visão simultaneamente cúmplice e crítica da sociedade contemporânea. O seu processo criativo assenta na apropriação, descontextualização e subversão de objectos pré-existentes e realidades do quotidiano.
A realizadora Joana Cunha Ferreira acompanhou a artista ao longo de quase um ano, seguindo de perto a montagem de uma das suas peças mais icónicas, "Dorothy", um sapato gigante construído a partir de centenas de tampas e panelas. O filme olha de perto para o processo de trabalho da artista e da sua equipa, que vemos em acção no seu atelier, mas é também um retrato de Joana Vasconcelos, da sua força e talento extraordinários.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Coisa - Mário Quintana



A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi própriamente dita.

domingo, 7 de outubro de 2012


(Olá)

Se te vi,
Mal te conheço.
Nem  sei  pensar em  ti…


(E daí?)

Adormeço com a tua ausência
Que, reconheço, me tira a paciência
De estar sem ti,
Aqui.

Aborreço-me,
Ai!

(Vai daí…)

Desapareço,
Vou-me daqui.
Para ali, para acolá?
Desconheço.
Sei lá!
Por aí…

(Para já)

Luísa Castelo-Branco

Dancing with Wynton Marsalis y Chano Dominguez live in Vitoria 2009 part2

domingo, 30 de setembro de 2012

Imagina

 Tom Jobim , Chico Buarque , Paula Morelenbaum 



* vídeo que substitui o que originalmente aqui foi publicado e foi retirado do youtube


Um vídeo extraordinário  e raro,  que mostra o encontro  de Paula Morelenbaum, Tom Jobim e Chico Buarque, três grandes nomes da música brasileira, filmados num ambiente familiar e descontraído.


Curiosidade: esta é a primeira música que Tom Jobim compôs. Tinha 18 anos. Chico Buarque era  ainda  criança . Só anos mais tarde  escreveu a letra.  

" Imagina" é uma canção estranha,  plena de dissonâncias que a tornam  harmonicamente complexa,  sofisticada e invulgar. Sublime. 
A versão solo para piano é comparada por muitos a um prelúdio de Debussy. 

Este filme é  um prazer para os sentidos e para a mente . Todo ele é sensibilidade, expressão, comunicação. Humanidade.  

sábado, 29 de setembro de 2012

Pablo Neruda : Me gustas quando callas ( I like for you to be still)

Voz : Glenn Close




Me gustas quando callas

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto. 


Pablo Neruda

domingo, 23 de setembro de 2012

bossa nova


Music ( Nicola Conte-Jet sounds) adaptation for movie-making seminar

Zaz - La pluie


A Chuva e o Sol


Ela atirou-lhe umas gotas da sua graça.

Ele, que mal se molhou, sorri ainda, arisco, garoto.

LCB







sexta-feira, 14 de setembro de 2012

As mulheres têm fios desligados - António Lobo Antunes‏


Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a preseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontém jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"What do you love about Lisbon?"


                           by Lisbonlovers

Idea/Concept: Lisbonlovers (lisbonlovers.com) and Rui Quinta
Production, Film and Editing: Rui Quinta (ruiquinta.com)
Title Design: Lisbonlovers
Music: Márcia - EMI
Shot using: Panasonic Lumix GH2 | Lens: Lumix 14-42mm and Lumix 20mm Pancake
Copyright: Lisbonlovers ©
All the images where recorded in the beautiful city of Lisbon - Portugal


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Representação visual  do espírito da dança. Absolutamente deslumbrante e comovente.

Body of a Dancer from Daniel Gallenkamp N.S.C. on Vimeo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Documentário sobre Joseph Pilates, a criação e implementação do Método Pilates - Parte 3


Retorno de Pilates à Alemanha:
  Conhece Rudolf von Laban,dançarino, coreógrafo, considerado como o maior   teórico da dança do século XX,( dedicou a sua  vida ao estudo e sistematização da linguagem do movimento), que incorpora técnicas de Pilates nas suas aulas.
 Convite do governo para treinar exercito alemão. Recusa ou (noutra versão) abandono do cargo ao fim de pouco tempo.
Emigra para EUA. Durante a viagem conhece a mulher, Clara , educadora de infância, que sofria de artirite.Joseph Pilates interessou-se pela doença dela e treinou-a procurando melhorar a sua condição física.      
Clara e Joseph estudio em NY , no mesmo edifício  do NY Citty Ballet . Vários bailarinos de renome reconhecem  e comprovam os benefícios do método:  desenvolvimento da força muscular, controlo corporal e flexibilidade. Ao mesmo tempo , os exercícios nos aparelhos  mostrou-se eficaz na reabilitação das lesões típicas da dança
O Metodo Pilates começa a ser comhecido e reconhecido fora do mundo da dança: é procurado por pessoas  de outras áreas e profissões, sem e com limitações físicas que pretendem melhorar o seu condicionamento, a sua aprência ou controlo corporal.


 Notas: a) As Partes 1 e 2 e deste documentário podem ser vistas nos posts imediatamente anteriores.  


             b) Trata-se de um trabalho que tem interesse do ponto de vista histórico, também  pelos filmes e fotografias que contém. Grande parte da vida de Pilates( entre a infância e a idade adulta, até  por volta dos 32 anos)  é desconhecida e obscura.

 Existem  trechos que poderão ser considerados inexactos, tanto mais que Pilates não deixou quase nada escrito. Por exemplo, o episódio em que se  relata que Pilates  recusou o convite para treinar o exército alemaõ. Há quem , v.g.Jennifer Pilates (http://www.jenniferpilates.com/ ), afirme que ele aceitou o convite.
         
             c)  O documentário não está completo. Resolvi publicá-lo mesmo assim, na esperança de que,em breve, seja finalizado.  


  

Documentário sobre Joseph Pilates, a criação e implementação do Método Pilates - Parte 2


 O pugilismo,  passagem pelo circo, o desenvolvimento do conceito de centro de força( power house), sistematização e refinamento dos exercícíos de Mat.
 Prisão durante a 1ª Guerra Mundial : Pilates dava aulas  aos outros prisioneiros para ocupar o tempo, pondo à prova  e testando os seus conhecimentos. Grangeou prestígio e reconhecimento, quando se constatou que todos os reclusos praticantes tinham sobrevivido à epidemia devastadora daquela época.    


Documentário sobre Joseph Pilates, a criação e implementação do Método Pilates - Parte 1

Nada é por acaso:
A infância de Joseph Pilates,  investigações influências e convergências deste revolucionário método de condicionamento físico.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Miriam Makeba - Chove Chuva (Live cover 1966)


Chove chuva, chove sem parar…Hoje. 






Original song by Jorge Ben Jor (listen here: http://www.youtube.com/watch?v=RSlnTUJ8JCo)



Guitar: Sivuca
Drums: Leopoldo Fleming Jr
Bass: William Salter


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Terceira Dimensão - Fotografia Aérea: Ponte de Lima

A Terceira Dimensão - Fotografia Aérea: Ponte de Lima: Ponte de Lima é uma vila portuguesa no Distrito de Viana do Castelo, região Norte e sub-região do Minho-Lima, com cerca de 2'800 habitantes...

The City Walk, Porto, Portugal (Herbie Hancock cover)

The City Walk, Porto Portugal from Raindogs on Vimeo.

A realidade dura nua e crua.



"No mundo actual, investe-se cinco vezes mais em medicamentos para a virilidade masculina e silicones para as mulheres do que na cura do Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de mamas grandes e velhos com pénis duro, mas nenhum se recordará para que servem."

DRAUZIO VARELLA, ONCOLOGISTA BRASILEIRO, 2011


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